Nova Mishná: quem faz seu companheiro jurar (sob voto) que comerá em sua casa, mas não confia nele quanto aos dízimos, pode comer em sua casa no primeiro Shabat, mesmo não sendo o anfitrião confiável quanto aos dízimos, contanto apenas que este lhe diga que o produto está dizimado. Já no segundo Shabat, mesmo que o convidado tenha feito voto de se privar de qualquer benefício do anfitrião caso não venha, não come até que dizime de fato. A guemará liga essa leniência ao Shabat de protogamia, já mencionado na halachá anterior: Rabi Yanai ben Rabi Yishmael, em nome de Rabi Yochanan, ensina que ali se permitiu por causa da inimizade; Rabi Avin ensina que ali se permitiu até mesmo tevel por causa das relações humanas (darchei shalom); e Rabi Chanina, em nome de Rabi Yirmeya, questiona por que, se a base é apenas relações humanas, ainda se exigiria a declaração de que está dizimado. Por fim discute-se o caso de quem convidou no primeiro Shabat e o convidado não veio — pode o segundo Shabat valer como se fosse o primeiro? — com a resposta de Rav Chisda sobre o chaver que não pode comer numa refeição "sem nome".
Mishná: Quem faz seu companheiro jurar (sob voto, obrigando-o) que comerá em sua casa, e o convidado não confia nele (no anfitrião) quanto aos dízimos, come com ele no primeiro Shabat, ainda que o anfitrião não seja confiável quanto aos dízimos, contanto apenas que lhe diga que o produto está dizimado. Mas no segundo Shabat, ainda que o convidado faça voto de privar-se dele de qualquer benefício (caso não compareça novamente), não come até que dizime de fato, e não apenas com base na palavra do anfitrião.
Rabi Yanai, da casa de Rabi Yishmael, em nome de Rabi Yochanan: no Shabat de protogamia (a celebração comunitária que precedia o casamento formal) permitiram por causa da inimizade (para que o convidado, ao recusar-se a comer por desconfiança quanto aos dízimos, não gerasse hostilidade entre as famílias). Disse Rabi Avin: aqui (nesse mesmo caso do Shabat de protogamia) permitiram até tevel (produto do qual nenhum dízimo ainda foi separado, sequer o demai, cuja obrigação é apenas de origem rabínica), por causa das relações humanas (darchei shalom, uma razão ainda mais ampla que a simples inimizade, que se aplicaria mesmo quando não há hostilidade explícita em jogo).
Rabi Chanina disse em nome de Rabi Yirmeya: ele indagou: se a permissão é por causa das relações humanas (darchei shalom, que bastaria por si só para permitir a refeição), por que preciso ainda que o anfitrião lhe diga apenas que o produto está dizimado (exigência que a Mishná mantém mesmo no primeiro Shabat — se a razão fosse unicamente evitar hostilidade, essa exigência de declaração pareceria supérflua, pois nem sempre alguém ousaria perguntar sobre os dízimos numa ocasião tão delicada, correndo o risco de ofender o anfitrião; a pergunta fica sem resposta explícita no texto)?
Se o convidado perguntou ao anfitrião, e este lhe respondeu que estava dizimado, no primeiro Shabat, mas não veio (não compareceu à refeição nesse primeiro Shabat), pode o segundo Shabat tornar-se como se fosse o primeiro (isto é, pode a resposta já obtida na primeira vez ainda valer para a refeição do segundo Shabat, já que de fato o convidado ainda não comeu com base nela)? Disse Rav Chisda: aqui ensinamos que é proibido ao chaver (aquele que observa rigorosamente as leis de pureza e dízimos) comer numa refeição que não tem nome (isto é, que não corresponde a uma ocasião festiva reconhecida e designada, como a própria protogamia; por isso, ainda que a resposta do anfitrião já tivesse sido dada antes, a refeição do segundo Shabat — que já não é "a primeira" da ocasião festiva — careceria desse nome, e a leniência não se estenderia a ela).
Esta segunda halachá do Perek Dalet traz uma nova Mishná: quem faz seu companheiro jurar que comerá em sua casa, mas este não confia nele quanto aos dízimos, pode comer com ele no primeiro Shabat apenas com base em sua palavra de que o produto está dizimado; mas no segundo Shabat, mesmo sob voto de privação de qualquer benefício, não come até que dizime de fato.
A guemará conecta essa leniência ao Shabat de protogamia já discutido na halachá anterior — permitido, segundo Rabi Yanai ben Rabi Yishmael em nome de Rabi Yochanan, por causa da inimizade, e segundo Rabi Avin, por causa das relações humanas, ao ponto de permitir até tevel — questiona, na voz de Rabi Yirmeya, por que a exigência da declaração permaneceria se a base fosse apenas relações humanas, e discute, por fim, se o segundo Shabat pode equivaler ao primeiro quando o convidado não compareceu na primeira vez, com a resposta de Rav Chisda sobre a refeição "sem nome".