Disse um: Eis que é meu por dez selá; e outro disse: por vinte; e outro disse: por trinta; e outro disse: por quarenta; e outro disse: por cinquenta. Se o de cinquenta retrocedeu, penhoram de seus bens até dez. Se o de quarenta retrocedeu, penhoram de seus bens até dez. Se o de trinta retrocedeu, penhoram de seus bens até dez. Se o de vinte retrocedeu, penhoram de seus bens até dez. Se o de dez retrocedeu, vendem-no pelo seu valor e cobram do de dez o restante. Se o dono diz por vinte, e qualquer outra pessoa diz por vinte, o dono precede, porque ele acrescenta o quinto.
— A segunda mishná do perek detalha o procedimento do leilão de resgate quando cinco pessoas diferentes oferecem, em degraus de dez em dez selá, entre dez e cinquenta selá pelo mesmo campo consagrado. O princípio orientador é que o Templo nunca pode sair perdendo: se aquele que ofereceu o maior lance — cinquenta — depois retrocede e recusa pagar, o tesoureiro não simplesmente aceita o segundo maior lance de quarenta; ele penhora dos bens do desistente a diferença de dez selá entre seu lance e o seguinte, garantindo que o total arrecadado permaneça em cinquenta. O campo então é vendido a quem ofereceu quarenta — mas se este, por sua vez, também retrocede, o mesmo mecanismo se repete: penhoram-se dez selá de seus bens, e o campo passa ao lance de trinta. E assim sucessivamente, degrau a degrau, até o lance mínimo de dez selá; se até este desistir, o campo é simplesmente vendido pelo seu valor real de mercado, e cobra-se do primeiro ofertante de dez selá a diferença entre esse valor e os dez selá que ele havia prometido. A mishná fecha com uma regra de precedência: quando o próprio dono do campo e qualquer outra pessoa oferecem exatamente a mesma soma — por exemplo, ambos vinte selá — o dono tem precedência sobre o outro ofertante, precisamente porque apenas ele, como dono, está obrigado a acrescentar um quinto ao valor do resgate, tornando sua oferta efetivamente mais vantajosa para o Templo.
Rambam esclarece que todo o procedimento descrito na mishná pressupõe que os lances foram retirados um após o outro, na ordem em que foram feitos. Mas se, por exemplo, o primeiro ofereceu quarenta, o segundo quarenta e cinco, e o terceiro cinquenta e cinco, e depois o segundo e o terceiro retrocederam simultaneamente, o cálculo é diferente: toma-se do primeiro dez, do segundo nove, do terceiro oito, e assim proporcionalmente. É este o sentido da distinção transmitida pelos sábios: a regra da mishná só vale quando cada ofertante permanece em seu próprio degrau; quando isso não ocorre, divide-se a perda entre eles proporcionalmente. E, como consta numa beraita, se todos retrocedem ao mesmo tempo, a perda também se divide entre eles.
Bartenura esclarece que a regra de penhorar dez selá do desistente vale apenas quando os lances foram retirados um após o outro. Mas se todos retrocederem simultaneamente, a perda se reparte igualmente entre eles. Ilustra com um exemplo: se o primeiro ofereceu dez, o segundo vinte, o terceiro vinte e quatro, e o segundo e o terceiro desistiram ao mesmo tempo, o campo é dado ao primeiro por dez, e penhoram-se sete selá dos bens do segundo e sete dos bens do terceiro — de modo que o Templo arrecada, ao todo, os vinte e quatro selá originalmente prometidos.
Rashi explica o mecanismo aritmético por trás da mishná: ao penhorar dez selá do desistente do lance de cinquenta, o tesoureiro já assegura, junto com o novo lance de quarenta, que fique em suas mãos o valor original de cinquenta selá — e assim sucessivamente a cada degrau. Sobre a distinção transmitida em nome de Rav Chisda, esclarece que a regra de penhorar apenas dez selá do desistente vale quando cada ofertante permanece firme em seu próprio lance; mas se, por exemplo, o de quarenta retrocede depois que o de cinquenta já havia desistido antes dele, divide-se proporcionalmente entre os dois a perda de vinte selá que falta entre o lance de trinta e o de cinquenta — cabendo ao de cinquenta quinze selá e ao de quarenta cinco. E se todos retrocedem ao mesmo tempo, divide-se a perda entre todos igualmente, conforme o próprio texto da mishná e a beraita concordam.