Terminado o assunto, traziam-nos [os litigantes] de volta. O maior dos juízes diz: fulano, tu és inocente; fulano, tu és culpado. — Depois de os juízes concluírem sua deliberação em privado — sem a presença dos litigantes, como estabelecido na mishná anterior —, os litigantes são novamente chamados à sala, e é o juiz de maior autoridade quem anuncia o veredito final, dirigindo-se a cada litigante nominalmente com a decisão que lhe cabe.
E de onde [se aprende] que, quando um dos juízes sai, não deve dizer: eu absolvi e meus colegas condenaram, mas o que posso fazer, se meus colegas me superaram em número? Sobre isso está dito: "Não andarás como mexeriqueiro entre teu povo" (Vayikrá 19:16), e diz: "o que anda mexericando revela segredo" (Provérbios 11:13). — Depois de o veredito coletivo ser anunciado, nenhum juiz individual pode, ao sair do tribunal, revelar como votou pessoalmente — mesmo que sua posição fosse diferente da maioria, e mesmo que a intenção seja apenas se eximir de responsabilidade perante o litigante prejudicado. A mishná ancora essa proibição em dois versículos: o mandamento explícito contra o mexerico (rechilut) em Vayikrá, e a caracterização do mexeriqueiro em Provérbios como alguém que "revela segredo" — pois a deliberação interna do tribunal é, por definição, um assunto confidencial que não deve ser exposto individualmente, para preservar tanto a dignidade do processo quanto a segurança dos próprios juízes.
Rambam explica a razão prática por trás de todo o procedimento: os litigantes são retirados durante a deliberação e só trazidos de volta para o anúncio final precisamente para que os juízes não mostrem favoritismo perante uma das partes durante a discussão, e para que a parte condenada não saiba exatamente qual juiz votou contra ela — preservando assim a boa relação dos juízes com a população e evitando ressentimentos pessoais direcionados a um juiz específico. É por essa mesma razão que a mishná proíbe o juiz de revelar seu voto individual ao sair.
Bartenura confirma o mecanismo em duas etapas: depois de os juízes ouvirem os argumentos das partes, eles as retiram da sala para deliberar livremente entre si — de modo que os próprios litigantes não saibam quem, entre os juízes, votou a favor e quem votou contra —, e só depois de concluída a deliberação é que ambos são trazidos de volta para ouvir o veredito coletivo, anunciado formalmente pelo juiz mais graduado.
Rashi observa, com precisão característica, uma tensão que a própria Guemará explora: se os litigantes nunca foram de fato retirados da sala durante o exame das testemunhas na mishná anterior (mas apenas as demais pessoas do público), por que a mishná agora diz "traziam-nos de volta", como se tivessem saído? A Guemará resolve a questão explicando que, embora os litigantes permanecessem presentes durante o interrogatório das testemunhas, eles eram sim retirados durante a fase de deliberação interna dos juízes — e é a esse momento que "traziam-nos de volta" se refere: o retorno dos litigantes especificamente para ouvir o veredito final, depois de a discussão entre os juízes ter sido concluída em sua ausência.