Terceira halachá do Perek Chet de Massechet Kilayim, abrindo uma nova Mishná: não se ata o cavalo nem aos lados da carroça nem atrás da carroça, e nem o livdekes aos camelos (um cordame ou correia de reboque); e Rabi Yehuda ensina que todos os que nascem de uma égua, ainda que o pai seja jumento, são permitidos entre si, e do mesmo modo os que nascem de uma jumenta, ainda que o pai seja cavalo, são permitidos entre si — mas os nascidos de uma direção são proibidos com os nascidos da outra. A guemará discute se Rabi Meir isenta quem apenas ata o cavalo à carroça sem que ele puxe, embora todos concordem que há proibição quando ele efetivamente ajuda, seja na subida seja na descida, com Rabi Yochanan e Rav discordando sobre o motivo da proibição; traz a pergunta de Rabi Yirmeya sobre atar os animais pelo próprio pelo, sem corda; discute a etimologia do termo livdekes, ligada aos líbios e aos cuchitas em suas marchas, com uma digressão sobre se os convertidos vindos de Luv devem esperar três gerações, como os convertidos do Egito; registra que a halachá segue as palavras do aluno, contra os sábios, que consideram toda mula uma espécie só; ensina os sinais para diferenciar a ascendência da mula pelo tamanho das orelhas; traz a conhecida máxima segundo a qual o branco do corpo humano vem do pai, o vermelho vem da mãe, e o espírito, a alma e a respiração vêm do Santo, bendito seja; e fecha comparando um cavalo filho de cavalo filho de jumento com um jumento filho de jumento filho de cavalo, e uma cabra filha de cabra filha de ovelha com uma ovelha filha de ovelha filha de cabra, já na segunda geração de descendência.
Mishná: Não se ata o cavalo nem aos lados da carroça, nem atrás da carroça. E nem o livdekes aos camelos. Rabi Yehuda diz: todos os que nascem de uma égua — ainda que o pai deles seja jumento — são permitidos uns com os outros. E do mesmo modo os que nascem de uma jumenta — ainda que o pai deles seja cavalo — são permitidos uns com os outros; mas os que nascem de uma égua com os que nascem de uma jumenta são proibidos uns com os outros.
Halachá: "Não se ata o cavalo nem aos lados da carroça, nem atrás da carroça." Foi ensinado: Rabi Meir isenta (quem apenas o atou, sem que ele ajude a puxar). Se ele o estava ajudando, seja na subida, seja na descida, todos concordam que é proibido. Disse Rabi Yochanan: porque este carrega a preguiça daquele, e aquele carrega a preguiça deste (cada animal, atado ao outro, deixa de fazer seu próprio esforço e se apoia no esforço do companheiro). Rav disse: porque eles carregam a corda que está entre eles (o peso da própria corda que os une já é, em si, um esforço conjunto e proibido).
Halachá: Rabi Yirmeya perguntou: e se os atou pelo próprio pelo deles, sem uma corda? A respeito de que estamos tratando? Se foi quando o atou pelo seu pelo, assim diríamos que é proibido fazer um animal cavalgar sobre as costas de seu companheiro (caso em que o raciocínio de Rabi Yochanan, sobre carregar a preguiça um do outro, ainda se aplicaria)? Ou se foi quando a corda em si foi atada ao pelo dele, diríamos que é por eles carregarem a corda que está entre eles (caso em que o raciocínio de Rav se aplicaria)? Rabi Yoná disse: Rav e Rabi Yochanan discordam quanto a isso: Rabi Yochanan disse que é porque este carrega a preguiça daquele, e aquele carrega a preguiça deste; Rav disse que é porque eles carregam a corda que está entre eles. Qual é a diferença prática entre eles? Se o atou pelo próprio pelo (sem corda), tanto segundo a opinião de Rav quanto segundo a opinião de Rabi Yochanan, está isento.
Halachá: "E nem o livdekes." Há sábios que ensinam niverkos (uma variante do nome). Segundo quem diz livdekes: é por causa de livuyê (acompanhamento), por causa dos líbios e dos cuchitas em suas marchas (que usavam esse tipo de cordame para conduzir seus camelos). Segundo quem diz niverkos: avhatam — o que é avhatam? Da cor do vinho de beterraba (um tom avermelhado). Rabi Yoná e Rav Hoshaya perguntaram: os convertidos vindos de Luv (a Líbia), quanto a eles, é preciso esperar três gerações (como se exige dos convertidos vindos do Egito, conforme Devarim 23:8-9)? Disse Rabi Yoná de Botzraia: pelo que vemos, aquele feijão egípcio — quando está úmido, chamam-no de luvi; quando está seco, chamam-no de pul mitzrai (feijão egípcio). Isso ensina que o convertido vindo de Luv precisa esperar três gerações. Isso ensina que Luv é o mesmo que Mitzráyim (o Egito).
Halachá: Rabi Yitzchak bar Nachman, em nome de Rabi Hoshaya: a halachá é conforme as palavras do aluno (Rabi Yehuda, que distingue as duas direções do cruzamento). As palavras dos sábios são que toda espécie de mulas é uma só (e por isso as permitiriam entre si, independente da direção do cruzamento — mas não é assim que a halachá foi fixada).
Halachá: E quais são os sinais para se distinguir a ascendência de uma mula? Disse Rabi Yoná: todo aquele cujas orelhas são pequenas, sua mãe é égua e seu pai é jumento. Se são grandes, sua mãe é jumenta e seu pai é cavalo. Rabi Maná ordenou aos servos de Rabi Yudan, o Nassi: se quiserem comprar mulas, comprem para ele as de orelhas pequenas, cuja mãe é égua e cujo pai é jumento (consideradas de melhor qualidade).
Halachá: O branco no corpo humano vem do homem, do qual provêm o cérebro, os ossos e os tendões. E o vermelho vem da mulher, da qual provêm a pele, a carne e o sangue. E o espírito, a alma e a respiração vêm do Santo, bendito seja. E os três são sócios nele (no ser humano — o pai, a mãe e D-us).
Halachá: Rabi Ba, Rav Yehuda, em nome de Rav: os sábios concordam com Rabi Yehuda quanto a um cavalo filho de cavalo filho de jumento, com um jumento filho de jumento filho de cavalo (que são proibidos entre si mesmo na segunda geração, pois a linha de descendência de cada direção do cruzamento permanece distinta). Rabi Chagai, Rabi Zeira, em nome de Rabi Issa: filhos de cabras, filhos de ovelhas, são proibidos uns com os outros. Pois, não é assim que dizemos: uma cabra filha de cabra filha de ovelha, com uma ovelha filha de ovelha filha de cabra (são proibidas entre si, pelo mesmo raciocínio já aplicado ao cavalo e ao jumento)?
Esta halachá abre uma nova Mishná dentro do mesmo Perek Chet: não se ata o cavalo nem aos lados nem atrás da carroça, e nem o livdekes — um cordame de reboque — aos camelos; e Rabi Yehuda ensina que a proibição de misturar cavalo e jumento em seus descendentes depende da direção do cruzamento: os nascidos de égua com jumento são permitidos entre si, os nascidos de jumenta com cavalo são permitidos entre si, mas as duas linhagens são proibidas uma com a outra.
A guemará abre esclarecendo os limites da primeira parte da Mishná: Rabi Meir isenta quem apenas ata o cavalo à carroça, mas todos concordam que há proibição quando o animal atado efetivamente ajuda a puxar, seja na subida seja na descida — com Rabi Yochanan explicando a proibição pelo fato de cada animal carregar a preguiça do outro, e Rav explicando-a pelo peso da própria corda que os une. Rabi Yirmeya pergunta então sobre o caso em que os animais foram atados diretamente pelo próprio pelo, sem corda alguma, o que leva Rabi Yoná a esclarecer que essa mesma disputa entre Rav e Rabi Yochanan já responde à pergunta, sendo que, nesse caso específico, ambos concordam que há isenção. Segue-se uma digressão etimológica sobre o termo livdekes, ligado aos líbios e aos cuchitas que usavam esse cordame para conduzir camelos, e daí uma pergunta halachica correlata sobre se os convertidos vindos de Luv (a Líbia) devem esperar três gerações antes de ingressar na congregação, como os convertidos vindos do Egito — respondida por uma observação sobre o nome de um mesmo feijão mudar conforme está úmido ou seco, sugerindo que Luv e Mitzráyim são, linguística e halachicamente, a mesma coisa. A guemará então registra que a halachá segue as palavras de Rabi Yehuda (o aluno) contra os sábios, que consideram toda mula uma espécie só; ensina os sinais físicos — o tamanho das orelhas — para se distinguir qual dos pais de uma mula é o cavalo e qual é o jumento; insere a conhecida máxima aggádica segundo a qual o branco do corpo humano (cérebro, ossos, tendões) vem do pai, o vermelho (pele, carne, sangue) vem da mãe, e o espírito, a alma e a respiração vêm do Santo, bendito seja, sendo os três sócios na formação de cada pessoa; e fecha estendendo a proibição das duas linhagens à segunda geração de descendência — um cavalo neto de jumento continua proibido com um jumento neto de cavalo, e o mesmo se aplica, por analogia, a cabras e ovelhas cruzadas em direções opostas. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.