Um homem solteiro não deve ensinar crianças, nem uma mulher deve ensinar crianças. Rabi Eliezer diz: também aquele que não tem esposa não deve ensinar crianças. — A mishná proíbe que um homem sem esposa (ravak) atue como professor de crianças pequenas, por causa das mães que regularmente trazem seus filhos à escola e ali permanecem em contato próximo e repetido com ele; pela mesma razão, uma mulher não deve ensinar crianças, por causa dos pais que as trazem. Rabi Eliezer amplia a restrição: mesmo um homem tecnicamente casado, mas cuja esposa não reside com ele, deve ser tratado, para este efeito, como se fosse solteiro — pois o risco de familiaridade excessiva com as mães permanece o mesmo.
Rambam define ravak como aquele que nunca se casou — citando o uso paralelo do termo aramaico no Targum para “jovens e solteiros” —, e explica que a proibição decorre do temor de familiaridade excessiva com as mães das crianças, que regularmente as trazem à escola. Pela mesma razão simétrica, uma mulher não deve ensinar, por causa dos pais que trazem seus filhos. E conclui que a halachá não segue Rabi Eliezer — ou seja, um homem casado, mesmo que sua esposa não resida com ele, pode ensinar crianças.
Bartenura define ravak simplesmente como o homem livre, sem esposa, e explica “sofrim” (aqui, “ensinar sofrim”) como acostumar-se a ser professor de crianças pequenas — proibido justamente por causa das mães que frequentemente vêm trazer os filhos à escola. Sobre a extensão de Rabi Eliezer, esclarece que ele a aplica mesmo a um homem tecnicamente casado, mas cuja esposa não mora com ele — tratando-o, para este efeito prático, como se fosse solteiro. A halachá, porém, não segue Rabi Eliezer.