Havia um homem, que nasceu muito rico, todos os dias cedo, ele agradecia a HKB”H da seguinte maneira:

_Obrigado HKB”H porque me fizeste segundo á sua vontade e me fizeste rico!

E assim dia a dia, até que um dia sentou com um amigo pobre que temia poder invejar as posses de seu amigo e ouvindo a maneia que seu amigo abençoava, achou que seria feio da sua parte abençoar ser pobre, não havia motivos, então ele buscou uma negativa para a bênção de seu amigo, e passou a abençoar desta maneira:

_Obrigado HKB”H por não ter me feito rico.

Esperando assim nunca invejar as muitas riquezas de seu amigo.

A nossa história serviu de introdução para uma das maiores disputas feministas, motivo de grandes revoltas e acusar os Rabinos de machistas e insuflar discursos sexistas. Nas bênçãos da manhã, encontramos as seguintes duas bençãos em nossos sidurim:

Baruch Atá, Adonay, Elohênu mêlech haolam, shelô assáni ishá (mulheres sefaradiyot dizem, sem Shem umalchut, somente: Baruch sheassáni kirtsonô). 

Bendito és Tu, Hashem, nosso Deus, Rei do Universo, Que não me fizeste mulher. Mulheres dizem: Bendito és Tu, Que me fizeste conforme a Sua Vontade.

Trazendo em contraste com nossa introdução, de fato, quem é mais rico? aquele que foi feito segundo a Vontade Dele ou aquele que  foi feito a negativa deste, e mesmo assim ainda tem que agradecer.

A ordem das Brachot talvez possa confundir nossa interpretação do que realmente elas querem nos ensinar.

Cada um deve buscar entender essas palavras da melhor maneira possível sem tomar um partido de maneira cega pelo que julga a partir de seus conceitos próprios e deve esforçar-se para saber o que nossos sábios realmente quiseram nos demonstrar com estas palavras.

Nem machismo. Nem feminismo. Judaísmo é sem “ismo”.

 

Rav Y. Lopes