O daf abre completando a frase de Rava deixada em aberto ao final de 50a: ele qualifica a regra de Rav Chisda, esclarecendo que ela vale apenas quando as chaburot originais não se anteciparam a fazer zimun antes de se separarem; se já fizeram zimun em seus lugares, a obrigação de zimun se esvai delas. Rava prova isso a partir da Mishná sobre uma cama impura que foi dividida entre irmãos ou sócios — tornando-se pura — e que, mesmo reconstituída, só volta a receber impureza dali em diante, nunca retroativamente; do mesmo modo, uma vez que a chaburá já fez seu zimun, a obrigação não retorna com a simples reunião. A Guemará então passa à nova Mishná sobre duas chaburot que comem na mesma casa, ensinando que um servo comum às duas pode uni-las para o zimun. Segue-se uma extensa baraita sobre o vinho: antes de receber água, não se abençoa sobre ele "que cria o fruto da videira" mas sim "que cria o fruto da árvore", e serve para lavar as mãos; depois de misturado com água, abençoa-se "fruto da videira" e não serve mais para lavar as mãos — posição de Rabi Eliezer, contra a qual os sábios sustentam que, em ambos os casos, abençoa-se sempre "fruto da videira" e nunca se lava as mãos com ele. Discute-se de que opinião depende o costume de Shmuel de usar pão para todas as necessidades, a exceção dos sábios quanto ao copo da bênção (que exige água por causa da mitzvá na sua forma mais excelente), e para que serve then o vinho ainda puro. Uma baraita expõe quatro regras de respeito ao pão, seguida do episódio de Ameimar, Mar Zutra e Rav Ashi discutindo se é permitido atirar frutas (mas não pão), com a baraita conciliadora de que apenas alimentos que se estragam ao cair não podem ser atirados. O daf encerra com o costume de trazer vinho por canos e atirar grãos tostados e nozes diante do noivo e da noiva (mas não pão fino), e a regra de Rav Yehuda sobre quem esqueceu e pôs comida na boca sem antes abençoar.
— completando a frase de Rava iniciada ao final de 50a — e não (vela) dissemos (amaran) isso senão (ela) quando (de) não (la) se anteciparam (akdimu) estes (hanach) — isto é, os que se separaram de suas chaburot originais e fizeram zimun (azmun) sobre si (alayhu) em seus lugares (beduchtayhu) — isto é, se os que permaneceram em cada chaburá original ainda não haviam completado o zimun antes de os outros saírem, mas (aval) se fizeram zimun (azmun) sobre si (alayhu) em seus lugares (beduchtayhu) — isto é, se os que ficaram já haviam feito seu próprio zimun antes de os demais se retirarem — esvai-se (perach) o zimun (zimun) deles (minayhu) — isto é, a obrigação de zimun já se extinguiu para os que saíram, pois cumpriram sua parte ao serem incluídos no zimun de origem, e não se restabelece pela nova reunião com outros dois.
"E não dissemos isso senão quando não se anteciparam estes" — as chaburot (chaburot) das quais (shepareshu) estes (elu) se separaram (mehen); "e fizeram zimun sobre si" — destes (dehani), por exemplo (kegon), se (im) eram (hayu) quatro (arba) em cada (bechol) chaburá (chaburá) e restou (venishar) em cada uma (bechol achat) o suficiente (kedei) para zimun (zimun), e os que se separaram (haporshim), estes (halalu), precisavam (hayu tzerichim) sair (latzet) para o mercado (lashuk) antes (kodem) que (she) as chaburot (hachaburot) terminassem (gamru) sua refeição (et seudatam). "Mas se fizeram zimun sobre si" — destes (dehani), por exemplo (kegon), que (she) estes (elu) se juntaram (nitztarfu) com eles (imahem) ao zimun (lezimun), como (kedeamar) se disse acima (leeil): chamam-no (korin lo) e fazem zimun (mezamnim) sobre ele (alav), e as chaburot (vebirchu hachaburot) abençoaram — isto é, completaram seu zimun, e estes (veelu) não (lo) estavam (hayu) ali (sham) senão (ela) até (kedei) "abençoemos" e "bendito ele" — isto é, apenas ouviram o início da fórmula, mas ainda não a bênção completa, e agora (veachshav) eles (hem) vêm (baim) para abençoar (levarech), não (lo) fazem zimun (mezamnei) — isto é, entre si, os que saíram, pois (de) se esvaiu (perach) deles (minayhu) a obrigação (chovat) de zimun (zimun), e não (vetu lo) mais (hadar) retorna (aleihen) sobre eles.
Rava conclui sua distinção deixada em aberto ao final de 50a: se os membros remanescentes de uma chaburá já completaram seu próprio zimun antes de os demais saírem, a obrigação de zimun já se cumpriu para todos, e os que se separaram não podem mais formar um novo zimun entre si — mesmo que se juntem depois a outras duas pessoas.
Disse Rava: de onde (mena) o digo (amina lah) — pois (de) ensinamos (tenan): uma cama (mitá) cuja metade (chetzyah) foi roubada (shenignevá), ou (o) cuja metade (chetzyah) se perdeu (sheavdá), ou (o) que irmãos (achin) ou (o) sócios (shutafin) dividiram (shechalucuha) — isto é, uma cama que era impura, por ter tocado algo impuro, e cuja metade foi separada de uma dessas três formas — é pura (tehorá) — isto é, deixa de portar a impureza, pois já não é mais "uma cama" completa. Se a devolveram (hechezirúha) — isto é, se juntaram as duas metades de novo, reconstituindo a cama original — recebe (mekabelet) impureza (tumá) daqui em diante (mikan ulehabá) — isto é, volta a ser suscetível de receber impureza no futuro, mas não retroativamente, como se nunca tivesse sido purificada.
Rava busca uma prova externa para sua regra, recorrendo a uma Mishná de outra área da lei — a de Kelim, sobre impureza de utensílios — que trata de uma cama dividida e depois reconstituída.
Daqui em diante (mikan ulehabá) — sim (in), retroativamente (lemafrea) — não (la) — isto é, a Mishná precisa que a cama reconstituída só volta a ser suscetível de impureza dali em diante, nunca retroagindo à purificação anterior. Eis que (alma), já que (keivan de) a dividiram (paleguha) — esvaiu-se (perach lah) dela (minah) a impureza (tumá) — isto é, uma vez dividida, a cama perdeu completamente seu status anterior de impureza, e essa perda é definitiva, não sendo restaurada pela simples reunificação. Aqui (hacha) também (nami): já que (keivan de) fizeram zimun (azmun) sobre eles (alayhu) — esvaiu-se (perach) o zimun (zimun) deles (minayhu) — isto é, do mesmo modo, uma vez que os que ficaram já completaram seu zimun, essa obrigação já se extinguiu para os que se separaram, e a simples reunião posterior com outras duas pessoas não a restaura.
"Eis que já que a dividiram" — cessou (paka) o nome (shem) de cama (mitá) dela (minah) e o nome (veshem) de impureza (tumá), ainda que (af al gav de) depois (hadar) a reconstituíram (hadruha) e ela seja de novo (vaharei hi) uma cama (mitá), não (lo) retorna (hadra) sua impureza (tumatah) — isto é, mesmo reconstituída fisicamente, o status de impureza anterior não se restaura automaticamente. Aqui (hacha) também (nami): já que (keivan de) cessou (paka) o nome (shem) de três (shlosha) deles (minayhu) ao se separarem (behipardam), e o nome (veshem) de zimun (zimun) por meio de que (al yedei she) os primeiros (harishonim) fizeram zimun (zimnu) sobre eles (aleihem), ainda que (af al gav de) voltem (hadrei) ao conjunto (lichlal) do nome (shem) de três (shlosha), não (lo) voltam (hadrei) ao conjunto (lichlal) de zimun (zimun), mas (aval) quando (ki) não (lo) fizeram zimun (azmun), não (lo) cessa (paka) a obrigação (chovat) de zimun (zimun) deles (mehen), mesmo (af) após (lefi) sua separação (peridatam).
A prova se completa: assim como a cama dividida e reconstituída não retoma sua impureza retroativamente, o trio que se separou depois de já ter feito zimun não retoma a obrigação de zimun apenas por se reunir de novo — mas se ainda não haviam feito zimun, a obrigação persiste mesmo após a separação.
"Duas (shtei) chaburot (chaburot) etc." — isto é, citando o início da nova Mishná, já referida ao final de 50a, sobre duas chaburot que comem na mesma casa. Ensinou-se (tana): se (im) há (yesh) um servo (shamash) entre elas (beineihem) — isto é, um servo que atende a ambas as chaburot — o servo (shamash) as une (metzarfan) — isto é, mesmo que as duas chaburot estejam separadas, por exemplo por uma cortina, a presença de um servo comum a ambas permite que se juntem para um único zimun.
"Se há um servo entre elas" — que (she) serve (meshamesh) a ambas (lishteihen). "O servo as une" — ainda que (af al pi she) estas (elu) não (ein) se vejam (roin) umas às outras (et elu), por exemplo (kegon) uma cortina (yeriá) estendida (perusá) entre elas (beineihem) — isto é, mesmo quando as duas chaburot estão fisicamente separadas por uma divisória e não se enxergam, o fato de compartilharem um mesmo servo é suficiente para uni-las em um zimun conjunto.
A Guemará explica a segunda cláusula da Mishná: quando duas chaburot que comem separadamente na mesma casa compartilham um único servo, esse elo é suficiente para uni-las para o propósito do zimun, ainda que estejam fisicamente separadas por uma divisória.
"Não se abençoa sobre o vinho etc." — isto é, citando a terceira cláusula da nova Mishná, sobre a disputa a respeito de misturar água ao vinho. Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): vinho (yayin) antes (ad shelo) de lhe pôr (natan letocho) água (mayim) — não (ein) se abençoa (mevarchin) sobre ele (alav) "que cria (borei) o fruto (peri) da videira (hagefen)", mas (ela) "que cria (borei) o fruto (peri) da árvore (haetz)" — isto é, enquanto não diluído, o vinho é forte demais para beber e ainda não se transformou plenamente na bebida chamada "vinho", permanecendo, para efeito de bênção, como o fruto original. E lava-se (notlin) dele (mimenu) as mãos (layadayim) — isto é, sendo considerado ainda mera água de frutas, pode ser usado para a lavagem ritual das mãos antes da refeição. Depois (mishe) que lhe pôs (natan letocho) água (mayim) — abençoa-se (mevarchin) sobre ele (alav) "que cria (borei) o fruto (peri) da videira (hagefen)" — isto é, uma vez diluído e tornado próprio para beber, adquire plenamente o status de vinho, e não (veein) se lava (notlin) dele (mimenu) as mãos (layadayim) — isto é, sendo agora vinho propriamente dito, não convém usá-lo para a lavagem das mãos, palavras (divrei) de Rabi Eliezer. E os sábios (vachachamim) dizem (omrim): tanto (bein) assim (kach) como (uvein) assim (kach) — isto é, quer o vinho já tenha recebido água, quer ainda não, abençoa-se (mevarchin) sobre ele (alav) "que cria (borei) o fruto (peri) da videira (hagefen)" e não (veein) se lava (notlin) dele (heimenu) as mãos (layadayim) — isto é, para os sábios, mesmo o vinho ainda não diluído já é considerado vinho pleno para efeito de bênção, e nunca é apropriado para a lavagem das mãos.
"Não se abençoa sobre ele 'que cria o fruto da videira'" — porque (lefi she) o vinho deles (yeinam) era (hayá) muito (meod) forte (chazak) e não (veein) era próprio (raui) para beber (lishtiyá) sem (bela) água (mayim), portanto (hilcach) ainda (achti) não (lo) mudou (ishtani) para melhor (lemaalyuta) e não (velo) se afastou (zaz) de sua bênção (mibirchato) primeira (harishoná), e eis que ele é (vaharei hu) como (keanavim) as uvas (anavim), e sua bênção (uverchato) é "fruto da árvore (peri haetz)". "E lava-se dele as mãos" — pois (de) o nome (shem) de água (mayim) está sobre ele (alav), e se chama (mikrei) apenas (bealma) suco (demei) de frutas (perot). "Depois que lhe pôs água" — o nome (shem) de vinho (yayin) está sobre ele (alav), e não (veein) se lava (notlin) senão (ela) com água (bemayim) — isto é, uma vez tornado vinho pleno, não convém mais usá-lo para a lavagem ritual, que se faz apenas com água.
A Guemará traz a baraita completa sobre a disputa da terceira cláusula da Mishná: para Rabi Eliezer, o vinho puro ainda não é "vinho" para efeito de bênção nem impróprio para lavar as mãos; diluído, inverte-se. Os sábios discordam, considerando o vinho pleno para bênção e impróprio para lavagem em ambos os casos.
Segundo quem (kemán) vai (azla) aquilo (ha) que (de) disse Shmuel: faz (oseh) a pessoa (adam) todas (kol) as suas necessidades (tzerachav) com pão (befat) — isto é, Shmuel ensinou que se pode usar o pão para limpar as mãos ou a mesa, sem receio de desperdício ou desrespeito? Segundo quem (kemán)? Segundo (kerabi) Rabi Eliezer — isto é, a Guemará observa que essa liberdade quanto ao uso do pão só se ajusta à opinião de Rabi Eliezer, que permite usar o vinho puro para lavar as mãos, indicando uma atitude mais permissiva quanto ao uso utilitário de alimentos comuns.
"Segundo Rabi Eliezer" — que (de) disse (amar): lava-se (notlin) dele (heimenu) as mãos (layadayim), e não (velo) se preocupa (chayesh) com a perda (lehefsed) de alimentos (ochlin) — isto é, assim como Rabi Eliezer permite usar vinho puro, um alimento valioso, para a lavagem das mãos sem se preocupar com o desperdício, permite-se também usar pão para outras necessidades práticas.
A Guemará conecta o costume de Shmuel de usar pão para necessidades práticas à posição mais permissiva de Rabi Eliezer, que não se preocupa com o desperdício de alimentos ao permitir o uso utilitário do vinho puro.
Disse Rabi Yossei bar Rabi Chanina: concordam (modim) os sábios (chachamim) com Rabi Eliezer quanto ao copo (bechos) da bênção (shel berachá) — isto é, o copo sobre o qual se recita a Bênção Após as Refeições, que não (sheein) se abençoa (mevarchin) sobre ele (alav) até (ad) que (sheyiten) se lhe ponha (letocho) água (mayim) — isto é, mesmo os sábios, que em geral consideram o vinho puro já pleno para bênção, admitem que, especificamente para o copo da bênção após a refeição, é necessário diluí-lo antes. Qual (mai) é a razão (taama)? Disse Rav Oshaia: precisamos (baeinan) da mitzvá (mitzvá) da melhor forma (min hamuvchar) — isto é, por se tratar de uma mitzvá especialmente importante, requer-se que seja cumprida da forma mais excelente possível, e o vinho diluído era considerado de sabor e qualidade superiores ao vinho puro e forte demais.
Uma exceção importante: mesmo os sábios, que dispensam a diluição do vinho em geral, exigem-na especificamente para o copo da Bênção Após as Refeições, por ser uma mitzvá que deve ser cumprida da melhor forma possível.
E os sábios (verabanan) — isto é, segundo a opinião dos sábios, que consideram o vinho puro já pleno para bênção mesmo sem água, para que (lemai) serve (chazei) o vinho ainda puro, já que não se usa para lavar as mãos nem, na maioria dos casos, precisa de diluição? Disse Rabi Zeira: serve (chazei) para koryatei (kuryatei) — isto é, para uma bebida ou mistura específica, preparada com vinho puro e concentrado, distinta do vinho comum de mesa.
"Para que serve" — para beber (lishtiyá), pois (de) se abençoa (mevarchin) sobre ele (alav) a bênção (birchat) do vinho (hayayin). "Para koryatei" — uma bebida chamada peishon em francês antigo, e na língua (uvilshon) dos sábios (chachamim), anomelin e alunatit — bebidas de vinho misturado com especiarias ou mel, preparadas com vinho ainda concentrado.
Rabi Zeira explica a utilidade prática do vinho ainda não diluído segundo a opinião dos sábios: serve de base para bebidas especiais e concentradas, distintas do vinho comum de mesa.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): quatro (arbaá) coisas (devarim) se disseram (neemru) sobre o pão (befat): não (ein) se põe (manichin) carne (basar) crua (chai) sobre (al) o pão (hapat) — isto é, por respeito ao pão, evita-se colocar sobre ele algo que possa sujá-lo ou desonrá-lo. E não (veein) se passa (maavirin) um copo (cos) cheio (male) sobre (al) o pão (hapat) — isto é, para não correr o risco de derramar líquido sobre ele. E não (veein) se atira (zorkin) o pão (et hapat) — isto é, por desrespeito ao alimento. E não (veein) se apoia (somchin) a tigela (hakeará) com pão (befat) — isto é, não se deve usar um pedaço de pão como calço para equilibrar uma tigela.
"Não se passa um copo cheio sobre o pão" — para que (shelo) não se derrame (yishafech) sobre o pão (al hapat) e seja (utehei) o pão (hapat) desonrado (bezuyá) — isto é, o receio não é apenas de sujar o pão, mas de que, ao ser molhado e descartado por desonra, o alimento seja desperdiçado e desrespeitado.
Uma baraita reúne quatro regras de respeito ao pão, o alimento mais fundamental da refeição: não sujá-lo com carne crua, não arriscar derramar líquido sobre ele, não atirá-lo e não usá-lo como calço para outros utensílios.
Ameimar, Mar Zutra e Rav Ashi reclinaram-se (karchu) para comer pão (riftá) juntos (bahadei hadadei); trouxeram (aytí) diante deles (lekamayhu) tâmaras (tamrei) e romãs (rimonei). Tomou (shekal) Mar Zutra e atirou (petak) diante de (lekameih) Rav Ashi Dastena — um pedaço de carne cozida, apelido ou epíteto de Rav Ashi. Disse-lhe (amar leih): não (la) sustenta (savar lah) o mestre (mar) aquilo (leha) que (de) se ensinou (tanya), que não (ein) se atiram (zorkin) os alimentos (haochlin)? — isto é, Rav Ashi objeta que Mar Zutra violou a regra de não atirar comida. Aquilo (hahi) se ensinou (tanya) sobre o pão (befat) — isto é, Mar Zutra responde que a proibição de atirar se refere apenas ao pão. Mas não (veha) se ensinou (tanya): assim como (keshem she) não (ein) se atira (zorkin) o pão (et hapat), assim (kach) não (ein) se atiram (zorkin) os alimentos (et haochlin)! — isto é, Rav Ashi replica com outra baraita que estende explicitamente a proibição a todos os alimentos Disse-lhe (amar leih): mas não (veha) se ensinou (tanya): ainda que (af al pi she) não (ein) se atire (zorkin) o pão (et hapat), mas (aval) atiram-se (zorkin) os alimentos (et haochlin)! — isto é, Mar Zutra contrapõe uma terceira baraita, que expressamente permite atirar outros alimentos além do pão, aparentando uma contradição entre as fontes.
"Atirou (petak)" — significa atirou (zarak). "Dastena" — aministrisson em francês antigo, uma porção (maná) de carne (basar) cozida (mevushal).
Um episódio concreto ilustra o debate: Mar Zutra atira uma porção de carne diante de Rav Ashi, que o repreende com base na proibição de atirar alimentos; Mar Zutra distingue entre pão e outros alimentos, mas Rav Ashi cita uma baraita que estende a proibição a todos, ao que Mar Zutra responde com outra baraita em sentido contrário — gerando uma contradição entre fontes que a Guemará precisa resolver.
Mas (ela) não (la) é difícil (kashya) — isto é, a Guemará resolve a contradição entre as duas baraitot: esta (ha) — sobre algo (bemidei) que (de) se estraga (mimais) — isto é, a baraita que proíbe atirar refere-se a alimentos que se estragam ou amassam ao serem atirados, esta (ha) — sobre algo (bemidei) que (de) não (la) se estraga (mimais) — isto é, a baraita que permite atirar refere-se a alimentos resistentes, que não se danificam com o impacto.
"Algo que se estraga" — que (she) se amassa (mitmaech) ao ser atirado (bizrikato), por exemplo (kegon) figos (teenim) que (she) amadureceram (bishlu) completamente (kol tzorchan) e amoras (tutim). "Que não se estraga" — romã (rimon) e noz (egoz) e toda (vechol) coisa (davar) dura (kashe).
A contradição se resolve: a proibição de atirar aplica-se apenas a alimentos frágeis que se amassam ao cair, como figos maduros e amoras; frutas duras e resistentes, como romãs e nozes, podem ser atiradas sem receio.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): traz-se (mamshichin) o vinho (yayin) por canos (betzinorot) diante (lifnei) do noivo (chatan) e diante (velifnei) da noiva (kalá) — isto é, como sinal de festa e alegria, faz-se correr vinho por canaletas diante dos noivos, e atiram-se (zorkin) diante deles (lifneihem) grãos tostados (kelayot) e nozes (veegozim) nos dias (bimot) de calor (hachamá), mas (aval) não (lo) nos dias (bimot) de chuva (hageshamim) — isto é, apenas quando as ruas estão secas, para não sujar ou estragar os grãos e nozes na lama. Mas (aval) não (lo) pãezinhos finos (gluskaot), nem (lo) nos dias (bimot) de calor (hachamá) e nem (vela) nos dias (bimot) de chuva (hageshamim) — isto é, pães finos e delicados nunca devem ser atirados, em nenhuma estação, por serem alimento nobre e sujeito a se estragar com facilidade.
"Traz-se o vinho por canos" — por causa (mishum) de bom (tov) presságio (siman), e não há (ein kan) aqui (kan) receio de desonra (bizayon) e perda (vehefsed), pois (lefi she) se recebe (mekablim) ele (oto) na ponta (berosh) da boca (pi) do cano (hatzinor) em um recipiente (bicheli) — isto é, não há desperdício, pois o vinho é coletado num vasilhame na saída do cano. "Nos dias de calor" — pois (she) não há (ein) lama (tit) nos caminhos (badrachim). "Mas não pãezinhos finos" — pois (shehari) mesmo (af) nos dias (bimot) de calor (hachamá) eles (hen) se estragam (nimasin) ao serem atirados (bizrikatan) — isto é, ao contrário de grãos e nozes, os pãezinhos finos se danificam ao cair no chão mesmo em dias secos, e portanto nunca devem ser atirados.
Um costume festivo de casamento: vinho corrente por canos, e grãos tostados e nozes atirados como celebração diante dos noivos em dias secos, mas nunca pão fino, que se estraga facilmente com o impacto da queda.
Disse Rav Yehuda: esqueceu (shachach) e pôs (vehichnis) alimentos (ochlin) dentro (letoch) de sua boca (piv) sem (belo) bênção (berachá) — isto é, alguém colocou comida na boca antes de recitar a bênção devida — remove-os (mesalkan) para um (letzad) lado (echad) e abençoa (umevarech) — isto é, deve deslocar a comida para um lado da boca, sem engoli-la, recitar a bênção, e só então mastigar e engolir.
Rav Yehuda estabelece a regra prática para quem esqueceu de abençoar antes de pôr comida na boca: deve deslocá-la para um lado, sem engolir, recitar a bênção primeiro e só depois consumi-la.
Ensinou-se (tanya) uma (chada): engole-os (bolan) — isto é, uma baraita ensina que se deve simplesmente engolir a comida já colocada na boca, e só depois abençoar; e ensinou-se (tanya) outra (idach): cospe-os (poltan) — isto é, uma segunda baraita ensina que se deve cuspir a comida fora da boca antes de abençoar; e ensinou-se (tanya) outra (idach): remove-os (mesalkan) — isto é, uma terceira baraita ensina a posição intermediária de Rav Yehuda, de apenas deslocar a comida para um lado.
Três baraitot aparentemente contraditórias sobre o mesmo caso: uma manda engolir, outra cuspir, e a terceira apenas deslocar a comida para o lado antes de abençoar — contradição que a Guemará resolve na sequência final do daf.
Não (la) é difícil (kashya) — isto é, a Guemará harmoniza as três baraitot, cada qual referindo-se a um caso diferente. Esta (ha) que (de) ensinou (tanya) "engole-os (bolan)" — sobre líquidos (bemashkin) — isto é, quando se trata de líquidos já na boca, que não podem ser deslocados para um lado nem cuspidos com facilidade, deve-se simplesmente engoli-los antes de abençoar. E esta (veha) que (de) ensinou (tanya) "cospe-os (poltan)" — sobre algo (bemidei) que (de) não (la) se estraga (mimais) — isto é, quando o alimento é de um tipo que não se estraga ao ser cuspido e pode depois ser recolhido e comido de novo após a bênção. E esta (veha) que (de) ensinou (tanya) "remove-os (mesalkan)" — sobre algo (bemidei) que (de) se estraga (mimais) — isto é, quando o alimento se estragaria ao ser cuspido, a solução é apenas deslocá-lo para um lado da boca, sem cuspi-lo, recitando então a bênção antes de mastigá-lo.
"Líquidos" — engole-os (bolan), pois (she) não (i efshar) é possível deslocá-los (lesalkan) para um (leechad) dos lados da boca (milugmav) e abençoar (ulevarech), e nem (velo) cuspi-los (lefoltam), pois (she) os perderia (mafsidan) — isto é, líquidos não podem ser mantidos de lado na boca sem risco de engasgo, e cuspi-los seria desperdiçá-los. "Cospe-os, sobre algo que não se estraga" — no que (bemah) pôs (shenatnu) em sua boca (befiv), e pode (veyachol) voltar (lachazor) e comê-lo (ulochlo) — isto é, tratando-se de um alimento sólido que não se estraga ao contato com a saliva ou ao ser cuspido, pode-se recolhê-lo depois da bênção e comê-lo normalmente.
A contradição entre as três baraitot se resolve com uma tríplice distinção: líquidos devem ser engolidos, por não poderem ser deslocados nem cuspidos sem perda; sólidos que não se estragam podem ser cuspidos e recuperados depois; sólidos que se estragariam ao serem cuspidos devem apenas ser deslocados para o lado da boca. O daf termina aqui, e a Guemará prossegue esse mesmo tema no início de 51a.