A sexta mishná fixa a proporção entre a quantidade de grão colhido e a farinha fina extraída para as três grandes oferendas comunitárias de cereal: o omer (de cevada), as duas fogaças de Shavuot e o pão da proposição (ambos de trigo).
O omer vinha, um décimo, de três seá; as duas fogaças, dois décimos, de três seá; o pão da proposição, vinte e quatro décimos, de vinte e quatro seá. — A mishná fixa a proporção entre a quantidade de grão colhido e a quantidade de farinha fina que dele se extrai para cada uma das três oferendas comunitárias de cereal: o omer, trazido de cevada nova logo após Pêssach, precisa de três seá de grão para render um único décimo de efá de farinha fina, pela dificuldade de extrair farinha de boa qualidade de cevada recém-colhida; as duas fogaças de Shavuot, feitas de trigo também novo, mas de melhor rendimento, extraem dois décimos dessa mesma quantidade de três seá; e o pão da proposição, feito de trigo velho e completamente seco, rende vinte e quatro décimos a partir de vinte e quatro seá — ou seja, um décimo por seá, a proporção mais eficiente das três.
Rambam recorda que o décimo do omer é a décima parte de uma efá, e que uma efá equivale a três seá, cada seá a vinte e quatro log. Explica que se colhem três seá de cevada, mói-se, e não se cessa de peneirar a farinha repetidas vezes até restar dela apenas um décimo — pois, sendo cevada nova e recém-colhida, rende pouca flor de farinha por seá, sendo necessário partir de mais grão para obter a medida escolhida. Já as duas fogaças, embora também de trigo novo, rendem mais flor de farinha por ser trigo, e por isso dois décimos bastam de três seá. O pão da proposição, feito de trigo colhido há mais tempo e completamente seco, rende ainda mais flor de farinha, produzindo um décimo por cada seá.
הָעֹמֶר הָיָה בָא עִשָּׂרוֹן מִשָּׁלֹשׁ סְאִין. מִנְחַת הָעֹמֶר שֶׁמְּבִיאִין מִמָּחֳרַת הַפֶּסַח הָיוּ קוֹצְרִין שָׁלֹשׁ סְאִין דְּהַיְנוּ אֵיפָה שְׂעֹרִים, וְטוֹחֲנִין אוֹתוֹ, וּמְנִיפִין אוֹתוֹ בְּנָפָה שְׁלֹשׁ עֶשְׂרֵה פְּעָמִים עַד שֶׁמַּעֲמִידִים סָלְתּוֹ עַל עִשָּׂרוֹן שֶׁהִיא עֲשִׂירִית הָאֵיפָה. וְטַעֲמָא דְּבָעֵי עִשָּׂרוֹן שֶׁל עֹמֶר שָׁלֹשׁ סְאִים שֶׁל שְׂעֹרִים, כֵּיוָן דְּמִתְּבוּאָה חֲדָשָׁה הוּא וְשֶׁל שְׂעֹרִים יֵשׁ בָּהֶן סֻבִּין הַרְבֵּה וְסֹלֶת מֻעָט וְלֹא אָתֵי עֶשְׂרוֹנוֹ מֻבְחָר אֶלָּא מִשָּׁלֹשׁ סְאִין:
שְׁתֵּי הַלֶּחֶם שְׁנֵי עֶשְׂרוֹנִים מִשָּׁלֹשׁ סְאִין. כֵּיוָן דְּמֵחִטִּים קָאָתוּ, אַף עַל גַּב דְּמִתְּבוּאָה חֲדָשָׁה אָתְיָין, דְּבַעֲצֶרֶת תְּבוּאָה שֶׁל חִטִּין חֲדָשָׁה הִיא, אֲפִלּוּ הָכִי שְׁנֵי עֶשְׂרוֹנִים מֻבְחָרִים אָתוּ מִשָּׁלֹשׁ סְאִין:
לֶחֶם הַפָּנִים עֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה עֶשְׂרוֹנִים. דְּהָכִי כְּתִיב (ויקרא כד) שְׁתֵּים עֶשְׂרֵה חַלּוֹת שְׁנֵי עֶשְׂרֹנִים יִהְיֶה הַחַלָּה הָאֶחָת:
מֵעֶשְׂרִים וְאַרְבַּע סְאִים. כֵּיוָן דְּמֵחִטִּין אָתוּ וּמִתְּבוּאָה יְשָׁנָה, נָפֵיק עִשָּׂרוֹן מֻבְחָר מִסְּאָה:
Bartenura explica que, para a oferenda do omer trazida no dia seguinte a Pêssach, colhia-se uma efá de cevada (três seá), moía-se e peneirava-se treze vezes, até que a flor de farinha ficasse reduzida a um décimo de efá; e que se exige justamente essa quantidade maior de grão porque, sendo cevada nova, tem muito farelo e pouca flor de farinha. Já as duas fogaças, embora também venham de trigo colhido recentemente (o trigo novo de Shavuot), rendem dois décimos escolhidos a partir de três seá, pela qualidade superior do trigo em relação à cevada. E o pão da proposição, feito de trigo mais antigo, rende um décimo por seá, conforme o próprio versículo que fixa doze fogaças de dois décimos cada.
Rashi observa, brevemente, que as três seá de cevada da oferenda do omer eram peneiradas repetidamente até que a farinha restante ficasse reduzida à medida de um décimo de efá — confirmando o processo de refinamento sucessivo que a mishná seguinte detalhará quanto ao número exato de peneiras usadas em cada oferenda.