Não cavará um homem um poço próximo ao poço do seu companheiro, nem uma vala, nem uma caverna, nem um canal de água, nem um tanque de lavadeiras, a não ser que se afaste do muro do seu companheiro três palmos, e reboque com cal. — A mishná abre com cinco tipos de escavação — poço redondo, vala comprida e estreita, caverna coberta, canal de irrigação e tanque onde lavadeiras deixam a água de molho — que enfraquecem o solo e ameaçam infiltrar água no muro que separa duas propriedades. A lei exige duas proteções cumulativas: afastar-se pelo menos três palmos do muro do vizinho, e revestir as paredes da escavação com cal, que veda a umidade e impede que ela penetre no muro alheio.
Afastam a borra de azeitona, o esterco, o sal, a cal e as pedras do muro do seu companheiro três palmos, e reboca com cal. — Uma segunda lista trata não de escavações, mas de materiais empilhados junto ao muro comum: a borra de azeitona prensada, o esterco animal, o sal, a cal viva e certas pedras que geram calor — todos capazes de "amolecer" e corroer a argamassa do muro pelo calor ou pela umidade que produzem. A mesma dupla exigência se aplica: três palmos de distância, e revestimento de cal como proteção adicional.
Afastam as sementes, o arado e a urina do muro, três palmos. — Sementes plantadas junto ao muro corroem o solo e o afofam com o tempo; o arado, mesmo sem sementeira — por exemplo, ao lavrar em torno de árvores —, revolve e enfraquece o mesmo solo; e a urina, ao molhar repetidamente tijolos de barro seco, os desfaz aos poucos. Todos exigem a mesma distância mínima de três palmos do muro.
E afastam o moinho três palmos da pedra inferior até o muro, o que equivale a quatro palmos a partir da pedra superior. — O moinho manual de pedra, quando em funcionamento, sacode o chão com o giro e o impacto de suas pedras, transmitindo vibração ao muro vizinho. A pedra inferior, mais larga, deve ficar a três palmos do muro; como a pedra superior é um palmo mais estreita e fica centrada sobre a inferior, a distância medida a partir dela soma quatro palmos.
E o forno, três palmos a partir da base, o que equivale a quatro palmos a partir da borda superior. — O forno de barro e pedra assenta sobre uma base mais larga que se afunila até uma borda superior mais estreita, do tamanho do próprio forno. Por causa do calor que exala e que pode danificar o muro, a base deve ficar a três palmos de distância; medida a partir da borda superior, mais recuada, a distância soma quatro palmos.
Rambam explica o raciocínio geral por trás da exigência de afastamento; Bartenura detalha cada termo técnico — do poço redondo ao forno de barro.
Rambam esclarece que o "tanque de lavadeiras" é o reservatório onde se deixam roupas de molho junto com os produtos que as branqueiam, e que a expressão "do muro dele" refere-se ao muro do próprio poço do vizinho — que, tendo no mínimo três palmos de espessura, faz com que a distância real entre o vazio de um poço e o vazio do poço vizinho some, na prática, seis palmos: três palmos de afastamento mais a espessura do muro do poço alheio.
Sobre a medida do forno, Bartenura explica que a kilya é a base construída de barro e pedras sobre a qual o forno é assentado — larga embaixo e estreita em cima, de modo que sua borda superior tem exatamente o tamanho do próprio forno. É preciso afastar essa base do muro três palmos, medidos a partir de sua parte inferior mais larga, o que equivale a quatro palmos a partir de sua borda superior mais estreita — porque o calor exalado pelo forno prejudica o muro.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 17a-b, onde esta mishná abre o segundo perek do tratado.
Rashi remete à explicação já dada em Bava Kamma, no perek "Shor shenagach et haphará" (BK 20a-b), onde os mesmos termos técnicos — bor (poço), shiach (vala) e me'ará (caverna) — já foram detalhados no contexto de outra halachá, e a mishná aqui pressupõe essa familiaridade.
Rashi distingue os dois primeiros termos pela forma: o bor é uma escavação redonda, enquanto o shiach é comprido e estreito — uma vala alongada, e não um poço circular.
Rashi descreve em detalhe o tanque de lavadeiras: uma escavação quadrada com pelo menos um cúbito de profundidade, onde se acumula água da chuva para lavar roupas; explica ainda que as lavadeiras costumavam usar dois tanques — um deles reservado para deixar as roupas de molho, por um ou dois dias, numa mistura que incluía excremento de cães, usado como agente de limpeza na época.
Rashi explica o motivo da exigência: uma escavação próxima demais a um poço já existente enfraquece e amolece as paredes desse poço vizinho. E esclarece que, a partir daqui, a mishná passa a falar de um muro comum de tijolos de barro construído sobre a terra — não mais do muro que reveste um poço, tema da primeira frase.