Seder Moed · Massechet Shekalim · Perek ו׳ · Mishná 1 de 6

Os treze shofarot, as treze mesas e as treze prostrações

שְׁלֹשָׁה עָשָׂר שׁוֹפָרוֹת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abre o Perek Vav enumerando três conjuntos de treze no Templo — shofarot de arrecadação, mesas e locais de prostração — e explica que a casa de Rabban Gamliel e a de Rabi Chananiá, o vice-sumo sacerdote, prostravam-se em um décimo quarto lugar, diante do depósito de lenha, onde a tradição de seus antepassados dizia estar escondida a Arca da Aliança.

Treze shofarot, treze mesas, treze prostrações havia no Templo.Três séries de treze objetos ou práticas, cada uma com sua função própria, estruturavam o funcionamento cotidiano do Templo — as caixas de arrecadação de dinheiro e ofertas, as mesas de serviço, e os pontos fixos onde os que entravam se prostravam em reverência.

A casa de Rabban Gamliel e a casa de Rabi Chananiá, vice-sumo sacerdote, prostravam-se catorze vezes.Essas duas famílias tinham o costume de acrescentar mais uma prostração além das treze praticadas por todos.

E onde era a prostração adicional? Diante do depósito de lenha, pois assim tinham por tradição de seus antepassados que ali a Arca fora escondida.A décima quarta prostração era feita em frente à câmara onde se armazenava a lenha da lenha do altar, porque essas duas famílias guardavam, de geração em geração, a tradição de que ali, sob o piso, a Arca da Aliança havia sido ocultada.

שְׁלֹשָׁה עָשָׂר שׁוֹפָרוֹת, שְׁלֹשָׁה עָשָׂר שֻׁלְחָנוֹת, שְׁלשׁ עֶשְׂרֵה הִשְׁתַּחֲוָיוֹת, הָיוּ בַּמִקְדָּשׁ. שֶׁל בֵּית רַבָּן גַּמְלִיאֵל וְשֶׁל בֵּית רַבִּי חֲנַנְיָא סְגַן הַכֹּהֲנִים הָיוּ מִשְׁתַּחֲוִין אַרְבַּע עֶשְׂרֵה. וְהֵיכָן הָיְתָה יְתֵרָה, כְּנֶגֶד דִּיר הָעֵצִים, שֶׁכֵּן מָסֹרֶת בְּיָדָם מֵאֲבוֹתֵיהֶם שֶׁשָּׁם הָאָרוֹן נִגְנַז:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Divrei HaYamim Bet 35:3
וַיֹּאמֶר לַלְוִיִּם הַמְּבִינִים לְכָל־יִשְׂרָאֵל הַקְּדוֹשִׁים לַיהוָה תְּנוּ אֶת־אֲרוֹן־הַקֹּדֶשׁ בַּבַּיִת אֲשֶׁר בָּנָה שְׁלֹמֹה בֶן־דָּוִיד מֶלֶךְ יִשְׂרָאֵל אֵין־לָכֶם מַשָּׂא בַּכָּתֵף עַתָּה עִבְדוּ אֶת־יְהוָה אֱלֹהֵיכֶם וְאֵת עַמּוֹ יִשְׂרָאֵל׃
E disse aos levitas que instruíam a todo Israel, consagrados ao Senhor: "Ponde a arca sagrada na casa que Salomão, filho de Davi, rei de Israel, edificou; não tereis mais o fardo aos ombros; agora servi ao Senhor, vosso Deus, e a Israel, seu povo."

A tradição registrada pelos tanaítas de que a Arca da Aliança fora escondida sob a câmara do depósito de lenha remonta ao reinado de Yoshiyahu (Josias), o último rei justo antes da destruição do primeiro Templo. Prevendo a ruína iminente, o rei ordenou aos levitas que devolvessem a Arca ao seu lugar original no santuário construído por Shlomo — e, segundo a tradição recebida pela casa de Rabban Gamliel e pela casa de Rabi Chananiá, ela foi então ocultada nos túneis subterrâneos que o próprio Shlomo mandara construir, prevendo desde a edificação do Templo que este um dia seria destruído. É por essa memória guardada de geração em geração que essas duas famílias sacerdotais mantinham o costume de prostrar-se também naquele ponto específico, reconhecendo o lugar sagrado onde o mais sagrado dos objetos permanecia escondido.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura · Shekalim 6:1
שְׁלֹשָׁה עָשָׂר שׁוֹפָרוֹת. תֵּבוֹת צָרוֹת מִלְּמַעְלָה וּרְחָבוֹת מִלְּמַטָּה עֲקֻמּוֹת כְּעֵין שׁוֹפָר, מִפְּנֵי הָרַמָּאִים שֶׁלֹּא יוּכְלוּ לְהַכְנִיס יָדָן לְתוֹכָן לְהַרְאוֹת עַצְמָן כְּאִלּוּ נוֹתְנִין לְתוֹכָן, וְנוֹטְלִין מִתּוֹכָן:

"Treze shofarot" — caixas estreitas em cima e largas embaixo, curvas como um shofar, por causa dos trapaceiros, para que não pudessem enfiar a mão dentro delas fingindo depositar, enquanto na verdade retiravam.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Shekalim 6:1
שְׁלֹשָׁה עָשָׂר שׁוֹפָרוֹת כוּ': כְּבָר אָמַרְנוּ כִּי שׁוֹפָרוֹת הֵם הַתֵּבוֹת שֶׁמַּכְנִיסִין בָּהֶם הַמָּעוֹת כְּשֶׁלּוֹקְחִין אוֹתָם, וְעוֹד יִתְבָּאֵר בָּזֶה הַפֶּרֶק מָה הָיָה בְּכָל תֵּבָה וְתֵבָה מֵהֶם, וְקָרְאוּ אוֹתָן שׁוֹפָרוֹת לְפִי שֶׁהָיוּ בְּצוּרַת שׁוֹפָר, עֲגֻלּוֹת עֲקֻמּוֹת, רְחָבוֹת מִלְּמַטָּה צָרוֹת מִלְּמַעְלָה, כָּל מַה שֶּׁהָיוּ עוֹלוֹת לְמַעְלָה הָיוּ נִקְצָרוֹת, כְּדֵי שֶׁלֹּא יוּכַל אָדָם לְהוֹצִיא מִשָּׁם מָעוֹת אֶלָּא בְּקֹשִׁי אַחַר שֶׁמְּהַפְּכִין אוֹתָן עַל פְּנֵיהֶן:

"Treze shofarot etc.": já dissemos que "shofarot" são as caixas onde se depositava o dinheiro quando o recolhiam, e ainda se explicará neste capítulo o que havia em cada caixa; e as chamaram "shofarot" porque tinham a forma de um shofar, redondas e curvas, largas embaixo e estreitas em cima — quanto mais subiam, mais se estreitavam — para que ninguém pudesse retirar dinheiro de lá senão com dificuldade, depois de virá-las de cabeça para baixo.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Shekalim 6:1
כְּנֶגֶד דִּיר הָעֵצִים. לִשְׁכָּה שֶׁשָּׁם הָיוּ אוֹצְרִים כָּל עֲצֵי הַמַּעֲרָכָה, וְהִיא הָיְתָה בְּמִקְצוֹעַ מִזְרָחִית צְפוֹנִית שֶׁל עֶזְרַת נָשִׁים: שֶׁשָּׁם הָאָרוֹן נִגְנַז. שֶׁיֹּאשִׁיָּהוּ הַמֶּלֶךְ צִוָּה וּגְנָזוּהוּ לְמַטָּה בְּמַטְמוֹנִיּוֹת עֲקֻמּוֹת וַעֲקַלְקַלּוֹת שֶׁבָּנָה שְׁלֹמֹה בִּזְמַן שֶׁבָּנָה אֶת הַבַּיִת וְיָדַע שֶׁסּוֹפוֹ לֵחָרֵב. וְעִמּוֹ נִגְנַז מַטֵּה אַהֲרֹן, וְצִנְצֶנֶת הַמָּן, וּצְלוֹחִית שֶׁל שֶׁמֶן הַמִּשְׁחָה:

"Diante do depósito de lenha" — a câmara onde se armazenava toda a lenha da lenha do altar, situada no canto nordeste do átrio das mulheres.

"Que ali a Arca fora escondida" — pois o rei Yoshiyahu ordenou que a escondessem embaixo, em túneis curvos e sinuosos que Shlomo construíra ao edificar o Templo, já sabendo que ele um dia seria destruído. E com ela foram escondidos também o cajado de Aharon, o pote do maná e o frasco do óleo da unção.

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli — este tratado só tem Guemará no Talmud Yerushalmi, restando no Bavli apenas a Mishná e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.