Esta segunda halachá do Perek Vav não traz nova Mishná, prosseguindo diretamente a discussão da guemará sobre o feixe esquecido de quatro kabin. Ela abre levantando uma contradição contra Bet Shamai — que trata gafa e meda, coisas fixas, como não gerando esquecimento — e contra Bet Hilel — que trata boi e utensílios, coisas não fixas, como gerando esquecimento. Discute em seguida o caso do feixe que permanece em seu próprio lugar, ao lado da eira ou de uma brecha, a partir de uma baraita da escola de Bet Shamai, com Rabi Yossei afirmando ser esse um caso de consenso geral, e a distinção entre uma coisa fixa ao lado de outra fixa e uma coisa destacada ao lado de uma fixa. Traz então o relato de Rabi Il'ai, que perguntou a Rabi Yehoshua em quais feixes exatamente discordam Bet Shamai e Bet Hilel, recebendo dele uma resposta, de Rabi Eliezer outra, e relatando por fim tudo isso a Rabi Elazar ben Azaryá, que remete à aliança dita a Moisés em Horeb. Fecha com o caso paralelo, trazido da Mishná de Ketubot, da mulher que recebe bens antes ou depois do noivado, com a pergunta de Rabi Pinchas a Rabi Yossei sobre por que essa regra não foi ensinada pelo modelo das leniências de Bet Shamai e dos rigores de Bet Hilel, e o relato de Rabi Yehudá sobre Rabban Gamliel distinguindo bens novos de bens antigos da noiva.
E é difícil o que dissemos sobre Bet Shamai: quanto à gafa (parede de pedras ao redor da vinha) e quanto à meda, trata-se de algo que é fixo (imóvel, bem determinado no lugar), e eles (Bet Shamai) dizem que o feixe junto a eles não é esquecimento (isentando-o da lei do esquecido, apesar de a gafa e a meda serem coisas fixas e claramente identificáveis, o que deveria, ao contrário, tornar o feixe mais reconhecível e não menos). E é difícil também o que dissemos sobre Bet Hilel: quanto ao boi e quanto aos utensílios, trata-se de algo que não é fixo (móvel, sem lugar determinado), e eles (Bet Hilel) dizem que o feixe junto a eles é esquecimento (sujeitando-o à lei do esquecido, apesar de o boi e os utensílios serem coisas móveis e não fixas, o que deveria, ao contrário, tornar o feixe menos reconhecível e não mais — sendo essa a contradição levantada contra ambas as escolas).
Mas se em seu próprio lugar ele (o feixe) permanece, ao lado da eira ou ao lado de uma brecha (um vão aberto na cerca — isto é, o feixe não foi deslocado de onde estava, mas simplesmente ficou parado, por acaso, junto a um ponto fixo do terreno), essa é a baraita da escola de Bet Shamai: nesse caso, a escola de Bet Shamai diz que ele não é esquecimento (pois, permanecendo em seu lugar original, associado a um ponto fixo do terreno, o feixe conserva-se identificável e não se qualifica como esquecido). Disse Rabi Yossei: essa é uma regra que são palavras de todos (consenso geral, e não motivo de disputa entre as escolas). Pois ali (no caso da gafa e da meda, discutido acima), trata-se de algo destacado (o feixe, já colhido e solto) ao lado de algo que está ligado ao solo — não, uma comparação entre duas coisas fixas, e sim entre uma coisa destacada e uma coisa fixa, o que já basta para gerar a disputa entre as escolas); mas aqui (no caso do feixe junto à eira ou à brecha), trata-se de algo destacado ao lado de algo que está ligado ao solo — mas nesse caso específico, sendo o próprio lugar do feixe o que importa, e não sua semelhança ou diferença com o objeto ao lado, todos concordam que não há esquecimento).
Disse Rabi Il'ai: perguntei a Rabi Yehoshua: em quais feixes discordam Bet Shamai e Bet Hilel? Disse-me: é nesta versão da lei oral (transmitida assim): o feixe que está próximo à gafa, à meda, ao boi e aos utensílios, e o esqueceram (deixaram-no ali, junto a esses pontos ou objetos, sem levá-lo) — Bet Shamai diz: é esquecimento; e Bet Hilel diz: não é esquecimento (uma versão invertida da disputa em relação à que consta em nossa Mishná). E quando fui até Rabi Eliezer, disse-me: não discordaram Bet Shamai e Bet Hilel sobre o feixe que está próximo à gafa, à meda, ao boi e aos utensílios, e o esqueceram, de que ele é esquecimento (nesse caso, ambas as escolas concordam que é esquecimento). E sobre que então discordaram? Sobre o feixe que alguém tomou de outro lugar e colocou ao lado da gafa, ao lado da meda, ao lado do boi, ao lado dos utensílios, e o esqueceu (isto é, não é o caso de o feixe já estar ali por acaso, mas de alguém tê-lo deslocado deliberadamente para junto desses pontos, e ali esquecido), que Bet Shamai diz: não é esquecimento, porque ele (o dono, ao movê-lo e colocá-lo ali) já o adquiriu (tornando esse ato equivalente a uma tomada de posse definitiva, que exclui a possibilidade de esquecimento); e Bet Hilel diz: é esquecimento. E quando vim e expus as palavras diante de Rabi Elazar ben Azaryá, disse-me: a aliança (isto é, esta tradição é firme e segura como uma aliança) — estas são as palavras que foram ditas a Moisés em Horeb (afirmando a autenticidade e antiguidade dessa transmissão exata da disputa).
Ali (noutro tratado, em Ketubot) ensinamos: a mulher a quem caíram (couberam por herança) bens antes de se noivar, Bet Shamai e Bet Hilel concordam que ela pode vender e dar de presente esses bens, e o ato é válido. Mas se os bens lhe caíram depois que se noivou, Bet Shamai diz: ela pode vender; e Bet Hilel diz: ela não pode vender (pois, uma vez noiva, seus bens já pertencem em parte ao noivo, e ela perde a autonomia plena para dispor deles). Rabi Pinchas perguntou diante de Rabi Yossei: e por que não a ensinaram (essa regra da noiva) pelo modelo das leniências de Bet Shamai e dos rigores de Bet Hilel (isto é, por que o texto da Mishná não seguiu o padrão comum de outras disputas, em que se agrupam de um lado todas as posições mais leves de uma escola e do outro todas as mais rigorosas da outra)? Disse-lhe: nós (os sábios) não formulamos uma versão da Mishná segundo esse modelo a não ser quando se trata de algo que é ao mesmo tempo mais rigoroso de dois lados e mais leve de dois lados (isto é, quando a mesma posição de uma escola é claramente mais rigorosa sob dois aspectos diferentes, e a da outra escola mais leniente sob esses mesmos dois aspectos). Mas aqui, neste caso da noiva, é mais rigoroso de um lado e mais leve de um lado (a posição de cada escola tem apenas um aspecto rigoroso e um aspecto leniente, e não dois de cada, não se encaixando no modelo). Mas não ensinamos nós mesmos, alhures, algo semelhante a esse modelo: Bet Shamai diz: o hefker declarado apenas para os pobres já é hefker válido — eis que isso é mais leve para os pobres (pois já podem adquiri-lo de imediato) e mais rigoroso para o dono (que perde o bem mais cedo), e no entanto ensinamos assim (sem que isso impedisse a formulação nesse modelo)? Disse-lhe: ali, é leve para os pobres, mas não é rigoroso para o dono, pois foi de sua própria vontade que os bens foram abandonados (o próprio dono escolheu declarar hefker, de modo que a suposta rigidez contra ele não é uma imposição externa, mas consequência de seu próprio ato voluntário, o que descaracteriza o modelo de "dois lados"). Disse-lhe (Rabi Pinchas): mas não ensinamos também: o feixe que está próximo à gafa, à meda, ao boi e aos utensílios, e o esqueceram — eis que isso é leve para o dono (que se isenta da obrigação de deixá-lo aos pobres) e é mais rigoroso para os pobres (que perdem o que lhes caberia), e no entanto ensinamos assim? Disse-lhe: ali, é leve para o dono, mas não é rigoroso para os pobres, pois eles ainda não adquiriram aquilo (o feixe ainda não havia entrado, de fato, na posse deles, de modo que não há uma perda real e rigorosa, mas apenas a ausência de um ganho que ainda não lhes pertencia). Replicou Rabi Pinchas: e diz também aqui (no caso da noiva): é leve para a mulher (quando Bet Shamai lhe permite vender), mas não é rigoroso para o dono (o noivo), pois ele ainda não a adquiriu completamente a ela nem aos bens! Disse-lhe (Rabi Yossei): uma vez que ele já a desposou (com o noivado), os bens caíram tanto para o direito dela quanto para o direito dele (diferentemente do feixe, em que os pobres realmente não tinham direito algum ainda, no caso da noiva o noivo já possui um direito parcial e presente sobre os bens dela desde o noivado, o que torna o caso genuinamente rigoroso para ele, e por isso não se encaixa no mesmo raciocínio usado para o feixe).
Disse Rabi Yehudá: disseram diante de Rabban Gamliel: uma vez que a noiva é sua esposa (no sentido legal de já estar vinculada ao noivo) e a casada é sua esposa, assim como esta (a casada), a sua venda dos bens é nula (pois todos os bens da mulher já casada pertencem, para efeitos de venda, ao marido), também aquela (a noiva), a sua venda deveria ser nula (pelo mesmo raciocínio de equiparação entre noiva e casada). Disse-lhes (Rabban Gamliel): quanto aos bens novos, nós já nos envergonhamos (isto é, já reconhecemos e admitimos essa dificuldade quanto aos bens que lhe couberam depois do noivado); mas agora vós quereis rolar (estender a mesma dificuldade) conosco também aos bens antigos (os que já lhe pertenciam antes mesmo do noivado, sobre os quais todos concordam que ela pode vender livremente)? Quais são os bens novos? Os que lhe couberam desde que se casou (ou, segundo o contexto, desde que se noivou). E quais são os bens antigos? Os que já eram dela antes de se casar e permaneceram com ela depois de casada (bens que ela já possuía de antemão, e cuja venda ninguém questiona, distinguindo-os claramente dos bens que só lhe couberam após o vínculo matrimonial já formado).
Esta halachá não traz nova Mishná, dando prosseguimento direto à sugia iniciada em 6:1 sobre o feixe esquecido de quatro kabin. Ela abre levantando uma contradição interna contra ambas as escolas — Bet Shamai isenta do esquecimento o feixe junto a coisas fixas (gafa, meda), quando o esperado seria o oposto, e Bet Hilel sujeita ao esquecimento o feixe junto a coisas não fixas (boi, utensílios), quando também aí o esperado seria o oposto. Resolve, em seguida, o caso do feixe que permanece em seu próprio lugar, ao lado da eira ou de uma brecha, com a baraita de Bet Shamai isentando-o, e a explicação de Rabi Yossei de que esse é um caso de consenso — pois ali a comparação não é entre duas coisas fixas, mas entre uma destacada e uma fixa, sem que a semelhança ou diferença de natureza seja o critério decisivo.
Segue-se o relato de Rabi Il'ai, que colheu três versões diferentes da disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel — de Rabi Yehoshua, uma versão invertida da nossa Mishná; de Rabi Eliezer, a distinção entre o feixe que já estava no lugar e o feixe deslocado deliberadamente para lá, sobre o qual Bet Shamai considera que o dono já o adquiriu; e por fim o relato a Rabi Elazar ben Azaryá, que confirma essa última versão como a aliança fiel transmitida desde Horeb. Fecha com o caso paralelo, trazido da Mishná de Ketubot, da mulher que recebe bens antes ou depois do noivado, e a extensa troca entre Rabi Pinchas e Rabi Yossei sobre por que essa disputa, e a do hefker, e a do feixe esquecido, não foram formuladas pelo modelo padrão de leniências de uma escola e rigores da outra — concluindo que, no caso da noiva, o noivo já possui direito real e presente sobre os bens dela desde o noivado, o que a distingue dos demais casos comparados. Encerra com o relato de Rabi Yehudá sobre Rabban Gamliel, que distingue os bens "novos" (couberam após o vínculo) dos bens "antigos" (já pertenciam a ela antes), explicando por que só os primeiros geram a disputa sobre a validade da venda.