Quem vende o lagar de azeite vendeu a bacia de pedra (yam), a pedra superior (mamal) e os postes de cedro (betulot), — O yam é a bacia de pedra onde se colocam as azeitonas para serem trituradas; o mamal é a pedra ou roda superior que esmaga as azeitonas dentro dela; as betulot são os postes de cedro fixados ao chão que sustentam a viga principal do lagar. Sendo todas peças fixas e estruturais, são vendidas automaticamente com o imóvel.
mas não vendeu as tábuas pesadas (achirin), a roda (galgal) e a viga central (kora). — Os achirin são as tábuas pesadas colocadas sobre os sacos de azeitona já esmagada para prensá-las; o galgal é a roda que gira a pedra, elevando-a e pressionando as azeitonas para extrair o azeite; a kora é a viga principal do mecanismo de prensagem. Por serem peças móveis do maquinário — substituíveis e não fixadas permanentemente à estrutura —, ficam fora da venda simples.
Quando o vendedor lhe diz: "ele e tudo o que há nele", eis que todos estes são vendidos. — Com a fórmula ampliadora, também as tábuas, a roda e a viga passam a ser incluídas na venda, exatamente como ocorre com os utensílios móveis nas demais mishnayot deste perek.
Rabi Eliezer diz: quem vende o lagar de azeite vendeu também a viga central. — Rabi Eliezer discorda dos Sábios quanto à viga (kora) especificamente: por ser o elemento mais fundamental e estruturalmente indispensável do lagar — sem ela, o mecanismo inteiro não funciona —, ele a considera parte integrante do imóvel, vendida mesmo sem menção explícita.
Rambam identifica com precisão cada peça técnica do lagar de azeite; Bartenura confirma as mesmas definições, essenciais para entender a disputa com Rabi Eliezer sobre a viga central.
Rambam descreve o funcionamento completo do lagar: o yam é a bacia onde se trituram as azeitonas; o mamal é a pedra que faz a trituração por cima; as betulot são os postes de cedro que sustentam a viga do lagar; os achirin são as tábuas pesadas colocadas sobre os sacos de azeitona esmagada, sobre as quais se pendura a pedra que as prensa; e o galgal é a roda que gira essa pedra, erguendo-a e pressionando-a sobre as azeitonas trituradas até que o azeite escorra.
Bartenura confirma cada definição técnica na mesma ordem da mishná, esclarecendo o papel de cada peça no processo de extração do azeite — da trituração inicial na bacia até a prensagem final sob o peso da pedra girada pela roda. Essas definições precisas são a base para entender por que Rabi Eliezer trata a viga central como indispensável ao ponto de considerá-la vendida mesmo sem menção explícita.