Terceira halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim: a Mishná trata da vala que atravessa um vinhedo, funda dez palmos e larga quatro; Rabi Eliezer ben Yaakov diz que, se ela se estende de uma ponta à outra do vinhedo, este parece dividido como se fossem dois vinhedos, e pode-se semear dentro dela; caso contrário, é como um tanque de prensa. O tanque de prensa dentro do vinhedo, fundo dez e largo quatro: semeia-se dentro dele, segundo Rabi Eliezer; mas os sábios proíbem. O montículo do guarda dentro do vinhedo, alto dez e largo quatro: semeia-se dentro dele; mas, se a folhagem estiver pressionando o solo, é proibido. A videira plantada em cova ou fenda: dá-se a ela seu espaço de cultivo, e semeia-se o restante; Rabi Yossei diz que, se não há ali quatro côvados, não se deve trazer semente para lá; e a casa dentro do vinhedo pode ser semeada. A guemará discute as condições em que os sábios concordam com Rabi Eliezer ben Yaakov sobre a vala; a controvérsia sobre largura mínima e a relação entre profundidade e altura entre Rabi Eliezer e Rabi Eliezer ben Yaakov; a exigência de espaço vazio de quatro palmos, discutida entre Rabi Chiyya em nome de Rabi Yochanan, Rav Shmuel bar Rav Yitzchak, Rabi Chalafta ben Shaul e Rabi Yossei, distinguindo formas redondas e quadradas; e fecha com Rabi Avin, em nome de Shmuel, associando a casa que protege da kilaim ao versículo de Isaías sobre os que foram escondidos em casas de prisão.
Mishná: Uma vala que atravessa um vinhedo, funda dez palmos e larga quatro palmos: Rabi Eliezer ben Yaakov diz que, se ela se estende de ponta a ponta do vinhedo, este é considerado dividido, como se fosse o espaço entre dois vinhedos (pois a vala funda e larga separa visivelmente o terreno em duas partes), e pode-se semear dentro dela; mas, se não se estende de ponta a ponta, ela é como um tanque de prensa (que não divide o vinhedo, por estar cercado de todos os lados pelas próprias videiras).
O tanque de prensa (a depressão onde se recolhe temporariamente o suco das uvas antes de levá-lo ao lagar) que está dentro do vinhedo, fundo dez palmos e largo quatro: semeia-se dentro dele — palavras de Rabi Eliezer; mas os sábios proíbem (pois consideram que, estando cercado pelas videiras por todos os lados, esse espaço permanece parte do vinhedo).
O montículo do guarda (elevação de terra onde se posta quem vigia o vinhedo) que está dentro do vinhedo, alto dez palmos e largo quatro: semeia-se dentro dele; mas, se a folhagem estiver pressionando o solo do montículo (se os ramos das videiras tocam o chão do monte, encerrando-o), é proibido.
A videira que está plantada em uma cova ou em uma fenda (depressão natural do terreno): dá-se a ela o espaço necessário para seu cultivo, e semeia-se o restante. Rabi Yossei diz: se não há ali quatro côvados (de espaço quadrado, além do necessário ao cultivo da videira), não se deve trazer semente para lá (pois um espaço menor que isso não constitui domínio próprio, separado do vinhedo). E a casa que está dentro do vinhedo pode ser semeada (pois suas paredes já separam o que cresce dentro dela das videiras de fora).
Halachá: Isto se aplica somente quando a vala separa tanto ele mesmo quanto o espaço necessário ao seu cultivo (o espaço reservado à circulação e ao manejo das videiras em torno da vala) — a partir do que se ensinou: os sábios concordam com Rabi Eliezer ben Yaakov quanto à vala que separa a si mesma e o espaço necessário ao seu cultivo. Sendo assim, Rabi Eliezer ben Yaakov entende dizer que a vala divide o vinhedo mesmo quando não separa a si mesma e o espaço necessário ao seu cultivo (bastando que atravesse de ponta a ponta). Sobre o que discordam então, os sábios e Rabi Eliezer ben Yaakov? Quando havia duas fileiras de videiras de um lado e duas fileiras do outro (pois então cada lado, por si, já constitui um vinhedo). Mas se havia uma única fileira de um lado e uma única fileira do outro, assim que a vala alcança o equivalente a três videiras de comprimento, o vinhedo se anula (pois uma única fileira de cada lado não basta para formar vinhedo, e todos concordam que a divisão o desfaz).
Halachá: Foi ensinado: menos que isto (menos de quatro palmos de largura) é proibido (semear ali). Se assim é, não teríamos dito: dez palmos de profundidade tornam proibido, nove, com muito mais razão? Mas o que significa "menos que isto"? Refere-se à largura. Se assim é, não teríamos dito: torna-se como fechado, e seria permitido (pois um sulco estreito demais não seria reconhecido como domínio próprio, e todo o espaço voltaria a ser considerado vinhedo comum, liberando-o para semeadura)? E de fato se torna como fechado, e seria permitido! Não foi ensinado (em outro lugar): raízes de planta de beira de campo que penetram dentro dos quatro côvados do vinhedo, abaixo de três palmos de profundidade, eis que estas são permitidas (pois abaixo dessa profundidade, as raízes não interferem com o cultivo do vinhedo)? Mas o caso da vala é diferente, pois o ar do vinhedo a circunda por todos os lados, tornando-a parte do domínio do vinhedo, e não mero espaço externo. Disse-lhes Rabi Eliezer ben Yaakov: não concordais comigo que profundidade é como altura (que uma vala funda equivale, para este efeito, a um montículo alto)? Sim, mas apenas que Rabi Eliezer concorda com Rabi Eliezer ben Yaakov quanto a isto, enquanto ele mesmo não concorda que o ar do vinhedo a circunda. É razoável que assim seja: Rabi Eliezer ben Yaakov não concorda com Rabi Eliezer, mas Rabi Eliezer concorda com Rabi Eliezer ben Yaakov que profundidade é como altura; Rabi Eliezer ben Yaakov não concorda com Rabi Eliezer que o ar do vinhedo a circunda.
Halachá: Rabi Chiyya, em nome de Rabi Yochanan: é necessário que haja ali um espaço vazio de quatro palmos (referindo-se ao montículo do guarda, cujo topo deve ter ao menos essa largura livre de videiras). Disse Rav Shmuel bar Rav Yitzchak: isto que se disse é quando o montículo é redondo; mas se é quadrado, não é necessário que haja ali um espaço vazio de quatro palmos (pois, sendo redondo, apenas o diâmetro central tem a largura plena, enquanto as cordas paralelas diminuem até zero nas bordas; sendo quadrado, a largura de quatro palmos se mantém uniforme em toda a extensão). Disse Rabi Chalafta ben Shaul: é necessário que haja ali três palmos de terra por cima (cobrindo o topo do montículo, para que a folhagem das videiras não o encerre). Disse Rabi Yossei: isto que se disse é quando o montículo é redondo; mas se é quadrado, não é necessário que haja ali três palmos de terra por cima.
Halachá: De três a quatro palmos de largura — é disto que trata a Mishná (quanto à cova ou fenda em que se planta a videira). Menos de três, é como fechado (considera-se todo o espaço parte do vinhedo comum, sem constituir domínio à parte); de três a quatro, completa-se (deixa-se uma faixa vazia adicional, de modo que a largura total, somada ao espaço de cultivo, chegue a quatro côvados); com quatro, semeia-se de imediato (sem necessidade de completar nada).
Halachá: Rabi Avin, em nome de Shmuel: "e em casas de prisão foram escondidos" (Isaías 42:22) — refere-se a uma casa em que se esconde o que seria proibido por kilaim (o versículo é lido aqui associando a palavra hebraica para "prisão", כלא, à palavra kilaim; assim como a casa de prisão oculta quem está dentro, a casa dentro do vinhedo, mencionada no final da Mishná, protege o que nela se planta da proibição de kilaim, pois suas paredes separam o que cresce dentro do que cresce fora).
Esta é a terceira halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim. A Mishná trata de diferentes acidentes de terreno dentro do vinhedo — a vala funda, o tanque de prensa, o montículo do guarda, a cova ou fenda onde se planta uma videira isolada, e a casa — e de como cada um deles afeta, ou não, a proibição de semear junto às videiras. Rabi Eliezer ben Yaakov distingue a vala que atravessa de ponta a ponta, dividindo o vinhedo em dois, da vala que não o faz, equiparada então ao tanque de prensa; quanto a este, ele e os sábios discordam diretamente. O montículo do guarda permite semeadura, salvo se a folhagem das videiras o encerra; a videira isolada em cova ou fenda recebe apenas o espaço necessário a seu cultivo, com a exigência adicional de Rabi Yossei quanto aos quatro côvados; e a casa, por suas paredes, permite semeadura irrestrita.
A guemará esclarece, primeiro, que a concordância dos sábios com Rabi Eliezer ben Yaakov pressupõe que a vala separe também o espaço de cultivo das videiras, e que a discordância real entre eles só se dá quando há duas fileiras de cada lado — pois com uma única fileira de cada lado, bastam três videiras de vala para anular o vinhedo, por consenso. Segue-se uma discussão sobre a largura mínima da vala e sua equivalência com casos de raízes e cercas simbólicas, e a exposição de Rabi Eliezer ben Yaakov de que profundidade equivale a altura — ponto em que Rabi Eliezer concorda, ainda que discorde quanto ao ar do vinhedo circundar ou não o espaço. Rabi Chiyya, em nome de Rabi Yochanan, exige um espaço vazio de quatro palmos no topo do montículo do guarda, com a ressalva de Rav Shmuel bar Rav Yitzchak de que isso vale apenas para montículos redondos; e o mesmo padrão se repete entre Rabi Chalafta ben Shaul e Rabi Yossei quanto à camada de terra exigida por cima. A guemará fecha com Rabi Avin, em nome de Shmuel, associando por jogo de palavras a casa que protege da kilaim às "casas de prisão" mencionadas em Isaías 42:22. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.