Quem é mamzer? Todo parentesco que está sob "não virá", segundo as palavras de Rabi Akiva. Shimon HaTeimani diz: todo aquele por quem se é responsável por karet nas mãos do Céu. E a halachá é como suas palavras. Rabi Yehoshua diz: todo aquele por quem se é responsável por morte pelo tribunal. Disse Rabi Shimon ben Azai: encontrei um pergaminho de linhagens em Jerusalém, e estava escrito nele: fulano é mamzer de esposa de outro homem — para confirmar as palavras de Rabi Yehoshua. Sua esposa que morreu, é permitido à irmã dela. A divorciou e ela morreu, é permitido à irmã dela. Ela se casou com outro e morreu, é permitido à irmã dela. Sua yevamá que morreu, é permitido à irmã dela. Fez chalitzá com ela e ela morreu, é permitido à irmã dela. — A mishná traz três definições concorrentes de mamzer. Para Rabi Akiva, consistente com sua posição na mishná anterior, qualquer parentesco proibido por um simples "não virá" — mesmo sem karet — já basta para gerar mamzerut. Shimon HaTeimani discorda e restringe a definição: só gera mamzerut a relação cuja transgressão intencional acarreta karet — mas exclui explicitamente a relação com uma mulher em estado de nidá, que, apesar de ser punida com karet, não gera mamzerut, por uma tradição recebida à parte. É essa a opinião que a própria mishná declara como halachá. Rabi Yehoshua propõe uma definição ainda mais restrita: só gera mamzerut a relação cuja transgressão intencional é punível com pena de morte pelo tribunal terrestre — uma categoria mais estreita que karet. Rabi Shimon ben Azai relata então uma descoberta que apoia a posição de Rabi Yehoshua: um antigo pergaminho de registros genealógicos encontrado em Jerusalém, no qual constava explicitamente que certo homem era mamzer por ser filho de uma relação com esposa de outro homem — um caso de pena de morte pelo tribunal, confirmando que essa categoria específica gera mamzerut. A mishná fecha com cinco casos práticos, todos ilustrando a mesma regra básica: assim que o vínculo com uma mulher termina — por morte dela, por divórcio seguido de morte, por ela se casar com outro e morrer, pela morte da yevamá vinculada a ele, ou pela chalitzá seguida de morte dela —, o homem fica imediatamente permitido a se casar com a irmã dela, pois a proibição de "mulher junto com sua irmã" dura apenas enquanto ambas as irmãs estão ligadas a ele ao mesmo tempo.
É a própria palavra da Torá, "mamzer", que a mishná busca definir com precisão, já que a Escritura não especifica de qual tipo de relação proibida ele nasce. Rashi observa, na Guemará, que o versículo seguinte a este fala da proibição de tomar a esposa do pai — sugerindo, pela proximidade textual, que a categoria de mamzer está ligada especificamente às relações de maior gravidade, puníveis com karet ou com pena capital, e não a qualquer proibição secundária. É exatamente essa conexão textual que a Guemará explora para decidir entre as três opiniões apresentadas na mishná.
Rambam confirma a decisão halachica a favor de Shimon HaTeimani, com a única exceção da nidá, e observa que os cinco casos finais da mishná repetem, de fato, um princípio já conhecido.
Rambam explica que, para Rabi Akiva, o princípio decisivo é simplesmente se a relação impede a entrada do filho na assembleia de Israel — e qualquer relação proibida, mesmo por simples "lo taasê", basta para isso. A halachá, porém, segue Shimon HaTeimani: qualquer relação punível com karet gera mamzerut, com a única exceção explícita da relação com uma mulher em nidá, que, apesar de acarretar karet, não produz um filho mamzer — uma tradição especial recebida à parte da regra geral.
Bartenura confirma a decisão halachica com precisão terminológica; Rashi, na Guemará, no final do tratado Ketubot e aqui, detalha a razão da exceção da nidá e a leitura da prova do pergaminho de Ben Azai — fechando o Perek Dalet.
Rambam observa que os cinco casos finais da mishná, embora formalmente repetidos, servem para ilustrar de ângulos distintos — esposa comum, divorciada, yevamá, chalutzá — o mesmo princípio unificador já conhecido: a proibição de "mulher junto com sua irmã" dura apenas enquanto ambas estão vivas e vinculadas ao mesmo homem simultaneamente.
Bartenura confirma, com precisão, a decisão final: todo filho nascido de uma relação cuja transgressão intencional acarretaria karet é mamzer, com a exceção específica da nidá; já um filho nascido de relação proibida apenas por simples "lo taasê" — como os três casos da mishná anterior segundo os sábios — não é mamzer, decidindo a disputa a favor da posição mais branda vista ali.
Rashi explica que a expressão "todo parentesco em 'não virá'" de Rabi Akiva inclui até proibições sem karet, enquanto "todo aquele por quem se é responsável por karet" exclui explicitamente quem desposa sua própria chalutzá — caso da mishná anterior que não gera mamzerut mesmo segundo Shimon HaTeimani. Quanto à prova de Ben Azai, Rashi esclarece que o pergaminho mencionava um caso de mamzer nascido de esposa de outro homem — uma transgressão punível com pena de morte pelo tribunal —, confirmando precisamente a posição de Rabi Yehoshua, a mais restrita das três. Com esta mishná, fecha-se o Perek Dalet: da validade retroativa da chalitzá e do yibum, passando pela ordem de prioridade entre os irmãos, os direitos de herança, as parentes proibidas, os três meses de espera, até a própria definição do mamzer — um dos temas mais delicados de toda a Massechet Yevamot.