Esta halachá, breve, comenta a Mishná sobre as cebolas-mãe (as cebolas-semente deixadas na terra para reproduzir o bulbo), obrigadas à pe'á segundo os sábios e isentas segundo Rabi Yose, e sobre os retângulos de cebola entre hortaliças. A guemará abre com a disputa entre Rav e Shmuel sobre o que exatamente é essa "cebola-mãe", e fecha com Rabi Yaakov bar Abun em nome de Rabi Chanina explicando que Rabi Yose a isenta por ser bem hefker (abandonado), com a pergunta de Rabi Abun bar Chiyá a Rabi Mana sobre se bem abandonado se sujeita à pe'á, e a resposta de que os sábios a obrigam porque, apesar de tudo, ela é recolhida para ser guardada.
Mishná: As cebolas-mãe (as cebolas guardadas na terra como semente para o bulbo seguinte) são obrigadas à pe'á. Rabi Yose isenta. Retângulos de cebolas entre a hortaliça, Rabi Yose diz: pe'á de cada um separadamente. Mas os sábios dizem: uma só pe'á de um retângulo sobre tudo.
Rav disse: é a "purgará" (termo de origem estrangeira; a cebola grande da qual outras já brotaram, deixada esgotada na terra); e Shmuel disse: são seus brotos (os rebentos pequenos que nascem ao redor da cebola-mãe, e não a própria cebola-mãe).
Rabi Yaakov bar Abun em nome de Rabi Chanina: Rabi Yose não disse que a cebola-mãe é isenta senão por causa de ela ser considerada bem abandonado (hefker) — pois, sendo já esgotada e sem valor, qualquer um pode tomá-la, e o que é hefker não se chama produto "de teu campo", conforme exige o versículo da pe'á. Rabi Abun bar Chiyá perguntou diante de Rabi Mana: e o bem abandonado em geral se obriga à pe'á — como pode então Rabi Yose fundamentar a isenção nisso? Disse-lhes: trata-se do caso em que o dono os adquiriu de volta um a um (depois de abandoná-los, reafirmando posse sobre cada bulbo à medida que brotava, o que os tira da condição de hefker; mas então por que os sábios os obrigam?). Mas não foi ensinado numa baraita: ainda que elas (as cebolas-mãe) não se conservem para quem tem colheita abundante, elas se conservam para quem tem colheita escassa — logo, quando há pouca colheita, o dono não as abandona, mas as guarda? Eis que então a razão dos sábios que a obrigam não é senão porque ele a recolhe para ser conservada — e não por causa da questão do hefker discutida acima.
Esta terceira halachá do Perek Guimel, breve, comenta a Mishná sobre as cebolas-mãe — obrigadas à pe'á segundo os sábios e isentas segundo Rabi Yose — e sobre os retângulos de cebola entre hortaliças, onde Rabi Yose exige pe'á de cada retângulo e os sábios se contentam com uma só pe'á sobre tudo. A guemará traz primeiro a disputa entre Rav, para quem a "cebola-mãe" é a própria cebola grande e esgotada da qual brotaram outras, e Shmuel, para quem são os pequenos brotos ao redor dela. Depois, Rabi Yaakov bar Abun em nome de Rabi Chanina explica que Rabi Yose isenta a cebola-mãe por considerá-la bem abandonado (hefker), o que a retira da categoria de "produto de teu campo"; Rabi Abun bar Chiyá pergunta a Rabi Mana se bem abandonado em geral se sujeitaria à pe'á, e a resposta aponta para o dono que reabsorve posse sobre os bulbos um a um; por fim, uma baraita mostra que quem tem pouca colheita conserva essas cebolas-mãe em vez de abandoná-las, concluindo que a razão real da obrigação dos sábios é simplesmente que ele as recolhe para guardá-las, e não uma questão de hefker.