Seder Nezikin · Massechet Avodá Zará · Perek Hei · Mishná 5 de 12
Comendo à mesa com o gentio; jarros abertos e vedados
הָיָה אוֹכֵל עִמּוֹ עַל הַשֻּׁלְחָן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR
A Mishná · הַמִּשְׁנָה
Quinta mishná do Perek Hei: examina o cenário de uma refeição compartilhada — o que está diretamente ao alcance do gentio (a mesa) versus o que está mais distante (o aparador, dulbeki) — e conclui com a regra geral sobre barris abertos e vedados encontrados numa casa.
Estava comendo com ele à mesa, e havia deixado um jarro sobre a mesa e um jarro sobre o aparador, e ele o deixou e saiu — o que está sobre a mesa é proibido, e o que está sobre o aparador é permitido. Mas se lhe disse: 'fica misturando e bebendo', também o que está sobre o aparador é proibido. Barris abertos são proibidos; vedados, o tempo é o suficiente para que abra, vede novamente e seque.
הָיָה אוֹכֵל עִמּוֹ עַל הַשֻּׁלְחָן וְהִנִּיחַ לְגִינָה עַל הַשֻּׁלְחָן, וּלְגִינָה עַל הַדֻּלְבְּקִי, וְהִנִּיחוֹ וְיָצָא, מַה שֶּׁעַל הַשֻּׁלְחָן, אָסוּר. וּמַה שֶּׁעַל הַדֻּלְבְּקִי, מֻתָּר. וְאִם אָמַר לוֹ הֱוֵי מוֹזֵג וְשׁוֹתֶה, אַף שֶׁעַל הַדֻּלְבְּקִי אָסוּר. חָבִיּוֹת פְּתוּחוֹת, אֲסוּרוֹת. סְתוּמוֹת, כְּדֵי שֶׁיִּפְתַּח וְיָגוּף וְתִגֹּב:
Halachot · הֲלָכוֹת
Rambam · Perush HaMishná, Avodá Zará 5:5
הָיָה אוֹכֵל עִמּוֹ עַל הַשֻּׁלְחָן וְכוּ׳: דּוּלְבְּקִי הִיא כְּלִי זוּלָתִי הַשֻּׁלְחָן שֶׁיִּהְיוּ עָלֶיהָ כֵּלִים בְּאוֹכָלִים וּמַשְׁקִין, וּמֵהֶן לוֹקְחִין וּמַנִּיחִין עַל הַשֻּׁלְחָן, וְאֵין הָעוֹבֵד כּוֹכָבִים יָכוֹל לִשְׁלֹחַ יָדוֹ לְדָבָר שֶׁהוּא עַל הַדּוּלְבְּקִי עַד שֶׁיִּתֵּן אוֹתָן בַּעַל הַבַּיִת עַל הַשֻּׁלְחָן.
Rambam explica que o dulbeki é um móvel distinto da mesa, um aparador onde se colocam vasos de comida e bebida, dos quais se retira e se traz para a mesa conforme necessário. Por não estar ao alcance imediato do convidado, o gentio não pode simplesmente estender a mão a algo que está sobre o dulbeki — ele depende de que o anfitrião o traga até a mesa. É por essa distância física e social que o vinho deixado sobre o aparador permanece permitido, enquanto o que está sobre a própria mesa, ao alcance direto do gentio, é proibido.
Bartenura · Avodá Zará 5:5
דֻּלְבְּקִי. כְּלִי שֶׁמַּנִּיחִין בּוֹ כוֹסוֹת וַאֲשִׁישׁוֹת בְּאֳכָלִין וּמַשְׁקִין, וּמִמֶּנּוּ נוֹטְלִין וּמְשִׂימִין עַל הַשֻּׁלְחָן, וְאֵין אֶחָד מִן הַמְסֻבִּין נוֹטֵל כְּלוּם מִן הַדֻּלְפְּקִי אֶלָּא מִן הַשֻּׁלְחָן: וְאִם אָמַר לוֹ הֱוֵי מוֹזֵג וְשׁוֹתֶה. הוֹאִיל וְהִרְחִיב לוֹ הָרְשׁוּת: אַף מַה שֶּׁעַל הַדֻּלְפְּקִי אָסוּר. דְּסָמְכָא דַּעְתֵּהּ וְנָגַע בְּכֻלֵּיהּ: חָבִיּוֹת פְּתוּחוֹת. הַנִּמְצָאוֹת בְּבַיִת שֶׁהִנִּיחוֹ שָׁם: כְּדֵי שֶׁיִּפְתַּח וְיִסְתֹּם וְיִגֹּב. סְתָמָא כְרַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל דְּהִלְכָתָא כְּוָתֵיהּ.
Bartenura descreve o dulbeki como um móvel onde se guardam copos e jarros com comidas e bebidas, dos quais se serve a mesa — nenhum dos convidados toma diretamente do aparador, apenas da mesa. "Se lhe disse: fica misturando e bebendo" — como lhe deu liberdade ampla para servir-se, também o que está no aparador fica proibido, pois o gentio se sente à vontade e toca em tudo. "Barris abertos" são os encontrados na casa onde o israelita deixou seu vinho; o critério de tempo para os vedados segue, sem menção explícita, a opinião de Rabban Shimon ben Gamliel, que é a halachá.
Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים
Rashi רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Avodá Zará 69b (a Guemará cita esta mishná ao discutir a lei anterior sobre o tempo de suspeita)
מַהוּ דְּתֵימָא: הָא בָּבָא דְּהָיָה אוֹכֵל עִמּוֹ עַל הַשֻּׁלְחָן סֵיפָא דְּמִלְּתֵיהּ דְּרַבָּן שִׁמְעוֹן הוּא, וְקָתָנֵי לַהּ, וְהָכִי קָתָנֵי מַתְנִי׳: רַבָּן שִׁמְעוֹן אוֹמֵר כְּדֵי שֶׁיִּפְתַּח וְיָגוֹף וְתִיגּוֹב, הָיָה אוֹכֵל עִמּוֹ כוּ׳, וְלֹא סְתָמָא הִיא, קָא מַשְׁמַע לַן רָבָא דִּסְתָמָא הִיא.
A Guemará, ao concluir a discussão sobre o tempo de suspeita nos casos anteriores, cita esta mishná como prova de que a halachá segue sem reservas a opinião de Rabban Shimon ben Gamliel: se ela fosse apenas a continuação particular de sua posição, não poderia servir de prova geral. Rashi esclarece que Rava vem ensinar precisamente que a mishná do dulbeki é redigida como opinião consensual e anônima (stama) — sinal de que a halachá a acompanha integralmente — e não apenas como o fecho da opinião isolada de Rabban Shimon ben Gamliel. Este uso da mishná do dulbeki na Guemará, para fundamentar a regra geral do capítulo, mostra como as leis sobre o vinho de gentios formam um sistema único, em que cada caso particular reforça o critério comum de vigilância e presunção.