Ele o entregou a quem o conduziria. — Depois da confissão, o Cohen Gadol passa o bode das próprias mãos para as mãos do homem designado a levá-lo até o deserto.
Todos são aptos a conduzi-lo, exceto que os sumos sacerdotes fixaram um costume e não permitiam que um israelita o conduzisse. — Segundo a lei da Torá, qualquer pessoa — sacerdote ou não — está apta a conduzir o bode ao deserto, já que o versículo fala apenas em "um homem designado", sem exigir linhagem sacerdotal; mas, na prática, os sumos sacerdotes de cada geração estabeleceram o costume de reservar essa tarefa aos sacerdotes, sem permitir que um israelita comum a realizasse.
Disse Rabi Yosei: houve um caso em que Arsela o conduziu, e ele era israelita. — Rabi Yosei relata uma exceção histórica conhecida — um homem chamado Arsela, que não era sacerdote mas israelita comum, foi de fato quem conduziu o bode ao deserto — demonstrando que, apesar do costume fixado pelos sumos sacerdotes, a validade da lei da Torá, que permite a qualquer pessoa realizar essa função, nunca deixou de ser reconhecida na prática.
O versículo diz apenas "um homem" — sem qualificá-lo como sacerdote — e é dessa linguagem irrestrita que a tradição recebida deriva que qualquer pessoa é apta a conduzir o bode, incluindo um israelita comum, um estrangeiro (zar) sendo apto para essa função ainda que inapto para os atos do serviço propriamente sacerdotal. O termo "iti" — traduzido aqui como "designado" — é entendido pela Guemará como "pronto", isto é, alguém preparado com antecedência para essa tarefa desde a véspera, o que explica por que, ainda que qualquer pessoa fosse apta em princípio, era necessário que o condutor já estivesse designado e preparado antes do início do dia.
O Rambam confirma, a partir da tradição recebida, que a palavra "homem" no versículo inclui expressamente quem não é sacerdote.
Veio a tradição de que aquilo que disse o Eterno, "homem", é para tornar apto o [que não é sacerdote].
Bartenura e Rashi explicam o costume fixado pelos sumos sacerdotes e identificam Arsela como o nome do israelita do caso relatado.
"Exceto que os sacerdotes fixaram um costume" — de serem eles a enviá-lo, e o tribunal dos sacerdotes não permitia que um israelita o conduzisse. "Arsela" — nome do homem.
"Exceto que os sacerdotes fixaram um costume" — habituaram-se a fixar que fossem os sacerdotes a conduzi-lo, e o tribunal dos sacerdotes não permitia que um israelita o fizesse. "Arsela" — nome do homem.