Aquele que diz a seu próximo: metade do campo eu te vendo — avalia-se entre eles, e ele toma metade do campo dele. — Quando o vendedor não especifica qual metade está vendendo, faz-se uma avaliação da qualidade da terra em todo o campo, dividindo-a proporcionalmente entre as partes boas e ruins, e o comprador recebe metade do valor total — e não necessariamente metade da melhor ou da pior porção.
"Sua metade ao sul eu te vendo" — avalia-se entre eles, e ele toma sua metade ao sul, e ele aceita sobre si o lugar da cerca, a vala e a pequena vala. — Mas se o vendedor especifica que está vendendo a metade sul do campo, faz-se uma avaliação separada das metades norte e sul, e o comprador recebe a metade sul tal como ela é — seja melhor, seja pior que a outra. Além disso, como comprador de uma porção definida e contígua, ele assume o encargo de ceder, dentro de sua própria porção, o espaço necessário para a cerca divisória e para as duas valas que separam os campos.
E quanto é a vala? Seis palmos. E a pequena vala? Três. — A mishná fecha o Perek Zayin especificando as medidas exatas: a vala maior, destinada a impedir que animais pulem para dentro do campo vizinho, tem seis palmos de largura; a vala pequena, que a complementa, tem três palmos.
Rambam explica que os campos variam de preço conforme sua fertilidade ou pobreza, e que "avalia-se" significa que se determina quanto vale o campo inteiro e quanto vale, proporcionalmente, a metade a partir da porção mais pobre, entregando essa parte ao comprador. Dá um exemplo numérico: se o campo mede cem côvados e nele há uma porção de trinta côvados que vale trinta dinares, mede-se para o comprador cinquenta côvados dos setenta restantes, e paga-se a ele vinte dinares — e se as partes acertaram por um lado específico, e naquele lado, por exemplo, estão os trinta côvados férteis, mede-se dele apenas metade, vinte e nove côvados por vinte e nove dinares (a metade da corda). O comprador é quem aceita sobre si a vala grande e a pequena, e assim recebe sua metade. Explica ainda por que são necessárias duas valas, grande e pequena: se houvesse apenas a grande, a doninha ou animal semelhante desceria ao seu fundo e subiria pela outra margem até o campo; se houvesse apenas a pequena, o animal saltaria sobre ela diretamente para dentro do campo; mas havendo as duas, o animal não consegue entrar na pequena por sua estreiteza, nem saltar sobre a largura combinada de ambas — havendo um palmo de intervalo entre as duas valas, situadas ambas do lado externo da cerca — e tudo isso corre por conta da metade do comprador, como explicamos.
Bartenura explica que "avalia-se entre eles" significa que se observa o lugar fértil do campo, e o vendedor o toma para si — pois a mão do comprador fica sempre em desvantagem —, e em contrapartida entrega ao comprador uma porção do lugar inferior equivalente ao valor do lugar fértil que o vendedor reteve. Pois quando o vendedor diz "metade do campo eu te vendo", ele quer dizer o valor de metade do campo. Se o campo tinha cem côvados e valia cem dinares, e havia nele trinta côvados de terra fértil valendo cinquenta dinares, o vendedor toma essa porção fértil, e entrega ao comprador setenta côvados da terra inferior, no valor de cinquenta dinares — donde se aprende que uma pessoa prefere um kav de terra excelente a dois kabin de terra inferior, ainda que valham o mesmo. "Sua metade ao sul eu te vendo" — nesse caso não se avalia o campo inteiro como no início da mishná; avalia-se, sim, quanto vale a metade sul, seja boa seja ruim, e o vendedor entrega ao comprador, de qualquer lado que quiser da terra inferior que possui, o equivalente ao valor dessa metade sul — pois a mão do comprador fica em desvantagem, e talvez o sentido seja: "o valor da metade do sul eu te vendo, de minha terra, em qualquer lugar que eu quiser". "E aceita sobre si" — o comprador aceita ceder, dentro dessa metade do campo que adquiriu, espaço para fazer a cerca, e a vala e a pequena vala, ambas do lado de fora da cerca, para que um animal não salte e entre no campo. Pois se fizesse a vala grande sem a pequena, por ser larga, o animal entraria nela e saltaria por cima da outra margem; e se fizesse a pequena sem a grande, por ser estreita, o animal ficaria de pé em sua margem e saltaria. E qual é o intervalo entre a vala grande e a pequena? Um palmo.
Rashbam ilustra o método de avaliação ["mesamnin"] com um exemplo prático: se dois avaliadores discordam sobre o valor do campo — um dizendo que vale vinte selaim e outro dizendo que vale um manê (cem denários) — busca-se um valor intermediário que suponha que ambos erraram um pouco, um para menos e outro para mais, chegando a noventa denários, isto é, vinte e dois selaim e meio. Segue-se assim a palavra dos dois avaliadores mais baixos, pois "o que se agarra ao mínimo, agarra"; não se segue apenas quem diz "manê" como se ele sozinho estivesse absolutamente certo e os demais tivessem errado por completo.
Rashbam explica por que a vala sozinha não basta para impedir que um animal salte para dentro do campo: precisamente por ser larga — seis palmos —, o animal consegue entrar nela, recuar um pouco e, a partir daí, saltar por cima; e explica que "fica sobre sua margem" refere-se à margem externa da vala. Por isso é necessária também a pequena vala, que, por ser estreita, não permite que o animal tome impulso dentro dela. Rashbam fixa a versão correta do texto, concluindo que o intervalo de um palmo entre a vala e a pequena vala é a conclusão da baraita sobre o assunto — encerrando, assim, o comentário do Rashbam a todo o Perek Zayin.