Talmud Yerushalmi · Massechet Sheviit · Perek Bet · Halachá 1 (abertura do capítulo)
שְׁבִיעִית

Até quando se lavra o campo branco e o campo das árvores na véspera do ano sabático

Perek Bet, Halachá 1 — abertura do capítulo, no Talmud Yerushalmi, Massechet Sheviit

Primeira halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit: a Mishná pergunta até quando se lavra o campo branco (campo de cereais) na véspera do ano sabático, e responde: desde que cesse a umidade do solo (do inverno), durante todo o tempo em que as pessoas ainda lavram para plantar hortas de pepinos e de cabaças. Rabi Shimon objeta que esse critério entrega a lei na mão de cada um, e fixa em seu lugar limites certos: no campo branco, até Pessach; no campo das árvores (o pomar), até Atzeret (Shavuot). A guemará identifica o tanna por trás do critério da umidade, testando essa identificação contra a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel e contra a distinção entre a Mishná primeira e a última, até concluir que é Rabi Meir, enquanto para Rabi Shimon a regra fixa é consenso de todos; esclarece que a permissão vale mesmo para quem ainda vai plantar, no futuro, uma horta de pepinos ou de cabaças; retoma a objeção de Rabi Shimon ilustrando a disputa entre vizinhos sobre o estado da própria umidade; e fecha explicando a diferença entre o campo branco, que precisa da umidade presente para a semeadura anual, e o campo das árvores, já plantado e enraizado, que não depende dela do mesmo modo.

Perek Betפֶּרֶק שֵׁנִי

A Mishná · מַתְנִיתִין

עַד אֵימָתַי חוֹרְשִׁין שְׂדֵה הַלָּבָן עֶרֶב שְׁבִיעִית מִשֶּׁתִּיכְלֶה הַלֵּיחָה כָּל זְמָן שֶׁבְּנֵי אָדָם חוֹרְשִׁין לִיטַּע מִקְשָׁאוֹת וּמִדְלָעוֹת. אָמַר רִבִּי שִׁמְעוֹן נָתַתָּ תוֹרַת כָּל אֶחֶד וְאֶחָד בְּיָדוֹ. אֶלָּא בִשְׂדֵה הַלָּבָן עַד הַפֶּסַח וּבִשְׂדֵה הָאִילָן עַד הָעַצֶּרֶת.

Mishná: Até quando se lavra o campo branco (campo de cereais) na véspera do ano sabático? Desde que cesse a umidade (do inverno, no solo) — durante todo o tempo em que as pessoas ainda lavram para plantar hortas de pepinos e de cabaças (isto é, enquanto ainda houver época hábil de plantio dessas hortaliças de verão, que dependem da umidade residual do solo). Disse Rabi Shimon: deste, assim, a lei na mão de cada um (um critério subjetivo, que cada lavrador aplicaria a seu próprio campo, gerando disputas entre vizinhos); antes, no campo branco, até Pessach, e no campo das árvores (o pomar), até Atzeret (Shavuot).

A Halachá · הֲלָכָה א

01Quem é o tanna por trás do critério da umidade: testando contra Bet Shamai e Bet Hilel, e contra a Mishná primeira e a última
Yerushalmi · Sheviit 2:1
עַד אֵימָתַי חוֹרְשִׁין כו׳. מָאן תַּנָּא לֵחָה רִבִּי מֵאִיר הִיא. וְרִבִּי מֵאִיר כְּבֵית שַׁמַּאי וְרִבִּי שִׁמְעוֹן כְבֵית הִלֵּל. וְכֵן אֲתִינָן מַתְנִיתָא רִבִּי מֵאִיר כְּבֵית שַׁמַּאי וְרִבִּי שִׁמְעוֹן כְּבֵית הִלֵּל. אֶלָּא רִבִּי מֵאִיר כְּמִשְׁנָה הָרִאשׁוֹנָה. וְרִבִּי שִׁמְעוֹן כְּמִשְׁנָה אֲחַרוֹנָה. וְכֵן אֲתִינָן מַתְנִיתָא רִבִּי מֵאִיר כְּמִשְׁנָה הָרִאשׁוֹנָה וְרִבִּי שִׁמְעוֹן כְּמִשְׁנָה אֲחַרוֹנָה. אֶלָּא רִבִּי מֵאִיר שְׁנָיָיהּ מַחְלוֹקֶת וְרִבִּי שִׁמְעוֹן שְׁנָיָיהּ כְּדִבְרֵי הַכֹּל. הֲוֵי מָאן תַּנָּא עַד אֵימָתַי חוֹרְשִׁין שְׂדֵה הַלָּבָן עֶרֶב שְׁבִיעִית רִבִּי מֵאִיר. בְּרַם כְּרִבִּי שִׁמְעוֹן דִּבְרֵי הִכֹּל עַד הָעַצֶּרֶת.

Halachá: (Citando a Mishná:) "Até quando se lavra..." etc. Quem é o tanna (por trás do critério) da umidade? É Rabi Meir. E Rabi Meir segue Bet Shamai, e Rabi Shimon segue Bet Hilel. E também trazemos uma baraita (que confirma isso): Rabi Meir segue Bet Shamai, e Rabi Shimon segue Bet Hilel.

Mas não — Rabi Meir segue a Mishná primeira (a versão original de uma tradição, mais tarde revista), e Rabi Shimon segue a Mishná última (a versão revista). E também trazemos uma baraita (que confirma isso): Rabi Meir segue a Mishná primeira, e Rabi Shimon segue a Mishná última.

Mas não — Rabi Meir ensinou-a (esta lei) como matéria de disputa, e Rabi Shimon ensinou-a como palavras de todos (um consenso, sem disputa). Eis, então: o tanna de "até quando se lavra o campo branco na véspera do ano sabático" é Rabi Meir; mas, segundo Rabi Shimon, é palavras de todos, até Atzeret.

02Não apenas para quem já tem a horta plantada, mas também para quem ainda vai plantar
Yerushalmi · Sheviit 2:1
לֹא סוֹף דָּבָר בְּשֶׁיֵּשׁ לוֹ מִקְשָׁה וּמוּדְלָה אֶלָּא אֲפִילוּ מֵאַחַר שֶׁבְּנֵי אָדָם עֲתִידִין לִיטַּע בַּמִּקְשִׁיּוֹת וּבַמִּדְלָעוֹת מוּתָּר.

Halachá: Não é só quando ele já tem uma horta de pepinos e uma horta de cabaças (plantada) — mas mesmo assim, já que as pessoas ainda estão para plantar hortas de pepinos e de cabaças (naquela época do ano, mesmo sem tê-las plantado ainda), é permitido (lavrar o campo inteiro por essa razão).

03Rabi Shimon: "deste a lei na mão de cada um" — a disputa entre vizinhos, e a regra fixa de Pessach e Atzeret
Yerushalmi · Sheviit 2:1
אָמַר רִבִּי שִׁמְעוֹן נָתַתָּ תוֹרַת כָּל אֶחֶד וְאֶחָד בְּיָדוֹ. זֶה אוֹמֵר כָּלָה לֵחָה שֶׁלִּי וְזֶה אוֹמֵר לֹא כָלָה לֵחָה שֶׁלִּי. אֶלָּא בִשְׂדֵה הַלָּבָן עַד הַפֶּסַח וּבִשְׂדֵה הָאִילָן עַד הָעַצֶּרֶת.

Halachá: Disse Rabi Shimon: deste a lei na mão de cada um (um critério subjetivo). Este diz: "minha umidade já acabou", e aquele diz: "minha umidade ainda não acabou" (cada lavrador alegando o estado do próprio campo, gerando disputa entre vizinhos); antes, no campo branco, até Pessach, e no campo das árvores, até Atzeret.

04A diferença entre o campo branco e o campo das árvores
Yerushalmi · Sheviit 2:1
מַה בֵּין שְׂדֵה הַלָּבָן לִשְׂדֵה הָאִילָן. שְׂדֵה הַלָּבָן עַל יְדֵי שֶׁהוּא עָתִיד לְזוֹרְעָהּ בַּתְּחִילָּה צָרִיךְ שֶׁתְּהֵא הַלֵּיחָה קַיֶימֶת אֲבָל שְׂדֵה הָאִילָן עַל יְדֵי שֶׁהִיא נְטוּעָה מִכְּבָר אֵינוֹ צָרִיךְ שֶׁתְּהֵא רוֹב הַלֵּיחָה קַיֶימֶת.

Halachá: Qual é a diferença entre o campo branco e o campo das árvores? O campo branco, já que ele está para ser semeado desde o início (a cada ano, de novo), precisa que a umidade ainda esteja presente (no solo, para a semente germinar); mas o campo das árvores, já que está plantado há muito tempo (com raízes já profundas), não precisa que a maior parte da umidade ainda esteja presente.

Nota

Esta é a primeira halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit, que abre um novo tema dentro do tratado: depois de o Perek Alef discutir a combinação de mudas e cabaças e o prazo em que algo ainda se chama muda, o Perek Bet volta ao tema do próprio limite de lavrar antes do ano sabático. A Mishná pergunta até quando se lavra o campo branco na véspera do sétimo ano, fixando o critério em que cessa a umidade do solo — medido pelo costume de ainda se plantarem hortas de pepinos e de cabaças —, e traz a objeção de Rabi Shimon, para quem esse critério é subjetivo demais, entregando a lei na mão de cada lavrador; em seu lugar, fixa limites certos: Pessach para o campo branco, Atzeret para o pomar.

A guemará abre identificando o tanna por trás do critério da umidade como Rabi Meir, testando essa atribuição, sem sucesso, contra a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel e contra a distinção entre a Mishná primeira e a última, até fixá-la, por fim, na diferença entre ensinar algo como matéria de disputa ou como palavras de todos — sendo a regra fixa de Rabi Shimon, no fim, um consenso, e não uma opinião isolada. Esclarece, em seguida, que a permissão de lavrar vale mesmo para quem ainda vai plantar sua horta, e não apenas para quem já a tem; retoma a objeção de Rabi Shimon, ilustrando com um exemplo concreto a disputa que o critério subjetivo geraria entre vizinhos; e fecha explicando por que o campo branco depende da umidade do solo — por precisar ser semeado de novo a cada ano — enquanto o campo das árvores, já enraizado, não depende dela do mesmo modo.