Quem faz um vaso receptor, de qualquer modo, é impuro. Quem faz uma cama ou um assento, de qualquer modo, é impuro. Quem faz uma bolsa de couro não curtido, ou de papiro, é impuro. A romã, a bolota e a noz que as crianças escavaram para medir terra com elas, ou que prepararam como prato de balança, são impuras, pois têm ação, ainda que não tenham intenção.
A mishná estabelece um princípio amplo sobre a fabricação de vasos: basta que algo seja feito para receber, servir de cama ou de assento, ou funcionar como bolsa — ainda que de modo improvisado, com material inusitado como couro cru ou papiro —, para que se torne suscetível à impureza, independentemente da qualidade do acabamento. A mishná então testa esse princípio num caso limite: crianças que escavam a casca de uma romã, de uma bolota ou de uma noz, seja para medir terra, seja para brincar de balança, produzem objetos que também se tornam impuros. Isso porque, embora as crianças não tenham a capacidade legal de intenção plena exigida normalmente de um adulto para consagrar um objeto como vaso, sua ação física de escavar e dar forma já é suficiente — o princípio geral reconhece que uma ação concreta basta, mesmo quando desacompanhada da intenção formal que a lei costuma exigir.
O que disse: “quem faz um vaso receptor, de qualquer modo, é impuro”, explica-se com exemplos: é o caso de quem faz uma bolsa de couro liso, que não foi salgado nem tratado com farinha nem curtido, ou de tecido; ou de quem faz um vaso receptor da casca da romã, da bolota ou da noz — e é costume das crianças fazerem algo como um prato de balança da casca da noz e da bolota e semelhantes; e quando a criança faz um vaso receptor, eis que se torna impuro, pois há nisso ação.
E o sentido de “não têm intenção” é que não foi feito como o que fazem os adultos — como quando a intenção da criança é apenas fazer dessa casca um vaso, sem fazer nela nenhuma outra coisa; nesse caso não se torna impura, pois não têm intenção.
Sobre “quem faz um vaso receptor, de qualquer modo”: e mesmo que não o tenha feito próprio para receber senão o mínimo.
Sobre “cama ou assento, de qualquer modo”: para sentar-se um pouco, como quando se apoiava ou se pendurava nele.
Sobre “de couro não curtido”: que não foi salgado, nem farinhado, nem curtido com noz-de-galha.
Sobre “ou de papiro”: feito de ervas.
Sobre “pois têm ação”: já que as escavaram.
Sobre “ainda que não tenham intenção”: se pensaram apenas em medir terra com elas, tal como estavam escavadas por si mesmas, sem fazer nelas nenhum trabalho, sua intenção não as leva à impureza.