Esta halachá abre uma nova Mishná, que desloca o eixo temático para a venda de demai por diferentes tipos de comerciantes. A Mishná ensina que os sábios só obrigaram os nachtomim (padeiros) a separar a teruma do dízimo e a challá (mas não o restante dos dízimos); os chenvanim (comerciantes de loja, que vendem em pequenas quantidades) não podem vender demai; e todos os que medem em medida grossa — como os atacadistas e os vendedores de grãos — podem vendê-lo. A guemará abre confrontando esta Mishná com outra, de Massechet Maasserot, que atribui ao comprador (e não ao padeiro) a separação do dízimo, e traz a disputa entre Rabi Elazar e Rabi Yochanan sobre se a distinção entre as duas fontes é uma questão de pureza versus impureza ou de medida fina versus medida grossa, com dificuldades levantadas contra ambas as posições. Em seguida, identifica a opinião dos colegas em nome de Rabi Elazar com a de Rabi Meir, que só permitiu vender demai ao atacadista, distingue vender na loja de vender no mercado de grãos ou junto a ele, e fecha com a posição de Rabi Yochanan de que quem lucra na venda é quem separa o dízimo, incluindo as opiniões de Rabi Nechemia e de Rabi Yishmael filho de Rabi Yochanan ben Beroka, e o cálculo de lucro de Rabi Ze'ira.
Mishná: Os nachtomim (padeiros que compram trigo demai e o transformam em pão para vender) — os sábios não os obrigaram a separar o dízimo do produto que compram para revender senão apenas o suficiente para teruma do dízimo (a pequena porção que o levita, ao receber o dízimo, deveria por sua vez separar para o sacerdote — aqui separada de antemão pelo padeiro, por precaução) e challá (a porção separada da massa antes de assá-la) (mas não os demais dízimos, que ficam a cargo de quem consome o pão). Os chenvanim (comerciantes de loja, que vendem a retalho, em pequenas quantidades) não têm permissão para vender o demai (pois, vendendo a muitos consumidores em pequenas porções, seria impraticável que cada comprador separasse corretamente o dízimo de sua porção, e o comerciante não pode ser encarregado de fazê-lo por todos). E todos os que vendem inclinados para a medida grossa (isto é, que costumam vender em grandes quantidades) têm permissão para vender o demai. E estes são os que vendem inclinados para a medida grossa: como os sitonot (atacadistas) e os vendedores de cereais.
Halachá: Ali (em Massechet Maasserot) aprendemos: "aquele que compra pão do padeiro, como ele dizima?" (a Mishná de Maasserot pressupõe que é o comprador quem separa o dízimo do pão adquirido). Aqui (nesta Mishná de Demai) tu dizes que é o comprador quem separa o restante do dízimo, e ali (na mesma Mishná de Demai, quanto à teruma do dízimo e à challá) tu dizes que é o padeiro quem separa (há, portanto, uma aparente inconsistência dentro da própria Mishná e entre ela e a de Maasserot, que a guemará busca explicar).
Rabi Yona disse: Rabi Elazar e Rabi Yochanan discordam sobre como resolver essa inconsistência. Um disse: aqui (onde o padeiro separa) trata-se de quando ele trabalha em pureza, e aqui (onde o comprador separa) trata-se de quando ele (o padeiro) trabalha em impureza (se o padeiro mantém pureza ritual, ele mesmo pode e deve separar teruma do dízimo, pois esta exige pureza; se trabalha em impureza, não pode separá-la, e cabe ao comprador fazê-lo depois). E o outro disse: aqui trata-se de quando vende por medida fina, e aqui trata-se de quando vende por medida grossa (se vende em pequenas porções, o padeiro separa de antemão a teruma do dízimo e a challá; se vende em grandes quantidades, o comprador separa tudo). E não sabemos quem disse isto e quem disse aquilo. A partir do que disse Rabi Yochanan, "por causa das purezas" (frase que a guemará adiante atribui a ele como fundamento), conclui-se que é Rabi Elazar quem disse "aqui em medida fina e aqui em medida grossa". E há uma dificuldade contra Rabi Yochanan: se se trata de quando ele trabalha em pureza, que separe o dízimo sobre tudo (inclusive o restante, já que está apto por estar puro) — por lógica, deveria ser que ele não separasse nada (pois, sendo o padeiro presumidamente um am ha'aretz quanto a dízimos, ainda que trabalhe em pureza ritual), uma vez que não se confia com certeza (a separação plena do dízimo) ao am ha'aretz. E há uma dificuldade contra Rabi Elazar: se se trata de vender por medida fina, que separe o dízimo sobre tudo (já que a Mishná mesma ensina em seguida): "os comerciantes de loja não têm permissão para vender demai" (o que sugere que mesmo em medida fina a venda de demai só é permitida ao padeiro de modo limitado, e não plenamente).
Os colegas (chaverayya) disseram em nome de Rabi Elazar: é a posição de Rabi Meir, pois Rabi Meir disse: não permitiram vender demai senão apenas ao sitón (atacadista) (isto é, a venda de demai em medida grossa é restrita unicamente ao atacadista, e a ninguém mais). Objetou Rabi Yossei: mas eis que a baraita discorda disso: "estes são os que vendem inclinados para a medida grossa: como os atacadistas e os vendedores de cereais" (a própria Mishná menciona uma segunda categoria, os vendedores de cereais, além do atacadista — logo, há outros além do sitón). Eis que há outros (além do atacadista propriamente dito, o que contradiz a suposta restrição de Rabi Meir).
Disse Rabi Yossei: não foi sobre isso que Rabi Elazar (aqui chamado Rabi Elazar, e acima Rabi Lazar — o mesmo sábio) disse aquilo, mas sim sobre isto: pois foi ensinado: "em que caso se disse isso (que o vendedor em medida grossa pode vender demai)? Quando ele estivesse vendendo em sua loja ou à porta de sua loja. Mas se estivesse vendendo no platér (o mercado público de grãos, praça aberta de venda a granel) ou em sua loja que fica próxima ao platér, ele dizima sobre tudo, separando o dízimo completo" (a distinção de Rabi Elazar não é entre atacadista e outros vendedores, mas entre o local de venda — na loja fechada, o comprador ainda deve dizimar; no mercado aberto de grãos, ou junto a ele, o próprio vendedor já separa tudo).
Repetindo a tradição anterior: os colegas disseram em nome de Rabi Elazar: é a posição de Rabi Meir, pois Rabi Meir disse: não permitiram vender demai senão apenas ao atacadista. Qual Rabi Meir (a que ensinamento se refere)? Aquele que aprendemos logo depois dele, na Mishná: "Rabi Meir diz: aquilo que costuma ser medido em medida grossa, e alguém o mediu em medida fina, a medida fina é acessória à medida grossa (segue-se a regra do modo costumeiro de venda daquele produto, e não da medida efetivamente usada naquela transação específica)." Ensinou Rabi Chiya da mesma forma: "aquilo que costuma ser medido em grosso, e foi medido em fino, a medida fina é acessória à grossa." E do mesmo modo, vender no platér é como medida fina (no sentido de exigir dízimo pleno), e vender na loja é como medida grossa (no sentido de permitir a venda de demai) — a grossa é acessória à fina (isto é, quando a loja de fato fica junto ao platér, prevalece a regra do platér, mais rigorosa).
Os colegas disseram em nome de Rabi Yochanan: o padeiro separa teruma do dízimo e challá por causa das crianças, para que não comam tevel (produto do qual nenhum dízimo foi ainda separado — proibição mais grave do que a do demai, e as crianças, comendo pão fresco assim que sai do forno, poderiam ingeri-lo antes que o comprador tivesse a chance de separar qualquer coisa; por isso ao menos a teruma do dízimo e a challá, que exigem pureza e cujo tempo de separação é mais urgente, ficam a cargo do próprio padeiro).
Rabi La disse em nome de Rabi Yochanan: na venda por medida fina, uma vez que é o vendedor quem lucra (pois vender a retalho rende mais por unidade), é o vendedor quem separa o dízimo; na venda por medida grossa, uma vez que é o comprador quem lucra (pois compra a granel por preço mais baixo), é o comprador quem separa. Uma Mishná apoia este lado, e uma Mishná apoia aquele lado. Uma Mishná apoia os colegas (que distinguiram apenas entre medida fina e medida grossa, sem falar de lucro): Rabi Nechemia disse: aquilo que é acessório à medida fina segue a regra da fina, e aquilo que é acessório à medida grossa segue a regra da grossa (critério puramente de medida, sem menção a quem lucra). Uma Mishná apoia Rabi La: ensinou Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka: se o vendedor mediu para ele o produto em medida fina, o comprador é obrigado a dizimar; mesmo que não tenha medido para ele senão uma seá e um quarto (uma medida grande, mas usando o recipiente de medida fina, por exemplo por não ter à mão o recipiente grosso), é preciso dizimar aquele quarto (o comprador separa o dízimo desse quarto medido em fino, mostrando que o critério depende de quem efetivamente lucrou com aquela medida, e não apenas do tipo de recipiente).
Disse Rabi Ze'ira: o cálculo do lucro é o que decide entre eles (entre vendedor e comprador, conforme a posição de Rabi La): se o vendedor mediu para ele uma seá inteira tratando-a como se fossem vários quartos (vendendo por atacado, mas cobrando o preço unitário mais alto de quem vende a retalho em pequenas porções), uma vez que é o vendedor quem lucra (nesse arranjo), é o vendedor quem separa; se o vendedor vendeu para ele vários quartos tratando-os como se fossem uma seá (cobrando o preço baixo de atacado por uma venda que, na prática, foi feita em pequenas porções), uma vez que é o comprador quem lucra (nesse arranjo), é o comprador quem separa.
Esta quarta halachá do Perek Bet de Massechet Demai abre uma nova Mishná sobre a venda de demai por diferentes tipos de comerciantes: os sábios só obrigaram os nachtomim (padeiros) a separar teruma do dízimo e challá; os chenvanim (comerciantes de loja) não podem vender demai; e os que vendem em medida grossa, como atacadistas e vendedores de cereais, podem vendê-lo.
A guemará confronta essa Mishná com a de Massechet Maasserot, que atribui ao comprador a separação do dízimo do pão, e traz a disputa entre Rabi Elazar e Rabi Yochanan sobre se a razão é pureza versus impureza do padeiro ou medida fina versus medida grossa, com dificuldades contra ambas as posições. Identifica a opinião atribuída a Rabi Elazar com a de Rabi Meir, que restringiu a venda de demai ao atacadista, distingue vender na loja de vender no mercado aberto de grãos (platér), e traz a explicação de Rabi Yochanan de que a separação pelo padeiro se deve ao risco de as crianças comerem tevel.
Fecha com a posição de Rabi La em nome de Rabi Yochanan, de que quem lucra na venda é quem separa o dízimo — apoiada por uma Mishná (a de Rabi Yishmael filho de Rabi Yochanan ben Beroka), enquanto a posição dos colegas, de critério puramente de medida, é apoiada por outra (a de Rabi Nechemia) — e com o cálculo prático de lucro proposto por Rabi Ze'ira para decidir, em cada caso concreto, se é o vendedor ou o comprador quem separa.