Primeira halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit: a Mishná pergunta até quando se lavra o campo branco (campo de cereais) na véspera do ano sabático, e responde: desde que cesse a umidade do solo (do inverno), durante todo o tempo em que as pessoas ainda lavram para plantar hortas de pepinos e de cabaças. Rabi Shimon objeta que esse critério entrega a lei na mão de cada um, e fixa em seu lugar limites certos: no campo branco, até Pessach; no campo das árvores (o pomar), até Atzeret (Shavuot). A guemará identifica o tanna por trás do critério da umidade, testando essa identificação contra a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel e contra a distinção entre a Mishná primeira e a última, até concluir que é Rabi Meir, enquanto para Rabi Shimon a regra fixa é consenso de todos; esclarece que a permissão vale mesmo para quem ainda vai plantar, no futuro, uma horta de pepinos ou de cabaças; retoma a objeção de Rabi Shimon ilustrando a disputa entre vizinhos sobre o estado da própria umidade; e fecha explicando a diferença entre o campo branco, que precisa da umidade presente para a semeadura anual, e o campo das árvores, já plantado e enraizado, que não depende dela do mesmo modo.
Mishná: Até quando se lavra o campo branco (campo de cereais) na véspera do ano sabático? Desde que cesse a umidade (do inverno, no solo) — durante todo o tempo em que as pessoas ainda lavram para plantar hortas de pepinos e de cabaças (isto é, enquanto ainda houver época hábil de plantio dessas hortaliças de verão, que dependem da umidade residual do solo). Disse Rabi Shimon: deste, assim, a lei na mão de cada um (um critério subjetivo, que cada lavrador aplicaria a seu próprio campo, gerando disputas entre vizinhos); antes, no campo branco, até Pessach, e no campo das árvores (o pomar), até Atzeret (Shavuot).
Halachá: (Citando a Mishná:) "Até quando se lavra..." etc. Quem é o tanna (por trás do critério) da umidade? É Rabi Meir. E Rabi Meir segue Bet Shamai, e Rabi Shimon segue Bet Hilel. E também trazemos uma baraita (que confirma isso): Rabi Meir segue Bet Shamai, e Rabi Shimon segue Bet Hilel.
Mas não — Rabi Meir segue a Mishná primeira (a versão original de uma tradição, mais tarde revista), e Rabi Shimon segue a Mishná última (a versão revista). E também trazemos uma baraita (que confirma isso): Rabi Meir segue a Mishná primeira, e Rabi Shimon segue a Mishná última.
Mas não — Rabi Meir ensinou-a (esta lei) como matéria de disputa, e Rabi Shimon ensinou-a como palavras de todos (um consenso, sem disputa). Eis, então: o tanna de "até quando se lavra o campo branco na véspera do ano sabático" é Rabi Meir; mas, segundo Rabi Shimon, é palavras de todos, até Atzeret.
Halachá: Não é só quando ele já tem uma horta de pepinos e uma horta de cabaças (plantada) — mas mesmo assim, já que as pessoas ainda estão para plantar hortas de pepinos e de cabaças (naquela época do ano, mesmo sem tê-las plantado ainda), é permitido (lavrar o campo inteiro por essa razão).
Halachá: Disse Rabi Shimon: deste a lei na mão de cada um (um critério subjetivo). Este diz: "minha umidade já acabou", e aquele diz: "minha umidade ainda não acabou" (cada lavrador alegando o estado do próprio campo, gerando disputa entre vizinhos); antes, no campo branco, até Pessach, e no campo das árvores, até Atzeret.
Halachá: Qual é a diferença entre o campo branco e o campo das árvores? O campo branco, já que ele está para ser semeado desde o início (a cada ano, de novo), precisa que a umidade ainda esteja presente (no solo, para a semente germinar); mas o campo das árvores, já que está plantado há muito tempo (com raízes já profundas), não precisa que a maior parte da umidade ainda esteja presente.
Esta é a primeira halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit, que abre um novo tema dentro do tratado: depois de o Perek Alef discutir a combinação de mudas e cabaças e o prazo em que algo ainda se chama muda, o Perek Bet volta ao tema do próprio limite de lavrar antes do ano sabático. A Mishná pergunta até quando se lavra o campo branco na véspera do sétimo ano, fixando o critério em que cessa a umidade do solo — medido pelo costume de ainda se plantarem hortas de pepinos e de cabaças —, e traz a objeção de Rabi Shimon, para quem esse critério é subjetivo demais, entregando a lei na mão de cada lavrador; em seu lugar, fixa limites certos: Pessach para o campo branco, Atzeret para o pomar.
A guemará abre identificando o tanna por trás do critério da umidade como Rabi Meir, testando essa atribuição, sem sucesso, contra a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel e contra a distinção entre a Mishná primeira e a última, até fixá-la, por fim, na diferença entre ensinar algo como matéria de disputa ou como palavras de todos — sendo a regra fixa de Rabi Shimon, no fim, um consenso, e não uma opinião isolada. Esclarece, em seguida, que a permissão de lavrar vale mesmo para quem ainda vai plantar sua horta, e não apenas para quem já a tem; retoma a objeção de Rabi Shimon, ilustrando com um exemplo concreto a disputa que o critério subjetivo geraria entre vizinhos; e fecha explicando por que o campo branco depende da umidade do solo — por precisar ser semeado de novo a cada ano — enquanto o campo das árvores, já enraizado, não depende dela do mesmo modo.