Seder Nezikin · Massechet Avodá Zará · Perek Dalet · Mishná 3 de 12

O jardim ou o balneário de um ídolo

גִּנָּה אוֹ מֶרְחָץ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Trata do uso de bens anexos a um local de idolatria — um jardim ou um balneário — distinguindo entre desfrutá-los sem contribuir para a manutenção do culto e desfrutá-los pagando por isso, o que sustentaria financeiramente os seus sacerdotes.

Um ídolo que possuía um jardim ou um balneário: pode-se desfrutar deles sem gratidão, mas não se pode desfrutar deles com gratidão. Se pertenciam a ele e a outros, pode-se desfrutar deles tanto com gratidão quanto sem gratidão.

עֲבוֹדָה זָרָה שֶׁהָיָה לָהּ גִנָּה אוֹ מֶרְחָץ, נֶהֱנִין מֵהֶן שֶׁלֹּא בְטוֹבָה וְאֵין נֶהֱנִין מֵהֶן בְּטוֹבָה. הָיָה שֶׁלָּהּ וְשֶׁל אֲחֵרִים, נֶהֱנִין מֵהֶן בֵּין בְּטוֹבָה וּבֵין שֶׁלֹּא בְטוֹבָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Avodá Zará 4:3
עֲבוֹדַת כּוֹכָבִים שֶׁהָיָה לָהּ גִנָּה וְכוּ׳: אָמְרוּ בְּטוֹבָה וְשֶׁלֹּא בְטוֹבָה, רוֹצֶה לוֹמַר בְּטוֹבַת כּוֹמְרִים.

Rambam esclarece que "com gratidão" e "sem gratidão" referem-se especificamente ao benefício econômico que reverteria em favor dos sacerdotes do culto — é esse pagamento indireto que a mishná proíbe, e não o simples uso do espaço em si.

Bartenura · Avodá Zará 4:3
שֶׁלֹּא בְטוֹבָה. שֶׁלֹּא יַעֲלֶה שָׂכָר לַכְּמָרִים.

Bartenura confirma essa leitura, explicando que "sem gratidão" significa que o uso do jardim ou do balneário não deve gerar nenhum pagamento que beneficie os sacerdotes daquele culto.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Avodá Zará 51b (Guemará sobre esta mishná)
מַתְנִי׳ נֶהֱנִין מִמֶּנָּה שֶׁלֹּא בְטוֹבָה — שֶׁלֹּא יַעֲלוּ שָׂכָר לַכּוֹמְרִים, דְּאֵין הֶקְדֵּשׁ לַעֲבוֹדַת כּוֹכָבִים, כִּדְאָמְרַן בְּפֶרֶק כׇּל הַצְּלָמִים: גְּמָ׳ עוֹבְדֶיהָ — עוֹבְדֵי כּוֹכָבִים הָעוֹבְדִין אוֹתָהּ, לֹא אִכְפַּת לַן אִי יָהֲבִינַן לְהוּ שְׁאָר טוֹבַת הֲנָאָה פּוּרְתָּא:

Rashi confirma que "sem gratidão" significa não gerar nenhum pagamento que beneficie os sacerdotes, pois não existe consagração religiosa válida em favor de um ídolo, como já foi estabelecido no capítulo "Kol HaTzelamim". Observa ainda, sobre a discussão da Guemará que se segue, que quanto aos próprios adoradores do local — enquanto pessoas, e não enquanto sacerdócio — não há problema em lhes conceder um pequeno benefício adicional que não sustente o culto em si.