Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Vav · Mishná 3 de 8

Quem podia conduzir o bode

מְסָרוֹ לְמִי שֶׁהָיָה מוֹלִיכוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Concluída a confissão, o Cohen Gadol entrega o bode ao homem que o conduzirá ao deserto, e a mishná esclarece que, embora a Torá não exija que esse condutor seja sacerdote, tornou-se costume fixo dos sumos sacerdotes reservar essa função apenas a sacerdotes, com um caso relatado por Rabi Yosei em que um israelita comum a exerceu.

Ele o entregou a quem o conduziria.Depois da confissão, o Cohen Gadol passa o bode das próprias mãos para as mãos do homem designado a levá-lo até o deserto.

Todos são aptos a conduzi-lo, exceto que os sumos sacerdotes fixaram um costume e não permitiam que um israelita o conduzisse.Segundo a lei da Torá, qualquer pessoa — sacerdote ou não — está apta a conduzir o bode ao deserto, já que o versículo fala apenas em "um homem designado", sem exigir linhagem sacerdotal; mas, na prática, os sumos sacerdotes de cada geração estabeleceram o costume de reservar essa tarefa aos sacerdotes, sem permitir que um israelita comum a realizasse.

Disse Rabi Yosei: houve um caso em que Arsela o conduziu, e ele era israelita.Rabi Yosei relata uma exceção histórica conhecida — um homem chamado Arsela, que não era sacerdote mas israelita comum, foi de fato quem conduziu o bode ao deserto — demonstrando que, apesar do costume fixado pelos sumos sacerdotes, a validade da lei da Torá, que permite a qualquer pessoa realizar essa função, nunca deixou de ser reconhecida na prática.

מְסָרוֹ לְמִי שֶׁהָיָה מוֹלִיכוֹ. הַכֹּל כְּשֵׁרִין לְהוֹלִיכוֹ, אֶלָּא שֶׁעָשׂוּ הַכֹּהֲנִים גְּדוֹלִים קֶבַע וְלֹא הָיוּ מַנִּיחִין אֶת יִשְׂרָאֵל לְהוֹלִיכוֹ. אָמַר רַבִּי יוֹסֵי, מַעֲשֶׂה וְהוֹלִיכוֹ עַרְסְלָא, וְיִשְׂרָאֵל הָיָה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikra 16:21
וְשִׁלַּח בְּיַד אִישׁ עִתִּי הַמִּדְבָּרָה.
E o enviará pela mão de um homem designado, ao deserto.

O versículo diz apenas "um homem" — sem qualificá-lo como sacerdote — e é dessa linguagem irrestrita que a tradição recebida deriva que qualquer pessoa é apta a conduzir o bode, incluindo um israelita comum, um estrangeiro (zar) sendo apto para essa função ainda que inapto para os atos do serviço propriamente sacerdotal. O termo "iti" — traduzido aqui como "designado" — é entendido pela Guemará como "pronto", isto é, alguém preparado com antecedência para essa tarefa desde a véspera, o que explica por que, ainda que qualquer pessoa fosse apta em princípio, era necessário que o condutor já estivesse designado e preparado antes do início do dia.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam confirma, a partir da tradição recebida, que a palavra "homem" no versículo inclui expressamente quem não é sacerdote.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 6:3
בָּאָה הַקַּבָּלָה כִּי מַה שֶּׁאָמַר הַשֵּׁם יִתְבָּרֵךְ אִישׁ, לְהַכְשִׁיר אֶת הַזָּר.

Veio a tradição de que aquilo que disse o Eterno, "homem", é para tornar apto o [que não é sacerdote].

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura e Rashi explicam o costume fixado pelos sumos sacerdotes e identificam Arsela como o nome do israelita do caso relatado.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 6:3
אֶלָּא שֶׁעָשׂוּ הַכֹּהֲנִים קֶבַע. לִהְיוֹת מְשַׁלְּחִין אוֹתוֹ, וְלֹא הָיוּ בֵּית דִּין שֶׁל כֹּהֲנִים מַנִּיחִין אֶת יִשְׂרָאֵל לְהוֹלִיכוֹ: עַרְסְלָא. שֵׁם הָאִישׁ.

"Exceto que os sacerdotes fixaram um costume" — de serem eles a enviá-lo, e o tribunal dos sacerdotes não permitia que um israelita o conduzisse. "Arsela" — nome do homem.

Rashi · רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Yoma 66a
אֶלָּא שֶׁעָשׂוּ כֹהֲנִים קֶבַע. שֶׁהִרְגִּילוּ לַעֲשׂוֹת אֶת הַכֹּהֲנִים קֶבַע לִהְיוֹת מוֹלִיכִים אוֹתוֹ, וְלֹא הָיוּ בֵּית דִּין שֶׁל כֹּהֲנִים מַנִּיחִין אֶת יִשְׂרָאֵל לְהוֹלִיכוֹ: עַרְסְלָא. שֵׁם הָאִישׁ.

"Exceto que os sacerdotes fixaram um costume" — habituaram-se a fixar que fossem os sacerdotes a conduzi-lo, e o tribunal dos sacerdotes não permitia que um israelita o fizesse. "Arsela" — nome do homem.