Todas as tampas de utensílios que têm alça — uma protuberância ou saliência que serve de pega, permitindo levantar a tampa com facilidade — se movem no Shabat — regra geral que abre a última mishná do capítulo, retomando o tema de tampas já tratado com a tampa da janela — disse Rabi Yossi: em que caso se aplica isto? — Rabi Yossi vem restringir a regra anterior, explicando que ela não se aplica universalmente — na tampa do chão — como a tampa de um poço ou de uma cova cavada na terra, que é considerada parte do próprio chão e por isso exige alça para poder ser movida — mas na tampa dos utensílios, de qualquer modo se movem no Shabat — a tampa de um utensílio comum, como uma panela ou um barril, move-se no Shabat mesmo sem ter alça, pois, sendo parte de um utensílio já qualificado para ser movido, herda esse mesmo estatuto independentemente de ter ou não uma pega própria; a distinção de Rabi Yossi é aceita como halachá.
A mishná final distingue entre a tampa de um objeto fixo ao chão — que, por se assemelhar ao próprio chão, exige uma alça explícita para ser movida — e a tampa de um utensílio móvel, que se move de qualquer modo, com ou sem alça, por já compartilhar o estatuto de utensílio do objeto que cobre.
Por que a tampa do chão precisa de alça. A Guemará (Shabat 126b) explica que o critério de Rabi Yossi decorre do princípio de que "tudo que está fixado ao chão é como o próprio chão" (chibur karka le-karka). A tampa de um poço ou cova, estando diretamente conectada ao terreno, corre o risco de ser tratada como parte do solo — e mover terra ou pedra do chão é, em geral, proibido no Shabat. Somente quando a tampa tem uma alça explícita, sinalizando claramente que se trata de um utensílio de uso e não de uma parte permanente do terreno, é que se permite movê-la. Já a tampa de um utensílio comum jamais se confunde com o chão, e por isso não precisa dessa distinção.
Como o Rambam codifica a lei das tampas de utensílios e do chão, seguindo a distinção de Rabi Yossi, em Hilchot Shabat, capítulo vinte e cinco.
Os comentadores explicam a distinção de Rabi Yossi entre tampa de coisa fixada ao chão e tampa de utensílio móvel, e confirmam que a halachá segue essa distinção.
"Todas as tampas de utensílios que têm alça se movem no Shabat etc." — não há disputa entre eles quanto a que as tampas de utensílios se movem, tenham ou não tenham alça; e as tampas de coisas fixadas ao chão não se movem, a menos que tenham alça.
Mas a disputa é sobre utensílios fixados ao chão: Rabi Yossi entende que não há diferença entre fixados e não fixados — movem-se suas tampas mesmo sem alça; e os Sábios entendem que são como o chão. E a halachá segue os Sábios, e este é o princípio verdadeiro: tudo que está fixado ao chão é como o próprio chão.
"Em que caso se aplica isto, na tampa do chão" — na Guemará se diz que, quanto à tampa de utensílios, todos concordam que é permitida, mesmo sem alça; e, quanto às tampas de coisas fixadas ao chão, como a tampa de um poço ou cisterna, todos concordam que é proibida, se não tem alça.
A disputa é sobre tampas de utensílios que estão fixados ao chão: um sábio entende que se assemelham ao chão, e o outro entende que não se assemelham ao chão. E a halachá segue os Sábios, que o que está fixado ao chão é como o próprio chão.
"Todas as tampas de utensílios que têm alça" — como uma pega para segurá-la.
"Se movem no Shabat" — e mesmo sem alça, quando se trata dos próprios utensílios.
"Tampa do chão" — como a tampa de um poço.
"O que está fixado ao chão é como o próprio chão" — e não se move senão com alça.
O encerramento do Perek Yud-Zayin. Com esta mishná se conclui o Perek Yud-Zayin, dedicado às leis de muktzê: o capítulo abriu com o princípio geral de que todos os utensílios se movem no Shabat, incluindo suas portas soltas (mishná 1); percorreu os casos de ferramentas de função proibida usadas para fins lícitos (mishná 2); a cana de oliveiras e sua independência da definição de impureza ritual (mishná 3); a exceção de Rabi Yossi para utensílios de altíssimo valor e a disputa com Rabi Nechemyá (mishná 4); o estatuto dos cacos de utensílios quebrados (mishná 5); a pedra na cabaça e o ramo amarrado ao jarro, quando peças avulsas se tornam parte do utensílio (mishná 6); a disputa sobre a tampa da janela e o acréscimo a uma tenda temporária (mishná 7); e encerra com a distinção entre a tampa do chão, que exige alça, e a tampa de utensílios, que se move de qualquer modo (mishná 8). O Perek Yud-Chet dará continuidade às leis de Shabat, tratando do movimento de animais e objetos pesados, e das leis do parto de animais que caem no Shabat.