Quarta halachá do Perek Dalet de Massechet Kilayim: a Mishná continua o tema da halachá anterior e ensina que quem planta duas videiras em frente a duas, e uma saindo como cauda, isto já é um vinhedo; mas duas em frente a duas com uma entre elas, ou duas em frente a duas com uma no meio, não é vinhedo, até que haja duas em frente a duas com uma saindo como cauda. A guemará deriva de Bemidbar 34:2 — "a terra de Canaã segundo suas fronteiras" — que essa forma peculiar do vinhedo foi herdada dos próprios cananeus, levantando a pergunta de Rabi Imi se é lícito aprender com eles; traz a opinião de Shmuel, que mede a proibição pela linha oblíqua, e a de Rabi Yochanan, que considera como se houvesse uma videira virtual plantada, ampliando a área proibida; e fecha com a pergunta de Rabi Yoná sobre se, somando duas configurações de "cauda" lado a lado, ou três fileiras com uma videira central, o resultado se torna um vinhedo grande — e se a regra de que "o vinhedo grande não tem cauda" impede ou não essa soma.
Mishná: Quem planta (quatro videiras em forma de retângulo) duas em frente a duas, com uma saindo como cauda (uma quinta videira, alinhada com duas das quatro, prolongando um dos lados do retângulo), eis que isto é um vinhedo. Mas duas em frente a duas, com uma entre elas (a quinta videira no centro do retângulo), ou duas em frente a duas, com uma no meio (a quinta videira no ponto médio de um dos lados do retângulo), não é vinhedo, até que haja duas em frente a duas, com uma saindo como cauda.
Halachá: Rabi Chiya bar Bá, em nome de Rabi Chiya bar Yossef: está escrito (Bemidbar 34:2) "a terra de Canaã segundo suas fronteiras" (no plural incomum, gvulotêha, e não no singular usual gvulá) — fronteiras que os cananeus inventaram (a forma peculiar do vinhedo, com sua videira "de cauda" saliente, não vem de um raciocínio abstrato dos sábios, mas é uma definição herdada dos próprios cananeus, sugerida por essa forma gramatical incomum do versículo). Rabi Imi perguntou: e se aprende com os cananeus? (há muitos versículos na Torá que advertem o povo de Israel a não aprender com os cananeus; como se pode então derivar deles a própria forma do vinhedo?)
Halachá: Shmuel disse: mede-se pela linha oblíqua (a área proibida ao redor da fileira "de cauda" tem a forma de um trapézio com dois ângulos retos, traçado na diagonal a partir da videira saliente; não se pode semear dentro dessa forma maior). Rabi Yossei bar Zemina, em nome de Rabi Yochanan: consideras como se uma outra videira estivesse plantada aqui (na segunda fileira, paralela à videira de cauda, formando um retângulo maior e imaginário que envolve todo o trapézio; a área proibida, para Rabi Yochanan, é portanto ainda mais ampla do que a de Shmuel).
Halachá: Rabi Yoná perguntou: plantou duas em frente a duas com uma saindo como cauda, e ao lado duas em frente a duas com uma saindo como cauda (duas configurações mínimas de vinhedo, lado a lado, deixando um espaço vazio entre as duas caudas) — consideras como se uma outra videira estivesse plantada aqui, e outra ali (preenchendo os dois espaços vazios, unindo as duas configurações num único vinhedo maior)? E também: plantou três em frente a três, com uma quinta fileira alinhada em frente à videira do meio (três fileiras de três videiras, mas a terceira fileira tem só uma videira, no centro, e não três) — consideras como se outra videira estivesse plantada aqui, para fazer disto um vinhedo grande (completando a terceira fileira com duas videiras virtuais, nas duas pontas, perfazendo três fileiras completas de três videiras cada, o que constituiria vinhedo grande, sujeito às leis de calvície e perímetro, e não apenas à regra dos quatro côvados)? Não foi isto o que disseste, que o vinhedo grande não tem cauda (a regra ensinada quando o vinhedo já é grande — nesse caso a "cauda" não tem efeito algum sobre suas leis)? Isto se refere a quando ele já é grande (a regra da "cauda sem efeito" vale apenas para um vinhedo que já nasceu grande; mas aqui a pergunta é outra): qual é a lei quanto a dar uma cauda a um vinhedo pequeno, para fazer dele um vinhedo grande (pode-se usar o princípio da videira virtual, que amplia a proibição em torno da fileira de cauda, também para transformar um vinhedo pequeno num vinhedo grande, com todas as suas leis mais rigorosas)?
Esta é a quarta halachá do Perek Dalet de Massechet Kilayim, continuação direta do tema aberto na halachá anterior: a definição do que conta como vinhedo. A Mishná acrescenta à disputa de Bet Shamai e Bet Hilel uma nova configuração — a "cauda", uma quinta videira alinhada com duas das quatro videiras de um retângulo, prolongando um de seus lados —, e ensina que só essa configuração específica, e não a videira central ou intermediária, basta para constituir vinhedo.
A guemará dá um salto surpreendente: deriva da expressão incomum "a terra de Canaã segundo suas fronteiras" (Bemidbar 34:2) que a própria forma do vinhedo — com sua videira de cauda saliente — é uma definição herdada dos cananeus, o que leva Rabi Imi a perguntar se é lícito, em geral, aprender com eles. Em seguida, discute como se mede a área proibida ao redor dessa fileira de cauda: Shmuel mede pela linha oblíqua, traçando um trapézio; Rabi Yochanan amplia ainda mais, tratando como se houvesse uma videira virtual plantada na segunda fileira, formando um retângulo maior. A halachá fecha com a pergunta de Rabi Yoná, ainda em aberto, sobre se esse mesmo princípio da videira virtual poderia unir duas configurações de vinhedo pequeno, ou completar uma terceira fileira incompleta, para produzir um vinhedo grande — com todas as leis mais rigorosas de calvície e perímetro que isso implica. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.