Seder Tehorot · Massechet Ohalot · Perek Tet-Vav · Mishná 10 de 10

As mãos que tocam e fazem ohel sobre o morto, encerramento do Perek Tet-Vav

אִם יֵשׁ בְּיָדוֹ פוֹתֵחַ טֶפַח, טְמֵאִין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fecha o Perek Tet-Vav com as quatro combinações possíveis entre tocar e fazer ohel sobre o morto e sobre utensílios, e a exceção da largura de um palmo nas mãos — medida que também une duas casas vizinhas, cada uma com meio-azeitona de carne, num único corpo de impureza

Aquele que toca no morto e toca em utensílios, aquele que faz ohel sobre o morto e toca em utensílios: são impuros. Aquele que faz ohel sobre o morto e faz ohel sobre os utensílios, aquele que toca no morto e faz ohel sobre os utensílios: são puros. Se há em sua mão a largura de um palmo, são impuros. Duas casas, e nelas há como dois meios azeitonas, e ele estendeu suas duas mãos para elas: se há em suas mãos a largura de um palmo, ele traz a impureza; e se não, não traz a impureza.

O Rambam recorda o princípio já ensinado no primeiro capítulo do tratado: quem se torna impuro pelo morto e depois toca em utensílios torna-os impuros por sete dias. Por isso, tocar o morto (ou fazer ohel sobre ele) e, em seguida, tocar utensílios torna estes impuros; mas fazer ohel sobre o morto e ohel sobre os utensílios não os torna impuros, pois quem já está impuro pelo morto não volta a transmitir impureza por ohel, apenas por contato direto — salvo se faz ohel com uma mão sobre a impureza e, ao mesmo tempo, com a outra mão sobre o utensílio, e há em sua mão a largura de um palmo, medida mínima para trazer a impureza: nesse caso, impureza e utensílio ficam unidos sob um único ohel formado pelas próprias mãos, retomando o princípio ensinado no Perek Vav de que o homem se torna ohel para a impureza. O mesmo raciocínio se aplica, explica o Rambam, ao caso das duas casas vizinhas, cada uma com meio-azeitona de carne: estendendo as duas mãos ao mesmo tempo, com a largura de um palmo em cada uma, a impureza se une entre as casas como se fosse um único azeitona sob um só ohel — e isso não contradiz a regra geral da medida de um palmo, pois já se ensinou que até uma criança de um dia de vida pode transmitir impureza a seu próprio morto.

הַנּוֹגֵעַ בְּמֵת וְהַנּוֹגֵעַ בְּכֵלִים, הַמַּאֲהִיל עַל הַמֵּת וְהַנּוֹגֵעַ בְּכֵלִים, טְמֵאִין. מַאֲהִיל עַל הַמֵּת וּמַאֲהִיל עַל הַכֵּלִים, הַנוֹגֵעַ בְּמֵת וּמַאֲהִיל עַל הַכֵּלִים, טְהוֹרִים. אִם יֵשׁ בְּיָדוֹ פוֹתֵחַ טֶפַח, טְמֵאִין. שְׁנֵי בָתִּים וּבָהֶן כִּשְׁנֵי חֲצָאֵי זֵיתִים, פָּשַׁט אֶת שְׁתֵּי יָדָיו לָהֶן, אִם יֵשׁ בְּיָדָיו פּוֹתֵחַ טֶפַח, מֵבִיא אֶת הַטֻּמְאָה. וְאִם לָאו, אֵינוֹ מֵבִיא אֶת הַטֻּמְאָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Ohalot 15:10
כבר קדם לך בפרק הראשון מזאת המסכתא שהאדם כאשר נטמא במת ונגע בכלים יטמא אותן טומאת ז' ולזה…

Já te precedeu, no primeiro capítulo deste tratado, que o homem, quando se torna impuro pelo morto e toca em utensílios, torna-os impuros com impureza de sete dias. Por isso, quando um homem se torna impuro pelo morto — se o tocou ou fez ohel sobre ele — e depois toca em utensílios, eis que estes utensílios são impuros. Mas, se tocou no morto, ou fez ohel sobre ele, e ainda fez ohel sobre os utensílios, eis que não os torna impuros, porque o impuro pelo morto não torna impuro por ohel, mas apenas por toque — a menos que faça ohel com uma mão sobre a impureza e, com a outra mão, ao mesmo tempo, sobre o utensílio, e que haja em sua mão a largura de um palmo, que é a medida para trazer a impureza; e então estes utensílios se tornam impuros, por estarem, junto com a impureza, sob um único ohel. E já te precedeu, no Perek Vav deste tratado, que o homem se torna ohel para a impureza.

E, da mesma forma, se havia duas casas próximas, e nelas havia como dois meios azeitonas, e ele estendeu as duas mãos para as duas casas ao mesmo tempo — eis que, se havia em cada mão a largura de um palmo, a impureza já se uniu entre elas, e ele se torna impuro, e as duas casas, e ficam como uma única casa, e é como se houvesse um azeitona de carne do morto sob um ohel unido. E isto não contradiz o que se disse sobre “a largura de um palmo”, pois já estabelecemos anteriormente que uma criança de um dia torna impuro seu morto, ainda que seja um menino pequeno.

Bartenura · Ohalot 15:10
הַמַּאֲהִיל עַל הַמֵּת וְנוֹגֵעַ בְּכֵלִים. הַכֵּלִים טְמֵאִין טֻמְאַת…

Sobre “aquele que faz ohel sobre o morto e toca em utensílios”: os utensílios são impuros com impureza de sete dias, pelo motivo de conexões (chibburim): por exemplo, no momento em que tocou no morto, ou fez ohel sobre ele, também toca ao mesmo tempo nos utensílios.

Sobre “se há em suas mãos a largura de um palmo, são impuros”: já que suas mãos fazem ohel sobre o morto e sobre os utensílios, elas trazem a impureza.

Sobre “duas casas”: e suas portas estão alinhadas uma em frente à outra.

Sobre “ele traz a impureza”: e as duas casas permanecem impuras, pois o ohel de suas mãos une a impureza, como se as duas metades estivessem colocadas nesta e naquela.

Sobre “e se não”: não havendo em suas mãos a largura de um palmo, o homem, de qualquer modo, é impuro, como se ensinará adiante: “e sobre si mesmos, em qualquer quantidade” — mas as duas casas são puras.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Ohalot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste capítulo.
אֵין הָאֹהֶל מִתְחַשֵּׁב

Com esta décima mishná, encerra-se o Perek Tet-Vav de Massechet Ohalot, um capítulo dedicado a uma sequência variada de objetos e estruturas que testam, cada um à sua maneira, os limites da impureza de ohel: peças empilhadas, tábuas que se tocam, barris ao ar livre, casas divididas por dentro e por fora, e o caso funerário do próprio gólel.

O capítulo abriu (15:1) com o sagós grosso, o cófet grosso, as dobras e as tábuas de madeira, que só trazem a impureza quando a peça superior está a um palmo do chão — ao contrário das tábuas de mármore, consideradas como o próprio solo. A mishná 15:2 tratou de tábuas que se tocam apenas pelos cantos, e da regra da mesa e seu quadrado de abertura. A mishná 15:3 estendeu o mesmo raciocínio geométrico aos barris ao ar livre, distinguindo o caso em que são puros do caso em que já são impuros ou altos do chão um palmo. As mishnayot 15:4 e 15:5 voltaram-se para a casa dividida por tábuas ou cortinas — primeiro pelos lados ou pelas vigas, depois a partir do próprio chão, com a regra de que, faltando o palmo cúbico, o solo da casa é como ela mesma até o abismo. A mishná 15:6 aplicou o mesmo princípio à casa cheia de palha, e a mishná 15:7 à casa cheia de terra ou seixos, e ao monte de cereal ou pedras que o dono anulou, comparado até à pilha de Acã. As três últimas mishnayot (15:8–15:10) voltaram-se para o campo funerário: a mishná 15:8 examinou o pátio do túmulo, com a controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel, e a viga usada como gólel; a mishná 15:9, o barril selado e o animal usados como gólel, com a opinião isolada de Rabi Meir; e esta última mishná (15:10) fechou o capítulo com as combinações entre tocar e fazer ohel sobre o morto e sobre os utensílios, e o caso de duas casas com meios-azeitona de carne, unidas pela largura de um palmo nas mãos estendidas de quem passa entre elas.

O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Yud-Vav, que continuará a explorar, ao longo dos três perakim que ainda restam, as inúmeras ramificações da impureza transmitida por ohel.