Não se separa teruma por medida, nem por peso, nem por contagem (a teruma deve ser separada por estimativa visual, não calculada com precisão). Mas pode-se tromar aquilo que já foi medido, e o que já foi pesado, e o que já foi contado (desde que a medição tenha sido feita antes, para outro propósito, e não no próprio ato de separar a teruma). Não se separa teruma em cesto ou canastra que sejam de medida padronizada (recipientes com capacidade oficialmente reconhecida, como a seá), mas pode-se tromar neles sua metade ou seu terço (preenchendo parcialmente, de modo que não sirvam como medida exata). Não se deve separar teruma numa seá (medida padrão) preenchida até sua metade, pois sua metade também é uma medida (muitas seot têm uma marca exata indicando a metade, o que tornaria esse preenchimento igualmente uma medição proibida).
Diferentemente do dízimo, cuja proporção (um décimo) é fixada explicitamente pela Torá, a teruma não tem medida bíblica definida — e é justamente dessa ausência de medida que a tradição oral deriva a exigência de que ela seja separada por avaliação (מַחֲשָׁבָה), não por instrumentos de precisão.
Embora este versículo trate literalmente da teruma que o levita separa de seu próprio dízimo (teruma do maasser), a tradição oral estende seu princípio também à teruma gedolá — pelo mesmo raciocínio já aplicado em 1:4 e 1:5: "se o versículo não se refere à teruma do dízimo (cuja proporção — um décimo do dízimo — já está fixada pela Torá, tornando a medição exata necessária ali), aplique-se à teruma grande." A palavra "וְנֶחְשַׁב" ("será considerada"), derivada do radical de "pensar" ou "calcular mentalmente", ensina que a separação da teruma se realiza por avaliação — o doador estima a olho a quantidade adequada, sem recorrer a medida, peso ou contagem precisos. Essa exigência aparentemente contraintuitiva (por que não medir com exatidão?) reflete o caráter da teruma como doação generosa e espontânea, na linha de "cujo coração o incitar" (Shemot 25:2, ver 1:1): assim como a intenção de doar deve vir do coração, também a quantidade doada é fixada pela disposição de espírito do doador, não por cálculo frio.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo sobre a proporção da teruma e o método de sua separação (ainda que a proporção recomendada — um sessenta avos, quarenta avos ou cinquenta avos, conforme a generosidade do doador — seja tratada em outro halachá).
A exigência de separar por estimativa, e não por medição precisa, é registrada pelo Rambam tanto em seu comentário à Mishná quanto refletida na estrutura de Hilchot Terumot, onde a proporção recomendada da teruma (a "boa medida" de um quarentavos, a média de um cinquentavos, ou a "má medida" de um sessentavos) é sempre apresentada como fração aproximada a ser estimada, nunca como quantidade a ser medida com instrumentos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
É proibido separar teruma grande (teruma gedolá) por medida, já que o Texto não menciona nenhuma proporção fixa para ela; mas mede-se a coisa que é obrigada em teruma (o volume total do produto), e separa-se dela por estimativa — apoiaram isto na declaração do Nome: "e será considerada para vós vossa oferta", e disseram: "por pensamento tu separas, e não por outra coisa" (nem por medida, peso ou contagem exatos).
"Não se separa teruma por medida": pois está escrito "e será considerada para vós vossa oferta": por pensamento tu separas (não por medida).
"Não se separa teruma em cesto ou canastra que sejam de medida padronizada": pois quem vê a pessoa fazendo isso diria que ela separa por medida (mesmo que na verdade esteja apenas usando o recipiente por conveniência, a aparência seria de medição proibida). Mas pode-se tromar neles sua metade ou seu terço: pois, como não os enche por completo, não há motivo para o decreto proibitivo.
"Pois sua metade também é uma medida": porque a seá às vezes tem marcas até o ponto de sua metade (indicando exatamente a metade da medida padrão), e há motivo para o decreto, para que não se venha a separar por medida de fato.