Testemunhou Rabi Yehoshua ben Betera sobre o sangue das carcaças, que é puro. Testemunhou Rabi Shimon ben Betera sobre a cinza da purificação, que se um impuro tocou parte dela, contaminou toda ela. Acrescentou Rabi Akiva sobre a farinha fina, e sobre o incenso, e o olíbano, e as brasas, que se um tevul yom tocou parte deles, invalidou todos eles. — O Perek Chet, último do tratado, abre com três testemunhos encadeados, cada um ampliando o anterior. Primeiro: o sangue de um animal morto sem abate ritual (nevelá) é puro — isto é, ao contrário da própria carcaça, que contamina por contato a quem toca sequer uma porção do tamanho de uma azeitona, o sangue da carcaça não contamina dessa forma severa; ele contamina apenas como um líquido comum, exigindo uma quantidade maior (um quarto de log) para transmitir impureza. Segundo: a cinza usada para preparar as águas de purificação (misturada com a água da vaca vermelha) — se um homem impuro tocou apenas uma parte da cinza guardada num mesmo recipiente, toda a cinza se torna impura, mesmo que fisicamente sejam partículas distintas; isso porque os Sábios estabeleceram um rigor especial para as coisas sagradas: o recipiente une seu conteúdo, fazendo-o ser tratado como um único corpo. Terceiro, e mais além: Rabi Akiva acrescenta que o mesmo princípio de união vale mesmo sem um recipiente que contenha as coisas — a farinha fina da oferta, o incenso, o olíbano e as brasas do Dia do Perdão, ainda que estejam apenas amontoados sobre uma tábua ou uma pele, sem estarem dentro de um vaso propriamente dito, são considerados um único corpo; de modo que se um tevul yom — alguém que já se imergiu no mikvê mas ainda aguarda o pôr do sol para completar sua purificação, e por isso ainda está impedido de tocar coisas sagradas — tocou apenas uma parte deles, invalidou o todo.
Rambam explica que dizer que o sangue das carcaças é puro é uma verdade que precisa ser entendida com precisão: significa que ele não contamina como a própria carcaça — pois nada além do réptil contamina através de seu sangue como através de seu próprio corpo — mas o sangue das carcaças é como um líquido impuro comum, transmitindo impureza apenas na medida de um quarto de log, como se esclarece no Talmud Yerushalmi e na Guemará de Shekalim. Já se esclareceu, ao final de Chagigá, que o recipiente une o que está em seu interior para efeito de santidade, de modo que tudo o que está dentro do vaso é considerado como um único corpo, ainda que fisicamente sejam corpos separados — e se algo tocou uma parte, é como se tivesse tocado todas; e isso não é próprio para uso sacrificial, por causa da grande dignidade das coisas sagradas. Apoiaram isso no versículo sobre "uma colher de dez siclos de ouro cheia de incenso" — a Escritura considerou tudo o que está numa única colher como uma unidade. E isso vale quando se trata de um recipiente com uma cavidade interna; mas Rabi Akiva acrescentou que, mesmo sem cavidade — quando esses elementos, como a farinha ou o incenso, estão apenas amontoados sobre uma tábua ou uma pele —, ainda assim se unem como um só corpo. E a opinião de Rabi Akiva é a halachá decidida.
Bartenura explica: "que é puro" — quer dizer, isento de contaminar como a própria carcaça, que contamina através de uma porção do tamanho de uma azeitona; mas o sangue contamina como líquido, na medida de um quarto de log, pois nada contamina através de seu próprio sangue como através de seu corpo, exceto o réptil. "Acrescentou Rabi Akiva": pois do testemunho de Rabi Shimon ben Betera só ouvimos que um recipiente com cavidade interna une seu conteúdo; Rabi Akiva veio e acrescentou que mesmo a farinha, o incenso, o olíbano e as brasas, quando amontoados sobre uma tábua sem cavidade, são considerados como se estivessem dentro de um vaso, tornando-se um único corpo. As "brasas" mencionadas são aquelas que o Sumo Sacerdote recolhe na pá no Dia do Perdão: se um tevul yom tocou parte delas, todas se invalidam — e os Sábios fizeram deste caso um rigor especial, já que as brasas em si não são normalmente suscetíveis a impureza.