Aquele que separa dinheiro para sua chatat e ele se perde, e separou outro dinheiro em seu lugar, e não chegou a comprar com ele uma chatat até que fosse achado o dinheiro primeiro — trará dele e dele uma chatat, e o restante cairá para oferenda voluntária. Aquele que separa dinheiro para sua chatat e ele se perde, e separou uma chatat em seu lugar, e não chegou a oferecê-la até que fosse achado o dinheiro, e eis que a chatat tem defeito — será vendida, e trará dele e dele uma chatat, e o restante cairá para oferenda voluntária. Aquele que separa sua chatat e ela se perde, e separou dinheiro em seu lugar, e não chegou a comprar com ele uma chatat até que fosse achada sua chatat, e eis que ela tem defeito — será vendida, e trará dele e dele uma chatat, e o restante cairá para oferenda voluntária. Aquele que separa sua chatat e ela se perde, e separou outra em seu lugar, e não chegou a oferecê-la até que fosse achada a primeira, e eis que ambas têm defeito — serão vendidas, e trará dele e dele uma chatat, e o restante cairá para oferenda voluntária.
— Diferente da mishná anterior, aqui o item perdido reaparece antes de a substituição se consumar — ou seja, antes que a chatat de reposição chegasse de fato a ser comprada (no caso do dinheiro) ou oferecida (no caso do animal). Como os donos, nesse momento, ainda não obtiveram expiação alguma, nem o item original nem o de reposição podem ser tratados como “sobra depois da expiação” — e por isso a mishná ordena, nos quatro casos (dinheiro-dinheiro, dinheiro-animal, animal-dinheiro, animal-animal, quando ambos os animais envolvidos, ou o único que sobrou como bem, têm defeito), que se traga a chatat a partir de uma mistura de ambas as somas ou dos dois produtos de venda: assim, nenhum dos dois é tratado isoladamente como o “excedente” de uma expiação já realizada por outro meio, e o que sobra dessa mistura, sem mais função, cai para as oferendas voluntárias comunitárias (nedavá).
Aquele que separa sua chatat e ela se perde, e separou outra em seu lugar, e não chegou a oferecê-la até que fosse achada a primeira, e eis que ambas são perfeitas — uma delas será oferecida como chatat, e a segunda morrerá; palavras de Rabi. E os Sábios dizem: não morre chatat alguma a não ser que seja achada depois que os donos se expiaram; e o dinheiro não vai ao Mar Morto a não ser que seja achado depois que os donos se expiaram.
— No último caso, ambos os animais envolvidos — o originalmente perdido e o designado em seu lugar — estão perfeitos, sem qualquer defeito, e por isso não podem simplesmente ser vendidos como nos casos anteriores: um dos dois precisa efetivamente subir ao altar como chatat. Surge então a disputa: Rabi sustenta que, mesmo aqui, o item que fora designado “em lugar do perdido” já é tratado, desde o início, como se ele próprio estivesse perdido — de modo que, quando um dos dois é finalmente oferecido e o outro é achado depois, aplica-se a regra normal de “chatat cujo dono já se expiou”, condenando o segundo a morrer. Os Sábios discordam dessa equivalência: para eles, apenas o item efetivamente perdido pode gerar essa consequência; o item designado em seu lugar nunca foi, ele mesmo, perdido, e por isso nenhum dos dois morre nem é levado ao Mar Morto, a menos que seja encontrado depois que a expiação já tenha de fato ocorrido com o outro. A halachá segue os Sábios.
Rambam explica que todos esses casos partem da mesma premissa: como os donos ainda não obtiveram expiação alguma, é possível que sobre algo depois de trazida a chatat, e essa sobra é destinada a comprar uma oferenda voluntária de elevação (olat nedavá). Justifica a exigência, comum a todos os casos, de trazer a chatat de uma combinação de ambos os itens: se o dono trouxesse a chatat inteiramente do dinheiro ou animal de um só deles, ficaria obrigado a levar o segundo item ao Mar Morto — pois isso significaria que os donos já se expiaram com o primeiro, e o segundo ficaria como sobra pós-expiação, sujeito a uma distinção que se esclarece na halachá seguinte. Por isso, deve-se sempre trazer de ambos, e só então o restante cai para oferenda voluntária. Sobre o quinto caso, Rambam esclarece exatamente onde está o desacordo: não há disputa entre os Sábios e Rabi quanto ao caso em que se oferece a segunda chatat — a que nunca esteve perdida — pois todos concordam que a que esteve perdida, uma vez achada depois, morre. A disputa surge apenas quando se oferece justamente a que estivera perdida: Rabi sustenta que aquele que designa uma chatat “em lugar de uma perdida” já a trata, desde então, como se ela mesma estivesse perdida — de modo que a segunda, quando enfim achada, é como se tivesse sido achada depois da expiação, e por isso morre; os Sábios não aceitam esse raciocínio, pois designar algo em lugar de um item perdido não equivale a esse próprio item estar perdido. A halachá segue os Sábios.
Bartenura explica “trará dele e dele” como uma ordem de misturar ambos os itens juntos: já que se traz de ambos, o resultado não é tratado como uma chatat cujo dono já se expiou com outro; mas se trouxesse apenas de um deles, o outro seria rejeitado, pois equivaleria ao dinheiro de uma chatat cujo dono já se expiou. Explica que o restante cai para oferenda voluntária porque se torna equivalente às demais sobras de chatat, que sempre vão para esse fim. Sobre “e eis que a chatat tem defeito”, nota o contraste implícito: se a chatat estivesse perfeita, seria ela mesma oferecida, e o dinheiro correspondente iria ao Mar Morto, já que os donos já teriam se expiado com outra. Por fim, detalha longamente a disputa do quinto caso: todos concordam que, quando a expiação ocorre com o animal que nunca esteve perdido, o que esteve perdido morre ao ser achado. A disputa é apenas sobre o caso oposto — quando a expiação ocorre justamente com o animal que estivera perdido: Rabi sustenta que designar um substituto “em lugar de um perdido” equivale a tratar esse substituto como se ele mesmo estivesse perdido, de modo que, ao ser achado depois da expiação, também ele morre; os Sábios discordam dessa equivalência — para eles, apenas quando a expiação ocorre com o item não perdido é que o perdido, ao reaparecer, morre; mas se a expiação ocorre com o próprio item perdido, o que sobrou (o substituto, que nunca esteve perdido) não morre, e sim pasta até adquirir defeito. A halachá segue os Sábios.
Rashi confirma que “dele e dele” significa misturar ambos os itens, pois só assim se evita o resultado de tratar um deles como sobra de uma chatat já expiada por outro. Sobre a chatat vendida por ter defeito, Rashi ressalta o contraste: se ela estivesse perfeita, seria ela mesma oferecida, e todo o dinheiro correspondente iria ao Mar Morto — mas frisa que essa formulação segue especificamente a opinião de Rabi. Por fim, sobre a conclusão dos Sábios no último caso, Rashi esclarece que o dinheiro não vai ao Mar Morto mesmo que a expiação já tenha ocorrido com um dos dois montes de dinheiro depois de o outro, o perdido, ter sido achado — contanto que esse achado tenha ocorrido antes da expiação em si.