O atacadista deve limpar suas medidas uma vez a cada trinta dias. E o dono de casa, uma vez a cada doze meses. Rabán Shimon ben Gamliel diz: é o contrário. — O comerciante atacadista, que vende óleo e vinho com grande frequência, precisa limpar suas medidas mensalmente, para que o resíduo acumulado de líquido não reduza sua capacidade real; o dono de casa comum, que vende raramente, precisa fazê-lo apenas uma vez por ano. Rabán Shimon ben Gamliel inverte essa lógica: precisamente por vender constantemente, o atacadista não acumula resíduo — que fica sempre fresco e é logo removido no uso contínuo —, enquanto o dono de casa, ao usar a medida raramente, permite que o resíduo resseque e se acumule, exigindo limpeza mais frequente.
O merceeiro limpa suas medidas duas vezes por semana, e limpa seus pesos uma vez por semana; e limpa a balança a cada pesagem. — O pequeno comerciante, que vende em quantidades diárias e constantes, precisa de uma rotina de limpeza ainda mais frequente que a do atacadista: as medidas de líquido duas vezes por semana, os pesos de pedra uma vez por semana, e a própria balança — cujos pratos podem acumular resíduo aderente — a cada vez que pesa algo.
Rambam define os termos técnicos "sitón", "mekanéach" e "memaché"; Bartenura desenvolve o raciocínio de Rabán Shimon ben Gamliel para inverter a regra da opinião anônima.
Rambam define o "sitón" como o grande distribuidor que reparte a mercadoria dos comerciantes de atacado entre os donos de pequenas lojas. Explica que "limpar" (mekanéach) significa remover ferrugem e resíduo aderido ao instrumento, enquanto "esfregar" (memaché) refere-se especificamente a lavar com água.
Bartenura descreve o "sitón" como o comerciante que compra grandes quantidades de uma vez e revende aos poucos aos merceeiros. Explica que a limpeza das medidas serve para remover o vinho e o azeite que endurecem dentro delas, reduzindo sua capacidade real — e que o dono de casa comum, por vender com muito menos frequência que o atacadista, precisa limpar apenas uma vez por ano. Esclarece que "esfregar" refere-se especificamente às pedras de peso usadas para pesar substâncias úmidas, como carne, e que a balança precisa ser limpa a cada pesagem, pois seus pratos côncavos acumulam resíduo com mais facilidade que os próprios pesos.
Rashbam sobre o daf 88a define o termo "sitón" como empréstimo do grego, e observa que a explicação de Rabán Shimon ben Gamliel para sua posição invertida aparece detalhada na mishná seguinte.
Rashbam descreve o "sitón" como o grande merceeiro que compra em grandes quantidades e revende a pequenos merceeiros, e explica que a própria palavra deriva do grego "sítos" (trigo), aplicada por associação a quem negocia grandes volumes. Explica que as medidas precisam ser limpas porque o vinho e o azeite se acumulam e endurecem dentro delas, reduzindo sua capacidade real de medição — sendo essa a razão vinculada especificamente a recipientes de líquido. E detalha a lógica invertida de Rabán Shimon ben Gamliel: como o atacadista vende constantemente, o líquido nunca chega a endurecer dentro da medida; já o dono de casa comum, que vende raramente, permite que o líquido resseque e se solidifique dentro do recipiente, exigindo limpeza mais frequente.