Quem diz ao seu próximo: toma este issar por dez figos que eu escolherei para mim (isto é, o comprador mesmo, com sua própria mão, seleciona e colhe do pé), escolhe e come (isento, pois é como comprar algo ainda ligado à terra). "Por um cacho que eu escolherei para mim", arranca os grãos e come (uva por uva, do cacho ainda no pé). "Por uma romã que eu escolherei para mim", desfaz os grãos e come (ainda com a romã ligada à árvore). "Por uma melancia que eu escolherei para mim", corta fatias e come (enquanto a melancia ainda está ligada ao solo). Mas se lhe disse: "por estes vinte figos", "por estes dois cachos", "por estas duas romãs", "por estas duas melancias" (apontando para uma quantidade certa, ainda ligada ao pé, mas já identificada e reservada pelo acordo), come normalmente e está isento (sem a restrição de comer só um a um, podendo consumir livremente depois de colher), porque adquiriu algo ligado ao solo (a razão vale para ambos os casos desta mishná: seja escolhendo fruto por fruto, seja comprando quantidade certa ainda no pé, o que se adquire continua "ligado à terra" no momento da aquisição, e por isso a compra não fixa a obrigação do dízimo).
A mishná ensina que, em ambos os cenários — escolher fruto por fruto do pé, ou comprar de antemão uma quantidade certa ainda ligada à terra —, a aquisição permanece isenta da obrigação plena, "porque adquiriu algo ligado ao solo" (kaná bimechubar lakarka); o dízimo só se fixará quando o comprador efetivamente colher e destacar o produto do pé.
Por que "escolher e comer do pé" nunca fixa, mesmo quando o número é fixo? Esta mishná apresenta quatro exemplos progressivos — figos, cacho de uvas, romã, melancia — de uma mesma regra: quando o comprador é quem seleciona e colhe pessoalmente, fruto por fruto, grão por grão, ainda ligado à planta, a transação nunca se completa como "compra de produto destacado", pois em cada momento ele está apenas exercendo, sobre a planta do vendedor, o direito de escolher o que ainda crescerá ou permanecerá. É apenas quando a aquisição recai sobre uma quantidade certa e determinada — "estes vinte figos", "estes dois cachos" — que a venda se configura como transação completa e definida, ainda que, no momento do acordo, os frutos permaneçam fisicamente ligados ao solo; nesse caso, por serem identificados e certos, equiparam-se a produto já adquirido em definitivo, mas — como estão ligados à terra — permanecem isentos até serem efetivamente colhidos, quando o comprador poderá comê-los normalmente, sem restrição de "um a um". A frase final da mishná, "porque adquiriu algo ligado ao solo", explica por que ele pode comer normalmente (sem a limitação de comer só um a um): por ainda estarem ligados à terra no momento da aquisição, a compra em si não fixa a obrigação, permitindo-lhe comer à vontade até dizimar apenas quando os colher e trouxer para uso definitivo.
O Rambam codifica esta lei em Hilchot Maasser, no capítulo dedicado à compra e à distinção entre produto ligado ao solo e produto destacado.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Que eu escolherei": que eu selecionarei. "Arranca os grãos": significa que colhe os grãos um a um da árvore, sem cortar o cacho inteiro, para não se obrigar ao dízimo. "Desfaz": significa que separa os grãos da romã. "Corta fatias e come": significa que faz da melancia como que fatias finas e come; e quando comprou algo ligado ao solo e depois o colheu, come ocasionalmente tal como faz o dono da terra. Mas se comprou sem especificar o que comprou (uma quantidade indefinida, colhida aos poucos), é como se tivesse comprado coisa já colhida, e se fixa à obrigação do dízimo pela própria aquisição, como se explicará a você nesta massechet, pois a compra e a venda fixam a obrigação do dízimo.
"Que eu escolherei": que eu selecionarei e escolherei. "Escolhe e come": arranca um a um e come, mas se arrancou e juntou dois de uma vez, obriga-se. "Arranca os grãos": colhe grão por grão e come. "Desfaz": enquanto a romã ainda está ligada à árvore, separa dela grão por grão e come. "E na melancia corta fatias e come": assim lemos, isto é, corta pedaços finos e come (sempre um a um, mantendo o caráter ocasional que evita a fixação).