Talmud Bavli · Massechet Eduyot · Perek Zayin
פֶּרֶק שְׁבִיעִי

Mishná de Eduyot, sétimo perek — adaptada à trilha Bavli

9 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Eduyot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1O cordeiro do resgate que morreu
Abertura do Perek Zayin: uma série de testemunhos (edviot) sobre halachot diversas, começando pelo resgate do burro primogênito quando o cordeiro separado para seu resgate morre antes do ato de resgate

Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok sobre o resgate do burro primogênito que morreu, que não há nele nada para o sacerdote — pois Rabi Eliezer diz: são responsáveis por sua garantia, como as cinco selaim do filho. Mas os Sábios dizem: não são responsáveis por sua garantia, senão como o resgate do segundo dízimo.O Perek Zayin abre uma nova série de edviot — testemunhos formais de sábios sobre halachot recebidas ou observadas na prática. O caso: um dono separa um cordeiro para resgatar seu burro primogênito (mandamento de Shemot 13:13), mas o cordeiro morre antes de o resgate se consumar. Rabi Eliezer compara este caso ao resgate do filho primogênito — se o dinheiro separado para o pidyon haben se perde, o pai continua obrigado a pagar as cinco selaim novamente, pois a Torá justapõe explicitamente o resgate do burro ao resgate do filho ("e o burro primogênito resgatarás com um cordeiro... e todo primogênito de teus filhos resgatarás"). Os Sábios comparam o caso, em vez disso, ao resgate do segundo dízimo: se o dinheiro separado para resgatar o segundo dízimo se perde antes de ser usado, o dono não é obrigado a repor, pois aquele dinheiro específico — não uma obrigação genérica — era o objeto do mandamento. Segundo os Sábios, o versículo de Bamidbar 18:15 justapõe o resgate do primogênito humano ao da besta impura apenas quanto ao ato de resgatar, não quanto às consequências de sua perda. A lei segue os Sábios.

הֵעִיד רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְרַבִּי צָדוֹק עַל פִּדְיוֹן פֶּטֶר חֲמוֹר שֶׁמֵּת, שֶׁאֵין בּוֹ לַכֹּהֵן כְּלוּם, שֶׁרַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, חַיָּבִין בְּאַחֲרָיוּתָן כְּחָמֵשׁ סְלָעִים שֶׁל בֵּן. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אֵין חַיָּבִין בְּאַחֲרָיוּתָן אֶלָּא כְפִדְיוֹן שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי:
Mishná 2A salmoura dos gafanhotos impuros
Rabi Tzadok testemunha que a salmoura de gafanhotos impuros é, ela mesma, pura — ampliando o que a "primeira mishná" já havia dito sobre a mistura de gafanhotos

Testemunhou Rabi Tzadok sobre a salmoura de gafanhotos impuros, que ela é pura — pois a primeira mishná: gafanhotos impuros que foram conservados junto com gafanhotos puros não invalidaram sua salmoura.Esta mishná é breve, mas precisa: uma versão mais antiga da mishná ("mishná rishoná") já havia estabelecido que, quando gafanhotos impuros são conservados em salmoura junto com gafanhotos puros, a presença dos impuros não torna a salmoura proibida para consumo com os puros — porque gafanhotos, ao contrário de outros animais, não possuem sangue verdadeiro, apenas um líquido residual sem status de "sangue" que transmita impureza alimentar. Rabi Tzadok vai além dessa formulação: não apenas a salmoura mista permanece permitida, mas a salmoura de gafanhotos impuros sozinha, sem mistura alguma, é pura em si mesma. Esta é uma ampliação (não uma contradição) do ensinamento anterior — o testemunho de Rabi Tzadok esclarece que a razão da permissão não é a diluição pelos gafanhotos puros, mas a natureza mesma do líquido dos gafanhotos, que nunca chega a ter status de sangue capaz de transmitir impureza.

הֵעִיד רַבִּי צָדוֹק עַל צִיר חֲגָבִים טְמֵאִים, שֶׁהוּא טָהוֹר. שֶׁמִּשְׁנָה רִאשׁוֹנָה, חֲגָבִים טְמֵאִים שֶׁנִּכְבְּשׁוּ עִם חֲגָבִים טְהוֹרִים, לֹא פָסְלוּ צִירָן:
Mishná 3As águas correntes que superam as gotejantes
Rabi Tzadok testemunha que águas correntes (zochalin) que superam em quantidade águas gotejantes (notfin) numa mesma mistura assumem o status de correntes — precedente confirmado em Birat HaPilya

Testemunhou Rabi Tzadok sobre as águas correntes que excederam as gotejantes, que são válidas. Houve um caso em Birat HaPilya, e o caso veio perante os Sábios, e eles o validaram.Para a purificação ritual, a Torá distingue dois tipos de água: as "águas correntes" (zochalin), que fluem como um manancial e têm o status mais elevado — servem para preparar as águas de purificação (mei chatat) e para a imersão do zav —, e as "águas gotejantes" (notfin), como água da chuva acumulada, que têm apenas o status de um mikvê comum, sem servir para essas duas finalidades mais estritas. A questão prática: quando as duas se misturam num mesmo curso — parte da água provém de um manancial corrente, parte de chuva acumulada —, qual status prevalece? Rabi Tzadok testemunha que, quando a quantidade de água corrente supera a de água gotejante na mistura, toda a mistura assume o status pleno de águas correntes, servindo inclusive para as finalidades mais estritas. Este princípio foi de fato aplicado num caso concreto em Birat HaPilya, e os Sábios validaram a prática.

הֵעִיד רַבִּי צָדוֹק עַל זוֹחֲלִין שֶׁרַבּוּ עַל הַנּוֹטְפִים, שֶׁהֵם כְּשֵׁרִים. מַעֲשֶׂה הָיָה בְּבִירַת הַפִּלְיָא, וּבָא מַעֲשֶׂה לִפְנֵי חֲכָמִים וְהִכְשִׁירוּהוּ:
Mishná 4As águas canalizadas pela casca da noz
Rabi Tzadok testemunha que águas correntes desviadas por meio da casca externa de uma noz preservam seu status de correntes — precedente confirmado pela Câmara da Pedra Lavrada

Testemunhou Rabi Tzadok sobre as águas correntes que foram canalizadas pela casca da noz, que são válidas. Houve um caso em Aholya, e o caso veio perante a Câmara da Pedra Lavrada, e eles o validaram.Esta mishná trata de outro aspecto técnico das águas correntes (zochalin): normalmente, quando água passa por dentro de um recipiente (kli), perde seu status de água "corrente" ligada diretamente à terra, e passa a ter apenas o status de água coletada. Rabi Tzadok testemunha um caso-limite: quando a casca externa e verde de uma noz é usada como um pequeno canal — a água entra por ela e é despejada para fora, formando uma espécie de calha —, a água que sai continua com o status pleno de águas correntes, porque a casca da noz, apesar de ter uma cavidade que recebe água, não é considerada um "recipiente" (kli) para efeitos halárico — não foi fabricada nem designada para essa função. Este princípio foi testado num caso concreto ocorrido em Aholya, e chegou perante a mais alta autoridade — a Câmara da Pedra Lavrada, sede do Grande Sinédrio —, que o validou.

הֵעִיד רַבִּי צָדוֹק עַל זוֹחֲלִין שֶׁקִּלְּחָן בַּעֲלֵה אֱגוֹז, שֶׁהֵן כְּשֵׁרִים. מַעֲשֶׂה הָיָה בְאָהֳלְיָא, וּבָא מַעֲשֶׂה לִפְנֵי לִשְׁכַּת הַגָּזִית, וְהִכְשִׁירוּהוּ:
Mishná 5O jarro de cinzas e os dois votos de nazireu
Dois testemunhos independentes reunidos numa mesma mishná: o jarro de cinzas da vaca vermelha colocado sobre um réptil torna-se impuro apesar de o próprio jarro não se contaminar; e a regra de contagem para quem fez dois votos de nazireado sucessivos

Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Yakim, homem de Hadar, sobre o jarro da purificação que foi colocado sobre o réptil, que é impuro — enquanto Rabi Eliezer declara puro. Testemunhou Rabi Papias sobre quem fez voto de dois nazireados: que, se rapou o primeiro no dia trinta, rapa o segundo no dia sessenta; e se rapou no dia cinquenta e nove, cumpriu, pois o dia trinta sobe para ele na contagem.O primeiro testemunho envolve um caso sutil da lei da vaca vermelha (para pura pura ritual após contato com cadáveres): um jarro de barro contendo cinzas da vaca vermelha foi colocado sobre um réptil morto — fonte de impureza. A regra geral é que um vaso de barro não se contamina por contato em sua parte externa (apenas por dentro). Assim, o próprio jarro permanece puro. Mas Rabi Yehoshua e Rabi Yakim testemunham que as cinzas dentro do jarro, mesmo assim, tornam-se impuras — porque a Torá exige que as cinzas sejam guardadas "num lugar puro", e um lugar sobre o qual repousa um réptil não é considerado lugar puro, independentemente de o recipiente em si permanecer intocado. Rabi Eliezer discorda, sustentando que, já que o jarro permanece puro, o lugar onde ele está pode ser chamado de "lugar puro". O segundo testemunho, de Rabi Papias, trata da aritmética dos votos de nazireado consecutivos: um nazireado comum dura trinta dias completos, mas se a pessoa rapa a cabeça já no trigésimo dia (em vez de esperar o trigésimo primeiro), esse mesmo dia conta tanto para o fim do primeiro voto quanto para o início do segundo — permitindo que o segundo nazireado se complete já no quinquagésimo nono dia, e não no sexagésimo.

הֵעִיד רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְרַבִּי יָקִים אִישׁ הֲדַר עַל קָלָל שֶׁל חַטָּאת שֶׁנְּתָנוֹ עַל גַּבֵּי הַשֶּׁרֶץ, שֶׁהוּא טָמֵא. שֶׁרַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְטַהֵר. הֵעִיד רַבִּי פַּפְּיַס עַל מִי שֶׁנָּזַר שְׁתֵּי נְזִירוּת, שֶׁאִם גִּלַּח אֶת הָרִאשׁוֹנָה יוֹם שְׁלֹשִׁים, שֶׁמְּגַלֵּחַ הַשְּׁנִיָּה יוֹם שִׁשִּׁים. וְאִם גִלַּח יוֹם שִׁשִּׁים חָסֵר אֶחָד, יָצָא, שֶׁיּוֹם שְׁלֹשִׁים עוֹלֶה לוֹ מִן הַמִּנְיָן:
Mishná 6A cria do sacrifício de paz
Rabi Yehoshua e Rabi Papias testemunham que a cria nascida de um animal já consagrado como sacrifício de paz pode, ela mesma, ser oferecida como sacrifício de paz — com o testemunho pessoal de Rabi Papias sobre um caso vivido

Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Papias sobre a cria de um sacrifício de paz, que se oferece como sacrifício de paz — enquanto Rabi Eliezer diz que a cria de um sacrifício de paz não se oferece como sacrifício de paz. Mas os Sábios dizem: oferece-se. Disse Rabi Papias: eu testemunho que tivemos uma vaca, sacrifício de paz, e a comemos na Páscoa, e comemos sua cria como sacrifício de paz na Festa.Quando um animal já consagrado como sacrifício de paz (shelamim) dá à luz antes de ser oferecido, pergunta-se: qual o status da cria? Rabi Eliezer teme que, se permitirmos oferecer a cria também como sacrifício de paz, isso incentivará os donos a retardarem o sacrifício da mãe propositalmente, esperando que ela procrie repetidas vezes — deixando crescer rebanhos inteiros a partir das crias de um único animal consagrado, o que violaria a proibição de "não demorarás em cumprir teu voto". Por isso, ele decreta que a cria seja trancada e deixada morrer, sem poder ser sacrificada. Rabi Yehoshua, Rabi Papias e os Sábios discordam: a cria pode, sim, ser oferecida como sacrifício de paz. Rabi Papias reforça seu testemunho com um caso pessoal e concreto: sua família teve uma vaca consagrada como sacrifício de paz, que comeram na festa de Pêssach, e a cria dessa mesma vaca eles comeram, como sacrifício de paz legítimo, na festa seguinte (Shavuot) — prova viva de que a prática era aceita e observada.

הֵעִיד רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְרַבִּי פַּפְּיַס עַל וָלָד שֶׁל שְׁלָמִים, שֶׁיִּקְרַב שְׁלָמִים. שֶׁרַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר שֶׁוְּלַד שְׁלָמִים לֹא יִקְרַב שְׁלָמִים. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, יִקְרָב. אָמַר רַבִּי פַּפְּיַס, אֲנִי מֵעִיד שֶׁהָיְתָה לָנוּ פָרָה זִבְחֵי שְׁלָמִים, וַאֲכַלְנוּהָ בַפֶּסַח וְאָכַלְנוּ וְלָדָהּ שְׁלָמִים בֶּחָג:
Mishná 7A intercalação do ano sob condição
Quatro testemunhos consecutivos, dos mesmos sábios: sobre as tábuas dos padeiros; sobre o forno cortado em anéis com areia entre eles — o precedente direto do célebre episódio do Forno de Achnai; sobre a intercalação do ano durante todo o Adar; e sobre a intercalação condicional, ilustrada pelo caso de Rabban Gamliel

Eles testemunharam sobre as tábuas dos padeiros, que são impuras — enquanto Rabi Eliezer declara puras. Eles testemunharam sobre um forno que foi cortado em anéis, com areia colocada entre um anel e outro, que é impuro — enquanto Rabi Eliezer declara puro. Eles testemunharam que se intercala o ano durante todo o mês de Adar — pois diziam: até Purim. Eles testemunharam que se intercala o ano sob condição. E houve um caso com Rabban Gamliel, que foi buscar permissão do governador na Síria e demorou a voltar; e intercalaram o ano sob condição de que Rabban Gamliel quisesse, e quando voltou, disse: eu quero — e o ano se encontrou intercalado.Esta mishná reúne quatro testemunhos dos mesmos dois sábios da mishná anterior. Os dois primeiros opõem novamente a maioria dos sábios a Rabi Eliezer, em disputas sobre a suscetibilidade à impureza: as tábuas planas de madeira usadas pelos padeiros para amassar o pão, e um forno de barro cortado em segmentos (anéis) empilhados com areia entre eles e revestido de argila por fora. Em ambos os casos, a maioria considera o utensílio unificado e, portanto, capaz de receber impureza, enquanto Rabi Eliezer o considera "quebrado" — permanentemente puro. É precisamente esta segunda disputa, sobre o forno seccionado, que a Guemará de Bava Metzia (59a) identifica como a origem histórica do célebre episódio do Tanur shel Achnai — o "Forno de Achnai" —, no qual Rabi Eliezer, isolado em sua posição minoritária, invocou sinais e uma voz celestial para provar que tinha razão, e Rabi Yehoshua respondeu: "não está nos céus" — a Torá já foi dada, e a maioria decide pela votação, não por milagres. Os dois últimos testemunhos tratam da intercalação do calendário: primeiro, que o tribunal pode declarar o ano bissexto (acrescentando um segundo mês de Adar) a qualquer momento durante todo o mês de Adar, e não apenas até Purim, como se pensava antes; segundo, que o tribunal pode intercalar o ano sob condição — e o caso de Rabban Gamliel ilustra isso vividamente: tendo ele viajado à Síria para obter permissão do governador romano e demorado a retornar, o tribunal decretou a intercalação condicionada à vontade do próprio Rabban Gamliel, o Nassi (patriarca), e quando ele finalmente voltou e expressou seu consentimento, a intercalação se confirmou retroativamente. Este relato — a submissão do calendário público à palavra final do Nassi, mesmo à distância — antecipa o tema de autoridade rabínica central e unidade em torno do Beit Din que também marca o famoso episódio de Rabi Yehoshua e Rabban Gamliel sobre a data de Yom Kipur (Rosh HaShaná 2), e ecoa o relato de Akavya ben Mehalalel no Perek Hei deste mesmo tratado: a integridade do calendário e da halachá depende de que os sábios, mesmo discordando, se submetam à decisão coletiva do tribunal e à autoridade do Nassi.

הֵם הֵעִידוּ עַל אֲרוּכוֹת שֶׁל נַחְתּוֹמִים, שֶׁהֵן טְמֵאוֹת. שֶׁרַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְטַהֵר. הֵם הֵעִידוּ עַל תַּנּוּר שֶׁחִתְּכוֹ חֻלְיוֹת וְנָתַן חֹל בֵּין חֻלְיָא לְחֻלְיָא, שֶׁהוּא טָמֵא. שֶׁרַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְטַהֵר. הֵם הֵעִידוּ שֶׁמְּעַבְּרִין אֶת הַשָּׁנָה בְּכָל אֲדָר. שֶׁהָיוּ אוֹמְרִים עַד הַפּוּרִים. הֵם הֵעִידוּ שֶׁמְּעַבְּרִים אֶת הַשָּׁנָה עַל תְּנָאי. וּמַעֲשֶׂה בְרַבָּן גַּמְלִיאֵל שֶׁהָלַךְ לִטֹּל רְשׁוּת מֵהֶגְמוֹן בְּסוּרְיָא וְשָׁהָה לָבֹא, וְעִבְּרוּ אֶת הַשָּׁנָה עַל תְּנַאי לִכְשֶׁיִּרְצֶה רַבָּן גַּמְלִיאֵל, וּכְשֶׁבָּא אָמַר רוֹצֶה אָנִי, וְנִמְצֵאת הַשָּׁנָה מְעֻבָּרֶת:
Mishná 8A borda acrescentada da caldeira
Menachem ben Signai testemunha, invertendo o que se costumava dizer, que a borda de argila acrescentada à caldeira dos que fervem azeitonas recebe impureza, enquanto a dos tintureiros não recebe

Testemunhou Menachem ben Signai sobre o acréscimo da caldeira dos que fervem azeitonas, que é impuro, e o dos tintureiros, que é puro — pois diziam o inverso das coisas.Os que fervem azeitonas e os tintureiros usavam grandes caldeiras às quais acrescentavam uma borda extra de argila em torno da abertura, para conter a água que sobe durante a fervura. A questão é se essa borda acrescentada, por si mesma, é parte funcional do utensílio (e portanto capaz de receber impureza, como o resto da caldeira) ou é um mero acréscimo decorativo ou incidental (e portanto isento). Menachem ben Signai testemunha uma distinção prática entre os dois ofícios: para os que fervem azeitonas, essa borda é de fato necessária e usada continuamente no processo, tornando-se parte funcional do utensílio — e por isso suscetível à impureza, conforme o princípio de que só recebe impureza aquilo que o utensílio precisa "para vós" (isto é, para uso funcional). Já os tintureiros não usam essa borda da mesma forma, pois temem que a água que sobe por ali estrague a cor do tingimento — de modo que, para eles, a borda permanece um acréscimo não funcional, e portanto pura. Este testemunho inverte o que antes se pensava — pois diziam justamente o oposto: que a borda dos tintureiros era impura e a dos que fervem azeitonas, pura.

הֵעִיד מְנַחֵם בֶּן סִגְנַאי עַל מוּסַף הַיּוֹרָה שֶׁל שׁוֹלְקֵי זֵיתִים שֶׁהוּא טָמֵא, וְשֶׁל צַבָּעִים שֶׁהוּא טָהוֹר. שֶׁהָיוּ אוֹמְרִים חִלּוּף הַדְּבָרִים:
Mishná 9Os quatro testemunhos de Rabi Nechunia ben Gudgeda
Encerramento do Perek Zayin: quatro testemunhos independentes de Rabi Nechunia ben Gudgeda, todos marcados por uma preocupação social e prática — facilitar a vida de mulheres vulneráveis, favorecer o arrependimento de quem roubou, e preservar o funcionamento do altar

Testemunhou Rabi Nechunia ben Gudgeda sobre a surda-muda que seu pai deu em casamento, que ela sai com um documento de divórcio; e sobre a menor, filha de Israel, que se casou com um sacerdote, que ela come da teruma, e se morrer, seu marido a herda; e sobre a viga roubada que foi construída num edifício, que se paga seu valor; e sobre o sacrifício expiatório roubado que não se tornou conhecido do público, que ele expia — por causa da reparação do altar.O Perek Zayin se encerra com quatro testemunhos distintos de um único sábio, Rabi Nechunia ben Gudgeda, unidos por um fio comum: em cada caso, a halachá opta por uma solução prática e branda, em vez de uma solução rigorosa que causaria dano desproporcional. Primeiro: uma mulher surda-muda, cujo casamento foi contraído por seu pai quando ela era menor — um casamento plenamente válido pela Torá —, pode ser divorciada com um documento de divórcio comum mesmo depois de adulta e ainda surda-muda, apesar de lhe faltar o discernimento pleno normalmente exigido para receber um get, porque uma mulher pode ser divorciada contra sua vontade, não sendo necessário seu consentimento consciente. Segundo: uma menina órfã, filha de israelita comum, cujo casamento com um sacerdote foi instituído apenas por decreto rabínico (não bíblico, por ser menor), ainda assim come da teruma sacerdotal — e, se morrer, seu marido a herda como qualquer esposa legítima —, pois os Sábios não estenderam suas próprias restrições a ponto de negar-lhe os privilégios que o mesmo decreto rabínico lhe concede. Terceiro: se alguém rouba uma viga de madeira e a constrói na estrutura de um grande edifício, não é obrigado a demolir toda a construção para devolver a viga original — basta pagar seu valor em dinheiro —, por causa de uma "reparação para os que se arrependem" (takanat hashavim): exigir a demolição desencorajaria o ladrão arrependido de sequer tentar reparar seu erro. Quarto: se um animal roubado foi oferecido como sacrifício expiatório (chatat) sem que o roubo se tornasse conhecido publicamente, o sacrifício ainda assim expia e não precisa ser repetido — por causa da "reparação do altar" (tikkun hamizbeach): pois, se cada sacerdote tivesse que temer retroativamente que a carne que comeu era de origem roubada, os sacerdotes se afastariam do serviço, e o altar ficaria ocioso. Em todos os quatro casos, a preocupação pragmática com a continuidade da vida comunitária — o casamento, a família sacerdotal, o arrependimento do ladrão, o funcionamento do Templo — prevalece sobre a aplicação mais estrita da lei.

הֵעִיד רַבִּי נְחוּנְיָא בֶן גֻּדְגְּדָא עַל הַחֵרֶשֶׁת שֶׁהִשִּׂיאָהּ אָבִיהָ, שֶׁהִיא יוֹצְאָה בְגֵט. וְעַל קְטַנָּה בַת יִשְׂרָאֵל שֶׁנִּשֵּׂאת לְכֹהֵן, שֶׁהִיא אוֹכֶלֶת בַּתְּרוּמָה, וְאִם מֵתָה, בַּעְלָהּ יוֹרְשָׁהּ. וְעַל הַמָּרִישׁ הַגָּזוּל שֶׁבְּנָאוֹ בַבִּירָה, שֶׁיִּתֵּן אֶת דָּמָיו. וְעַל הַחַטָּאת הַגְּזוּלָה שֶׁלֹּא נוֹדְעָה לָרַבִּים, שֶׁהִיא מְכַפֶּרֶת, מִפְּנֵי תִקּוּן הַמִּזְבֵּחַ: