Aquele que apara suas unhas, uma com a outra, ou com os dentes — sem o uso de um instrumento, apenas com as mãos ou a boca — e do mesmo modo seu cabelo, e do mesmo modo seu bigode, e do mesmo modo sua barba — arrancados à mão, sem tesoura ou navalha — e do mesmo modo a que trança — a mulher que entrelaça os cabelos em tranças — e do mesmo modo a que pinta os olhos — com pó de antimônio, como cosmético — e do mesmo modo a que penteia — divide o cabelo junto às têmporas para arrumá-lo — Rabi Eliezer torna responsável por oferenda pelo pecado — entendendo que estas ações, mesmo feitas à mão, constituem categorias plenas de trabalho proibido: tosquiar, construir ou escrever, conforme o caso — e os sábios proíbem apenas por decreto — rabínico (shevut), pois entendem que não há, nestas ações manuais, a forma técnica exigida para configurar o trabalho bíblico pleno. Aquele que arranca de um vaso furado é responsável — pois um vaso com um furo no fundo, por onde a planta absorve nutrientes da terra, é considerado ligado ao solo, e arrancar dali equivale a arrancar diretamente da terra — a categoria de "colher" (kotzer) — e do não furado, está isento — pois um vaso sem furo é considerado totalmente desligado do solo, e a planta nele não tem status de "ligada à terra". E Rabi Shimon isenta neste e naquele — mesmo no vaso furado, pois entende que a exigência bíblica de "ligação à terra" requer mais do que um simples furo, e a categoria de responsabilidade plena por sekilá (apedrejamento, no caso de idolatria relacionada a plantio) não se aplica a um vaso, furado ou não.
Esta última mishná não traz fonte bíblica direta, mas reúne, para encerrar o capítulo, duas categorias de trabalho distintas do tema central da hotza'ah: o corte de partes do corpo (relacionado a gozez, tosquiar) e o arrancar de plantas (relacionado a kotzer, colher).
Por que o vaso furado equivale à terra. A proibição de "colher" (kotzer), uma das trinta e nove categorias de trabalho derivadas das obras do Mishcan, aplica-se a tudo que está ligado à fonte de sua nutrição na terra. A tradição oral estabeleceu que um vaso com um furo do tamanho mínimo de "uma raiz pequena" permite que a planta absorva umidade do solo por baixo, mesmo sem contato direto — e por isso a planta nele é juridicamente equiparada a uma planta enraizada na terra. Arrancá-la, portanto, é tecnicamente idêntico a "colher" no campo. Já um vaso sem qualquer furo interrompe completamente essa ligação, e a planta ali dentro é tratada como um objeto isolado, sem vínculo halachico com a terra — por isso arrancá-la dali não constitui a categoria bíblica de kotzer.
Como o Rambam codifica estas duas leis — o corte de unhas e cabelo, e o vaso furado — em Hilchot Shabat, capítulos nove e vinte e dois.
Por que a halachá segue os sábios contra Rabi Eliezer, mas segue o primeiro sábio contra Rabi Shimon. Quanto às unhas e ao cabelo, a halachá segue os sábios anônimos: cortar com as mãos ou os dentes, sem instrumento, é proibido apenas por decreto rabínico, não por transgressão bíblica plena — divergindo de Rabi Eliezer, que considerava essas ações plenamente responsáveis. Já quanto ao vaso furado, a halachá segue o primeiro sábio (tanna kama) contra Rabi Shimon: um vaso furado com a medida mínima de "uma raiz pequena" é, sim, equiparado à terra, tornando responsável quem arrancar dali — pois este é o consenso da maioria dos sábios registrado na mishná, e Rabi Shimon permanece minoria nesse ponto.
Os comentadores identificam a categoria bíblica subjacente a cada ação — tosquiar, construir, escrever — e explicam a medida do furo no vaso.
"E do mesmo modo seu cabelo, e do mesmo modo seu bigode, e do mesmo modo sua barba" — quer dizer: quem os arranca com a própria mão, tal como as unhas — nisso é a disputa mencionada. Mas quem arrancou um deles com tesoura ou instrumento semelhante de tosquiar, uma vez que arrancou dois fios, é responsável segundo todos.
"A que trança" é a mulher que sabe fazer crescer o cabelo e torná-lo espesso por meio de tranças. "A que penteia" é a que coloca cabelo sobre as têmporas, sendo isto um tipo de crescimento capilar. "A que pinta os olhos" é a que coloca antimônio no olho.
E Rabi Eliezer diz que todas estas são derivadas: a que trança é derivada de "construir", e a que pinta é derivada de "escrever". Mas os sábios dizem que o assunto de fazer crescer o cabelo não é o assunto de construção, e o assunto do antimônio não é o assunto da escrita.
E o princípio conosco é que um vaso furado é como a terra, e a medida do furo é a suficiente para uma raiz pequena. E a halachá não é como Rabi Shimon, e a halachá é como os sábios.
"E do mesmo modo seu cabelo" — o que arranca o cabelo de sua cabeça com a mão.
"E do mesmo modo a que trança" — o cabelo de sua cabeça, e o entrelaça — o Targum traduz "trançado" (Shemot 28) por guedilu.
"A que pinta os olhos" — coloca antimônio em seus olhos. "A que penteia" — divide o cabelo do meio da cabeça de um lado e de outro, junto às têmporas.
"Rabi Eliezer torna responsável por oferenda pelo pecado" — a que pinta, por transgredir "escrever"; a que trança e a que penteia, por transgredir "construir".
"E os sábios proíbem por decreto rabínico" — pois entendem que não há nisso maneira própria de escrever nem maneira própria de construir, e a halachá é como os sábios. E apenas quanto a quem apara suas unhas e seu cabelo com as próprias mãos os sábios isentam de oferenda e de apedrejamento; mas quem apara seu cabelo ou suas unhas com um instrumento, os sábios concordam que é responsável por oferenda. E a partir do momento em que arrancou dois fios, é responsável. E quem arranca o cabelo da cabeça de seu companheiro, mesmo com a mão, é responsável. E a unha que já se soltou em sua maior parte, ou o cabelo que já se arrancou em sua maior parte e o incomoda, é permitido retirá-lo com a mão de antemão.
"Aquele que arranca de um vaso furado é responsável" — pois é considerado ligado à terra, já que absorve da terra por meio do furo, sentindo a umidade do solo, mesmo que o furo esteja na lateral. E a medida do furo é a suficiente para uma raiz pequena.
"E Rabi Shimon isenta neste e naquele" — pois não o considera ligado à terra a ponto de torná-lo responsável por apedrejamento. E a halachá não é como Rabi Shimon.
"Mesmo quanto a quem transporta o morto para enterrá-lo" — caso discutido pela Guemará ao aprofundar a posição de Rabi Shimon sobre a isenção do morto sobre a cama — e não penses que Rabi Shimon isenta apenas quando o deixa do lado de fora sem necessidade alguma; pois mesmo quando é para a necessidade do próprio morto — seu enterro — está isento segundo ele, por ser obra desnecessária ao próprio ato de transportar.
"Trançar para si mesma, está isenta" — caso discutido no contexto da mulher que trança o próprio cabelo — pois não consegue trançar bem o próprio cabelo sozinha, e não há maneira própria de "construir" a não ser quando uma mulher trança para sua companheira, que vê e faz.
"E do mesmo modo" — fórmula que introduz outro assunto relacionado ao Shabat, quanto à proibição.
"Ruivo" — termo mencionado a propósito do antimônio e outros cosméticos: é um corante vermelho que vem em canas, chamado tiponien.
Encerrando o Perek Yud. Com esta mishná se fecha o décimo capítulo do tratado de Shabat — um capítulo dedicado, do início ao fim, a refinar as condições exatas que tornam um ato de transporte (hotza'ah) uma "obra pensada e completa": a intenção de quem guarda um objeto (10:1), a interrupção por um domínio intermediário (10:2), a maneira costumeira de carregar (10:3), a direção pretendida (10:4), a divisão do esforço entre duas pessoas e a distinção entre carga principal e acessória (10:5) — e finalmente, nesta última mishná, dois exemplos de trabalhos correlatos, tosquiar e colher, tratados manualmente sem instrumento. O Perek Yud Alef, a seguir, abrirá uma nova frente na Massechet Shabat.