Seder Nezikin · Massechet Bava Kamma · Perek Guimel · Mishná 5 de 11

Este vem com seu barril, e aquele com sua trave

זֶה בָּא בְחָבִיתוֹ וְזֶה בָּא בְקוֹרָתוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná detalha as regras de colisão entre dois transeuntes carregando objetos que podem se danificar mutuamente — o barril e a trave —, distinguindo por ordem de caminhada, parada e aviso prévio.

Este vem com seu barril, e aquele vem com sua trave; quebrou-se o barril deste na trave daquele, está isento, pois a este há permissão para caminhar e a aquele há permissão para caminhar.Quando dois transeuntes caminham normalmente pela via pública, cada um exercendo seu direito de circulação, e por acaso se chocam, causando a quebra do barril de um contra a trave do outro, nenhum dos dois é responsável — pois ambos agiam dentro de seu direito, cada um andando à sua maneira costumeira.

Se o dono da trave era o primeiro, e o dono do barril o último, e quebrou-se o barril na trave, está isento o dono da trave. Mas se o dono da trave parou, é responsável. E se disse ao dono do barril "pare", está isento.Quando o dono da trave caminha à frente e o dono do barril o segue, o primeiro caminha normalmente e não é responsável se o barril se choca contra sua trave — pois o barril veio atrás dele. Mas se o dono da trave parou no meio do caminho sem avisar, tornou-se um obstáculo inesperado, e é responsável. Se, porém, avisou ao dono do barril para parar também, cumpriu sua obrigação e está isento.

Se o dono do barril era o primeiro e o dono da trave o último, e quebrou-se o barril na trave, é responsável. Mas se o dono do barril parou, está isento. E se disse ao dono da trave "pare", é responsável.Quando a ordem se inverte — o dono do barril à frente, o dono da trave atrás —, é o dono da trave quem se choca contra quem está à sua frente, e por isso é responsável, pois deveria ter tomado cuidado com quem caminhava adiante dele. Mas se o dono do barril parou repentinamente sem avisar, tornou-se ele mesmo um obstáculo inesperado, e o dono da trave está isento. Se, no entanto, o dono do barril avisou ao dono da trave para parar e este não o fez, o dono da trave permanece responsável, por não ter atendido ao aviso.

E o mesmo vale para este que vem com sua candeia e aquele com seu linho.A mishná conclui que as mesmas regras de ordem, aviso e parada se aplicam a qualquer par de objetos perigosos entre si — como a candeia acesa e o feixe de linho inflamável —, e não apenas ao barril e à trave.

זֶה בָּא בְחָבִיתוֹ, וְזֶה בָּא בְקוֹרָתוֹ, נִשְׁבְּרָה כַדּוֹ שֶׁל זֶה בְּקוֹרָתוֹ שֶׁל זֶה, פָּטוּר, שֶׁלָּזֶה רְשׁוּת לְהַלֵּךְ וְלָזֶה רְשׁוּת לְהַלֵּךְ. הָיָה בַעַל קוֹרָה רִאשׁוֹן, וּבַעַל חָבִית אַחֲרוֹן, נִשְׁבְּרָה חָבִית בַּקּוֹרָה, פָּטוּר בַּעַל הַקּוֹרָה. וְאִם עָמַד בַּעַל הַקּוֹרָה, חַיָּב. וְאִם אָמַר לְבַעַל הֶחָבִית עֲמֹד, פָּטוּר. הָיָה בַעַל חָבִית רִאשׁוֹן וּבַעַל קוֹרָה אַחֲרוֹן, נִשְׁבְּרָה חָבִית בַּקּוֹרָה, חַיָּב. וְאִם עָמַד בַּעַל חָבִית, פָּטוּר. וְאִם אָמַר לְבַעַל קוֹרָה עֲמֹד, חַיָּב. וְכֵן זֶה בָא בְנֵרוֹ וְזֶה בְפִשְׁתָּנוֹ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam remete à clareza do texto da mishná; Bartenura explica a razão da isenção quando cada um caminha à sua maneira costumeira.

Rambam · Perush HaMishná, Bava Kamma 3:5
זֶה בָּא בְחָבִיתוֹ וְזֶה בָּא בְקוֹרָתוֹ נִשְׁבְּרָה כַדּוֹ כו׳: כָּל זֶה מְבוֹאָר

Rambam observa que o texto desta mishná é claro e não requer explicação adicional além do próprio enunciado — as regras de responsabilidade decorrem diretamente da ordem de caminhada, da parada e do aviso descritos em cada cláusula.

Bartenura · Bava Kamma 3:5
הָיָה בַעַל קוֹרָה רִאשׁוֹן וְכוּ' פָּטוּר. שֶׁזֶּה מְהַלֵּךְ כְּדַרְכּוֹ וְזֶה מִהֵר לָלֶכֶת

Bartenura explica a razão da isenção do dono da trave quando caminha à frente: ele segue seu caminho normalmente, enquanto foi o dono do barril, vindo atrás, que se apressou e se chocou contra ele — cabendo a este último, portanto, tomar o cuidado necessário.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 31b), abrindo o caso do barril e da trave.

Rashi · · רש״י
Bava Kamma 31b, s.v. מתני' זה בא בחביתו
מַתְנִי׳ זֶה בָּא בְחָבִיתוֹ כוּ׳ - וּפָגַע זֶה בָּזֶה: פָּטוּר - שֶׁלִּשְׁנֵיהֶם רְשׁוּת לְהַלֵּךְ:

Rashi explica que o cenário da mishná é o de dois transeuntes que se encontram e colidem por acaso em via pública; a isenção decorre do fato de que ambos tinham igual permissão de caminhar por ali, cada um exercendo seu direito legítimo de circulação.