A Mishná ensina que quem está montado num burro deve descer para rezar, e se não pode descer, deve virar o rosto; e se não pode nem virar o rosto, deve dirigir seu coração para o Santo dos Santos — o mesmo valendo para quem viaja num navio ou numa jangada. A halachá abre discutindo o caso de quem tem alguém para segurar seu burro, a opinião de Rabi de que é sempre melhor rezar no próprio lugar, para que o coração fique tranquilo, e a regra de que nunca se interrompe alguém que reza virado para qualquer direção, exceto para o leste. Segue com uma extensa sequência de midrashim halúchicos que traçam a direção da oração em círculos concêntricos — de fora da Terra de Israel para a Terra, da Terra para Jerusalém, de Jerusalém para o Monte do Templo, do Monte do Templo para o Santo dos Santos —, de modo que todo o povo de Israel, esteja onde estiver, acaba orando na direção de um único ponto. Discute o caso do cego e de quem não sabe se orientar, o Templo como o lugar aonde "todos os rostos se voltam", os dois versículos aparentemente contraditórios sobre a presença de Deus no céu e na terra, a disputa entre Rabi Chiya Rabá e Rabi Shimon ben Chalafta sobre qual Santo dos Santos — o celestial ou o terreno — é o alvo da intenção, os midrashim sobre os nomes do Monte Moriá, da Arca e do Santuário, e fecha com a explicação lexicográfica da palavra aramaica para "jangada", ligando-a ao versículo sobre as toras de cedro trazidas para a construção do Templo.
Se alguém estava montado sobre um burro, deve descer para rezar; e se não pode descer, deve virar o rosto na direção de Jerusalém; e se não pode virar o rosto, deve dirigir seu coração para o Santo dos Santos. Se estava montado num navio ou numa jangada, deve dirigir seu coração para o Santo dos Santos.
Foi ensinado: se alguém estava montado sobre o burro, se tem quem segure seu burro, desce e reza embaixo, no chão; e se não tem, reza em seu próprio lugar. Rabi diz: seja de um jeito, seja de outro, reza em seu próprio lugar, pois assim seu coração fica tranquilo. Rabi Yudá ben Pazi, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: a lei segue Rabi.
Rabi Yaacov bar Acha disse: foi ensinado ali (na Babilônia): em todas as direções não se faz a pessoa voltar atrás quando já começou a rezar, exceto na direção leste. Rabi Yossei bar Avun disse: isto porque, no princípio, os ímpios tinham as costas voltadas para o Templo do Eterno e o rosto para o oriente, e eles se prostravam para o oriente, diante do sol (Ezequiel 8:16).
Foi ensinado: o cego e quem não consegue determinar as direções devem dirigir sua intenção para cima, na direção do céu, como está dito (1 Reis 8:44): "e orarem ao Eterno". Os que estão de pé e rezam fora da Terra de Israel voltam o rosto na direção da Terra de Israel. E qual é a razão? (1 Reis 8:48): "e orarem a ti na direção de sua terra, que deste a seus pais". Os que estão de pé e rezam na Terra de Israel voltam o rosto na direção de Jerusalém. E qual é a razão? (2 Crônicas 6:34): "e orarem a ti na direção da cidade que escolheste". Os que estão de pé e rezam em Jerusalém voltam o rosto na direção do Monte do Templo, como está dito (1 Reis 8:48): "e a casa que edifiquei a teu Nome". Os que estão de pé e rezam no Monte do Templo voltam o rosto na direção do Santo dos Santos. E qual é a razão? (1 Reis 8:30): "e orarem a este lugar, e tu ouvirás desde o lugar de tua habitação, desde os céus, e ouvirás e perdoarás". Resulta que os que estão ao norte têm o rosto voltado ao sul; os que estão ao sul têm o rosto voltado ao norte; os que estão a leste têm o rosto voltado a oeste; os que estão a oeste têm o rosto voltado a leste. Resulta que todo Israel reza na direção de um único lugar. Isto é o que está escrito (Isaías 56:7): "pois minha casa será chamada casa de oração para todos os povos".
Rabi Yehoshua ben Levi disse: (1 Reis 6:17) "isto é o Templo, lifnai" — que se entende como "dentro" — um Templo para o qual todos os rostos se voltam. Isto vale até agora, enquanto ele está de pé, construído; em sua destruição, de onde se aprende que ainda se deve orar em sua direção? Rabi Avun disse: (Cântico dos Cânticos 4:4) "edificada para talpiot" — um monte (tel) para o qual todas as bocas (piot) rezam, na bênção, na recitação do Shemá e na Amidá. Na bênção do Birkat HaMazon: "que edifica Jerusalém". Na Amidá: "Deus de David, que edifica Jerusalém". Na recitação do Shemá: "que estende a tenda de paz sobre nós e sobre seu povo Israel, consolador de Sion e edificador de Jerusalém".
Um versículo diz (Oséias 5:15): "irei e voltarei ao meu lugar" (o céu). E outro versículo diz (1 Reis 9:3): "e estarão meus olhos e meu coração ali (no Templo) todos os dias". Como conciliar as duas coisas? O rosto voltado para cima, e os olhos e o coração voltados para baixo.
Voltando ao texto da Mishná: "e se não pode, dirige seu coração para o Santo dos Santos". Para qual Santo dos Santos? Rabi Chiya Rabá diz: na direção do Santo dos Santos que está em cima, no céu. Rabi Shimon ben Chalafta disse: na direção do Santo dos Santos que está embaixo, na terra. Rabi Pinchas disse: as duas opiniões não discordam de fato — o Santo dos Santos que está embaixo está alinhado com o Santo dos Santos que está em cima. (Êxodo 15:17): "base para tua habitação" — lido como alinhado com tua habitação.
(2 Crônicas 3:1): "no Monte Moriá" — Rabi Chiya Rabá e Rabi Yanai: um deles disse que dali sai a palavra "instrução" (horaá) para o mundo; e o outro disse que dali sai a palavra "temor" (yirá) para o mundo. "Arca" (aron) — Rabi Chiya Rabá e Rabi Yanai: um deles disse que dali sai a palavra "luz" (orá) para o mundo; e o outro disse que dali sai a palavra "maldição" (arirá) para o mundo. "Santuário" (devir) — Rabi Chiya e Rabi Yanai: um deles disse que dali sai a palavra "fala" (dibbur) para o mundo; e o outro disse que dali saem as "palavras" (dibrot, isto é, os Dez Mandamentos) para o mundo.
A palavra assadá (jangada, mencionada na Mishná) é a mesma coisa que iscadiá, que é a mesma coisa que rafsodot. (2 Crônicas 2:15): "e as traremos a ti em jangadas (rafsodot) até o mar de Jope".
Esta quinta halachá do Perek Dalet comenta a Mishná que trata de quem reza montado num burro, num navio ou numa jangada, estabelecendo uma hierarquia de soluções: descer, virar o rosto, ou apenas dirigir o coração ao Santo dos Santos. A halachá abre esclarecendo o caso intermediário de quem tem alguém para segurar seu animal — e, mesmo assim, segundo Rabi, cuja opinião se tornou lei, é preferível rezar no próprio lugar, montado, para que o coração permaneça tranquilo. Segue a regra de que nunca se interrompe quem já está rezando para corrigir sua direção, exceto quando está voltado para o leste — direção associada, segundo Rabi Yossei bar Avun, à idolatria dos que adoravam o sol de costas para o Templo. O núcleo da halachá é a extensa baraita que traça, em círculos concêntricos, a direção correta da oração: de fora da Terra de Israel para a Terra, da Terra para Jerusalém, de Jerusalém para o Monte do Templo, e do Monte do Templo para o Santo dos Santos — de modo que todo o povo de Israel, em qualquer direção cardeal em que se encontre, acaba orando para um único ponto, cumprindo o versículo de que a casa de Deus é "casa de oração para todos os povos". A isso se soma o midrash de Rabi Yehoshua ben Levi sobre o Templo como o lugar para onde "todos os rostos se voltam", e a explicação de Rabi Avun sobre como se continua a orar em sua direção mesmo depois da destruição, a partir da palavra "talpiot". A halachá resolve a aparente contradição entre os versículos que colocam a presença de Deus ora no céu, ora no Templo — pelo rosto voltado para cima e o coração voltado para baixo —, discute qual Santo dos Santos é o alvo da intenção, celestial ou terreno (conciliados por Rabi Pinchas como estando um em frente ao outro), e encerra com midrashim etimológicos sobre os nomes do Monte Moriá, da Arca e do Santuário, e com uma nota lexicográfica final identificando a palavra aramaica para "jangada" usada na Mishná. O tema desta halachá corresponde, no Talmud Bavli, à sugia de Berachot 30a sobre a oração de quem viaja e a direção da oração, ainda não traduzida nesta biblioteca.