בס’ד

Fora de Israel todos estamos acostumamos a guardar dois dias de Chaguim, conhecidos como Yom Tov Sheni. Mas mesmo em Israel Rosh Hashanah é comemorado com dois dias.

Porque dois dias?

No passado, quando havia o Sanhedrin, os meses eram promulgados na apresentação de duas testemunhas que vissem o aparecimento da Lua Nova, este ritual só era feito com um Tribunal competente, capaz de julgar as testemunhas oculares da Lua. Após a certeza do inicio de um novo mês, eram enviados emissários para todo Israel, avisando assim o inicio do novo mês e fixando as datas religiosas vigentes neste mês, como Pessach e Sucot. No período do segundo Templo e após sua destruição, eram acesas fogueiras sobre os montes para avisar do inicio dos meses, mas haviam inimigos e pessoas que para enganar os Judeus acendiam fogueiras nos topos dos montes para confundir as datas das festividades. Se você não sabe ao certo o inicio do mês, como saber que dia fixará as festividades? Assim em caso de dúvida foram agregados um segundo dia de Chag. Durante todo este período, Israel não tinha um calendário fixo, todos os meses era necessário que se apresentassem as testemunhas.

Um pouco menos de 300 anos após a destruição do Segundo Templo, um sábio chamado Hilel haSheni (Segundo Hilel), calculou com exatidão todas as trocas de luas para milênios a sua frente, apesar da exatidão nos cálculos, ele manteve a prática do segundo dia de Chag.

Isto também era praticado não só em Rosh Hashanah, mas em todas as festividades, Pesshach, Shavuot, Sucot, Shemini Atséret.

No período em que havia o Sanhedrin, os sábios quando chegavam ao dia 29 de Elul, entendiam que o dia seguinte a Lua poderia aparecer, e já poderia ser Rosh Hashanah, então, ficavam já em “comportamento de festa” com suas proibições, e celebrações, mas caso nenhum testemunha aparecesse, no meio do dia era anulado o dia e decretado o dia seguinte como Chag. Este problema só acontece com Rosh Hashanah por ser o Primeiro dia do Mês. Com o tempo Chaza”l acharam por bem agregarem sempre dois dias como festa assim manter-se-ia a santidade do dia prorrogadamente.

Esta é mais ou menos a explicação Histórica de sua implantação, mas no entanto, hoje em dia com todas as precisões de cálculos que temos, e sabemos com exatidão quando será vista a lua nova, não poderíamos abolir ou amenizar a gravidade de um segundo dia?

O segundo dia nos proporciona segurança

Este segundo dia teve um início por um motivo e no curso da história em cada época foi encontrada sempre uma nova “serventia”, por exemplo, em tempo do cativeiro babilônico, onde os emissários demoravam alguns dias para se chegar e anunciar que o mês havia iniciado a “X” dias, o segundo dia de festa era uma garantia de acerto.
Está claro para nós, então, que tanto o segundo dia é um salvaguardo para termos a certeza de que caso tenhamos errado na data do inicio do mês, acertamos pela “margem de erro”. Existe uma grande discussão no âmbito haláchico sobre anular algo estipulado por um Beit Din anterior, que não discutiremos aqui, mas deixaremos claro, que a mais de 1600 anos já sabemos com exatidão a data de cada festa, então o que nos ocorre não é mais a dúvida de quando se cai cada Chag. E sim por já ter se tornado prática constante, bem aceita, recebida e muito útil para nos distanciar da transgressão.

Vale lembrar que nós nascemos em uma era de informação, velocidade e globalização da informação totalmente  real-time. porém tudo isto, nesta velocidade tem menos de 100 anos e o restante todo da história levavam de dias a meses para que um decreto ou anúncio chegasse ao outro lado do mundo.

Como já explicamos no Blog Dvar Torah que todo mês dispõe de 29 dias e meio, todos os meses metade de um dia se agrega ou se subtrai do mês seguinte, assim sendo em Rosh Hashanah, existe “parte de um dia” que tem sua santidade e deve ser mantido preservada, do primeiro dia no segundo dia, assim sendo ainda em Israel, deve-se manter dois dias desta Chag.

E assim explica Rambam: Mesmo nos dias em que havia o Sanhedrin para decretar o Yom Tov de Rosh Hashanah, os filhos de Israel guardavam, mesmo em Israel, dois dias de Yom Tov, para se livrarem das dúvidas e do erro. Já que caso aparecesse alguma testemunha no decorrer do dia e avisasse da Lua, a pessoa teria cometido transgressões durante este dia.

 

Rav Y. Lopes