Uma trave de trancar que tem em sua ponta uma cabeça arredondada: Rabi Eliezer proíbe, e Rabi Yosei permite. — a trave usada para trancar uma porta é normalmente tratada como parte da própria construção, e não como um utensílio de transporte; mas quando sua ponta tem uma cabeça arredondada e espessa, própria para ser usada como pilão de socar temperos, ela passa a ter também o estatuto de um utensílio útil por si mesmo; Rabi Eliezer, temendo que esse duplo uso a torne um objeto que se carrega e se move livremente — o que seria proibido em Shabat —, proíbe seu emprego para trancar a menos que esteja amarrada e presa à própria porta, de modo que seu movimento seja sempre parte do ato de fechar, e não um transporte independente; Rabi Yosei permite mesmo sem essa amarração, pois considera que a função predominante do objeto continua sendo a de trancar, e a forma de pilão em sua ponta não muda esse fato.
Disse Rabi Eliezer: houve um caso na sinagoga de Tiberíades, onde se praticava a permissão, até que vieram Rabam Gamliel e os anciãos e a proibiram para eles. — Rabi Eliezer sustenta sua posição rigorosa com um precedente histórico: na sinagoga de Tiberíades, era costume usar livremente essa trave com cabeça de utensílio, até que Rabam Gamliel e os sábios mais velhos vieram e proibiram essa prática — um caso que, para Rabi Eliezer, comprova que a posição correta é a proibitiva, já que a autoridade máxima interveio justamente para corrigir um costume permissivo.
A disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Yosei ilustra como a definição de "utensílio" — e não apenas a de domínio — determina o que conta como transporte proibido em Shabat. Um pedaço de madeira usado apenas para trancar não é, em si, um objeto que se "carrega"; mas assim que ganha uma segunda função útil, como a de pilão, os sábios discutem se essa utilidade extra o transforma em algo cujo manuseio livre já se equipara a transportar um utensílio comum entre domínios. O precedente histórico de Tiberíades — disputado quanto ao seu próprio conteúdo por Rabi Eliezer e Rabi Yosei — mostra que essa mesma pergunta já dividia comunidades reais, e que a intervenção de Rabam Gamliel e dos anciãos era vista, por cada lado, como confirmando sua própria posição.
O Rambam decide como Rabi Yosei, permitindo o uso da trave com cabeça de utensílio mesmo sem estar amarrada à porta.
Uma trave de trancar que tem em sua ponta uma cabeça arredondada — quer tenha um lugar para segurar com a mão, quer não; quer esteja amarrada à porta, quer não — já que sua ponta tem um formato de recipiente, tranca-se a porta com ela em Shabat. Pois, já que há nela essa diferença de forma, ainda que seja um utensílio, todos concordam que é permitido trancar com ela.
Rambam identifica o que é "glustra" e a natureza do objeto; Bartenura detalha a exigência de Rabi Eliezer de amarração à porta; Rashi, na Guemará, explica o próprio termo "neger".
"Uma trave de trancar que tem em sua ponta uma cabeça arredondada: Rabi Eliezer proíbe, e Rabi Yosei permite etc.": A trave de trancar é uma peça de madeira feita em cruz, que se coloca nas portas e com a qual se trancam os portões, e as pessoas a chamam em árabe "me'arts", e seu sentido é como "ferrolho", pois atravessa de uma parede a outra. E a cabeça arredondada tem forma de romã ou de anel e semelhantes, o que indica que se trata de um utensílio, e não é uma simples trave, que seria proibido transportar em Shabat. E a halachá é como Rabi Yosei.
"Trave de trancar" — espécie de ferrolho que se enfia nas paredes ou na soleira para trancar a porta com ele.
"Cabeça arredondada" — cuja ponta é espessa e redonda como uma romã, feita como um pilão próprio para socar pimentas. E ainda que tenha sobre si estatuto de utensílio, Rabi Eliezer proíbe, a menos que esteja amarrada e pendurada na porta; e Rabi Yosei permite. E a halachá é como Rabi Yosei.
Sobre a mishná — "trave de trancar" — objeto que se enfia num buraco na soleira para trancar a porta.
"Que tem em sua ponta uma cabeça arredondada" — cuja ponta é espessa e própria para pilão, para socar e triturar pimentas com ela; e ainda assim, já que tem sobre si estatuto de utensílio, Rabi Eliezer proíbe, a menos que esteja amarrada e pendurada na porta, como se explica na Guemará.
"E Rabi Yosei permite" — pois, ainda que tenha estatuto de utensílio por causa da cabeça arredondada, isso não faz parecer que está construindo.