Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Papias sobre a cria de um sacrifício de paz, que se oferece como sacrifício de paz — enquanto Rabi Eliezer diz que a cria de um sacrifício de paz não se oferece como sacrifício de paz. Mas os Sábios dizem: oferece-se. Disse Rabi Papias: eu testemunho que tivemos uma vaca, sacrifício de paz, e a comemos na Páscoa, e comemos sua cria como sacrifício de paz na Festa. — Quando um animal já consagrado como sacrifício de paz (shelamim) dá à luz antes de ser oferecido, pergunta-se: qual o status da cria? Rabi Eliezer teme que, se permitirmos oferecer a cria também como sacrifício de paz, isso incentivará os donos a retardarem o sacrifício da mãe propositalmente, esperando que ela procrie repetidas vezes — deixando crescer rebanhos inteiros a partir das crias de um único animal consagrado, o que violaria a proibição de "não demorarás em cumprir teu voto". Por isso, ele decreta que a cria seja trancada e deixada morrer, sem poder ser sacrificada. Rabi Yehoshua, Rabi Papias e os Sábios discordam: a cria pode, sim, ser oferecida como sacrifício de paz. Rabi Papias reforça seu testemunho com um caso pessoal e concreto: sua família teve uma vaca consagrada como sacrifício de paz, que comeram na festa de Pêssach, e a cria dessa mesma vaca eles comeram, como sacrifício de paz legítimo, na festa seguinte (Shavuot) — prova viva de que a prática era aceita e observada.
Bartenura explica que, segundo este versículo, quem tem sobre si um voto ou oferenda deve trazê-lo já na primeira festa de peregrinação após o voto ter sido feito — sob pena de transgredir o mandamento positivo de trazê-lo, e, se passarem três festas sem cumprimento, também o mandamento negativo de "não demorarás em cumprir teu voto". É por essa preocupação — retardar o sacrifício da mãe para lucrar com sua prole — que Rabi Eliezer proíbe oferecer a cria; os demais sábios não veem nisso motivo suficiente para proibir.
Rambam explica que Rabi Eliezer proíbe a oferenda da cria como decreto preventivo — para que o dono não deixe a mãe viva propositalmente à espera de mais partos, transgredindo assim "não demorarás em cumprir teu voto" (Devarim 23:22). É esse o sentido da preocupação: "para que não cresçam rebanhos a partir delas." Mas a lei segue este testemunho — não se preocupa com essa possibilidade —, pois toda cria que nascer de um animal consagrado como sacrifício de paz é permitida para ser oferecida como sacrifício de paz, como se explica no terceiro capítulo do tratado Temurá.
Bartenura explica que, segundo Rabi Eliezer, a cria de um sacrifício de paz não pode ser oferecida — em vez disso, é trancada num recinto até morrer. Isso decorre de um decreto preventivo: se dissermos que a cria de um sacrifício de paz tem solução (pode ser oferecida), isso levará o dono a atrasar propositalmente o sacrifício da mãe, esperando que ela dê à luz repetidas vezes, e assim se formarão rebanhos inteiros a partir das crias, que passarão a ser tosquiados e usados para trabalho — algo proibido para animais consagrados. Quanto a "comemos sua cria como sacrifício de paz na Festa" — refere-se à festa de Shavuot: pois, se ele esperasse até a festa de Sucot, estaria transgredindo o mandamento positivo, como está escrito "ali ireis... e trazereis para lá", o que implica que, na primeira festa de peregrinação em que comparecer, deve trazer todos os votos que tem sobre si. Quanto ao mandamento negativo de "não demorarás", só se transgride depois que passarem três festas de peregrinação sem cumprimento.