Uma trave que arrasta — tranca-se a porta com ela no Templo, mas não no resto do país. — trata-se de uma trave presa à porta por uma corda longa, de modo que, ao ser movida, ela arrasta pelo chão em vez de ficar suspensa no ar; como está de fato amarrada, seu uso não constitui a transgressão plena de construir uma partição nova, mas apenas se assemelha a isso, pela forma como se movimenta; os sábios, que costumam proibir mesmo aparências de trabalho por decreto de proteção, não estenderam esses decretos ao recinto do Templo, onde a disciplina do serviço sagrado já bastava; por isso essa trave é permitida ali, mas continua proibida no resto do país, onde a aparência de construção é suficiente para a proibição rabínica.
E a que está apenas pousada, sem amarração — é proibida tanto aqui quanto ali. — uma trave que não está presa por corda alguma, mas simplesmente colocada no lugar quando se quer trancar e retirada depois, não tem nenhum vínculo permanente com a porta; usá-la equivale, na prática, a erguer e desmontar uma pequena construção a cada vez, uma transgressão bíblica plena de "construir" — e por isso é proibida tanto no Templo quanto no resto do país, já que aqui não se trata de mera aparência, mas do próprio ato proibido.
Rabi Yehuda diz: a que está pousada é permitida no Templo, e a que arrasta é permitida no resto do país. — Rabi Yehuda propõe uma distribuição diferente, invertendo parcialmente a regra do tanna kama: para ele, é a trave pousada — sem amarração alguma — que se torna permitida no Templo, precisamente por não haver ali o receio de que se converta em algo fixo; e é a trave que arrasta que se torna permitida também no resto do país, por já estar amarrada e não representar mais que uma leve aparência de construção.
"Em todas as vossas habitações" ensina que a proibição bíblica de trabalho no Shabat é uniforme em qualquer lugar — mas os decretos adicionais dos sábios, criados para afastar a aparência de trabalho, são de outra natureza, e por isso podem variar conforme o espaço. No Templo, onde o próprio serviço sagrado já exige disciplina extrema e onde a multidão de sacerdotes e levitas tornava certos decretos impraticáveis, os sábios optaram por não estender suas proteções contra simples aparências; no resto do país, porém, mantiveram o rigor. É por isso que a trave que arrasta — mera aparência de construção, sem violar "nenhum trabalho fareis" em sentido pleno — pode ser usada no Templo mas não fora dele, enquanto a trave totalmente solta, que envolve a própria transgressão bíblica, permanece proibida em ambos os lugares.
O Rambam codifica o princípio geral de que os sábios não decretaram suas proibições protetoras dentro do Templo, base de toda esta mishná.
Toda proibição de tipo "shevut" que os sábios proibiram por decreto de proteção, não decretaram no Templo, pois não há "shevut" no Templo; e nisso seguiram apenas o que o serviço do Templo e suas necessidades exigiam.
Rambam distingue "nigrar" de "munach"; Bartenura explica por que a trave que arrasta ainda é apenas aparência de construção; Rashi, na Guemará, detalha a diferença física entre os dois casos.
"Uma trave que arrasta — tranca-se a porta com ela no Templo, mas não no resto do país etc.": "A que arrasta" explicaram que é a que está presa à porta por um nó; e "a pousada" é a que está separada e não presa — pega-se na mão e a coloca sobre as portas, sobre a fechadura, e depois a retira e a coloca em outro lugar; por isso a chamaram "a pousada". E isso se refere a uma trave que não tem cabeça arredondada em sua ponta, pois a que tem esse sinal distintivo é permitida mesmo pousada, como já explicamos antes. E a halachá é como Rabi Yehuda.
"Uma trave que arrasta" — ferrolho amarrado à porta mas não pendurado nela, pois a corda com que está amarrado é longa, e o ferrolho arrasta pelo chão. E trata-se de uma trave que não tem cabeça arredondada na ponta, pois a que tem cabeça arredondada, Rabi Yosei já permitiu acima mesmo sem estar amarrada, e a halachá é como ele.
"Tranca-se a porta com ela no Templo" — pois é apenas proibição de "shevut", e não constrói de fato, já que está amarrada; mas por arrastar, parece que está construindo, e não há "shevut" no Templo.
"E a que está pousada" — que não está amarrada de forma alguma, é construção de fato. E Rabi Yehuda entende que não é construção de fato, mas apenas parece construção, e no Templo não decretaram por causa de "shevut". E a que arrasta é permitida mesmo no resto do país, já que está amarrada, ainda que não esteja pendurada. E a halachá é como Rabi Yehuda.
Sobre a mishná — "trave que arrasta": que está amarrada à porta mas não pendurada, pois a corda é longa, e por arrastar não parece amarrada; e trata-se de quando não tem cabeça arredondada na ponta.
"Tranca-se a porta com ela no Templo" — pois é apenas "shevut" comum, já que não constrói de fato, uma vez que está amarrada para esse fim; mas por arrastar, parece que está construindo — e não há "shevut" rabínico no Templo, pois ali não decretaram.