Se ela prometeu trazer-lhe mil dinares, ele escreve, correspondendo a eles, quinze manés. E correspondendo à avaliação, ele escreve um quinto a menos. Avaliação de um maneh que vale um maneh, ele não tem senão um maneh. Avaliação de um maneh, ela dá trinta e um selaim e um dinar. E em quatrocentos, ela dá quinhentos. O que o noivo estabelece, ele escreve um quinto a menos. — Quando a noiva promete trazer ao casamento uma quantia em dinheiro vivo — mil dinares, por exemplo, equivalentes a dez manés —, o noivo escreve na ketubá um valor um terço maior, quinze manés, pois esse dinheiro está disponível para ele investir e gerar lucro imediatamente. Mas quando ela traz bens que precisam de avaliação — roupas e joias — o noivo escreve um quinto a menos do valor avaliado, pois costuma-se, por honra à noiva, avaliar esses bens acima do seu valor real de mercado. A mishná então trabalha exemplos numéricos precisos: se os bens foram avaliados exatamente pelo seu valor de mercado real (sem a supervalorização costumeira), o noivo escreve na ketubá apenas esse valor, sem descontar mais nada; mas se a avaliação seguiu o costume de supervalorizar, então, para que o valor final escrito seja de um maneh, os bens precisam ter sido avaliados em trinta e um selaim e um dinar (um maneh mais um quinto) — e para que o valor final seja de quatrocentos, ela precisa trazer bens avaliados em quinhentos. Em todos os casos, a regra final é a mesma: aquilo que o noivo se compromete a escrever na ketubá em troca de bens avaliados é sempre um quinto a menos do valor da avaliação.
Esta mishná é inteiramente uma questão de costume comercial e prática documental instituída pelos sábios para a redação da ketubá, sem derivação direta de um versículo específico.
O costume de redigir um documento formal por ocasião do casamento remonta à própria estrutura bíblica do divórcio, que exige um "sefer" — um documento escrito. A ketubá, instituída pelos sábios como proteção financeira da esposa, segue essa mesma lógica documental: tudo o que a noiva traz ao casamento deve ser registrado por escrito, com valores calculados segundo regras precisas — regras que esta mishná detalha, distinguindo entre dinheiro líquido (que rende de imediato) e bens que exigem avaliação (que tradicionalmente são supervalorizados por consideração à noiva).
Não há, sobre esta mishná numérica, um comentário direto de Rambam no Perush HaMishná; por isso a explicação principal é trazida por Bartenura, que decompõe cada cálculo passo a passo.
Bartenura explica passo a passo: mil dinares equivalem a dez manés (quatro dinares por selá, e vinte e cinco selaim por maneh); como esse dinheiro está pronto para uso imediato e gera lucro, o noivo escreve um terço a mais na ketubá — quinze manés. Já quando a noiva traz roupas e joias que precisam de avaliação, o noivo escreve um quinto a menos, porque é costume dos avaliadores supervalorizar os bens da noiva, por consideração e para torná-la mais estimada aos olhos do marido — e esse desconto de um quinto compensa exatamente essa supervalorização costumeira, trazendo o valor de volta ao real.
Rashi, sobre a Guemará, confirma os mesmos cálculos numéricos e a lógica comercial por trás de cada um.
Bartenura detalha os dois casos numéricos da mishná: se os bens foram avaliados sem a supervalorização costumeira — isto é, pelo seu valor real de mercado —, o noivo escreve exatamente esse valor na ketubá, sem descontar mais nada, pois já não há excesso a corrigir. Mas se a avaliação seguiu o costume de supervalorizar, então, para que o valor final escrito na ketubá seja de um maneh, os bens precisam ter sido avaliados originalmente em trinta e um selaim e um dinar — que é exatamente um maneh acrescido de um quinto —, de modo que, depois do desconto de um quinto, reste precisamente o maneh.
Rashi confirma o cálculo básico: mil dinares equivalem a dez manés, e o acréscimo de um terço eleva o valor escrito para quinze manés, pois se trata de dinheiro pronto para gerar lucro. Sobre os bens avaliados — roupas e utensílios de uso, que se desgastam com o tempo — Rashi explica que, ao contrário do dinheiro, eles não apenas deixam de receber acréscimo, como sofrem desconto: se a noiva trouxe bens avaliados em mil dinares, o noivo escreve apenas oitocentos zuz na ketubá, um quinto a menos, refletindo tanto a supervalorização costumeira quanto a natureza depreciável desses bens.