בס”ד

Em breve vamos iniciar um sistema de estudos de Halachot (leis) é bom já esclarecer para todos, o percorrer das Halachot até hoje.

Moshé Recebeu a Torah no Sinai

Entendemos que TODA a Torah foi dita de HKB”H para Moshé, onde Moshé escrevia e HKBH as explicava.

Á Torah que Moshé escreveu chamamos: Torah Shebektav Lei Escrita
Á Torah que foi explicada chamamos Torah Shebeal Pê Lei Oral

Todos os mandamentos dados a Moisés no Sinai – cujo significado é dado à partir do versiculo, “e eu vou lhe dar as tábuas de pedra e a Torah e as ordenanças” (Shemot) “Tábuas de pedra” são os Luchot ha Brit, “Torah” é a Torah escrita e “ordenanças” é a Torah Oral

Toda a Torá Moisés escreveu antes de morrer, em sua própria caligrafia. E deu um livro para cada tribo; E um livro -guardou no Aron ha Brit para sempre, como está dito ” tome este rolo da Torá, e colocá-o na arca da aliança do Senhor vosso Deus, para sempre” (Dv 7).

E o “mandamento”, significa a Torá que não está escrita; Mas ordenou ela aos Zaquenim (idosos ou sábios) e Josué, e todo a o resto de Israel, como ele diz, “Todas estas coisas que eu vos ordeno, guardaivos em fazer …” (Dv 13 – 1). A estas ordens nós chamamos de Torá Oral.

Todos esses sábios que mencionaremos, são os maiores em suas gerações – lideres de escolas, lideres proeminentes no ensino, líderes nos tribunais, grandes juízes. que existiram em cada uma das gerações, geração a geração, que ensinaram a milhares de milhares de sábios e que foram ouvidos em suas gerações.

Embora não tenha escrito a tradição oral, Moisés ensinou inteiramente em sua corte para os setenta anciãos; E Eleazar e Finéias e Josué, os três receberam de Moisés. E Josué que ele era um discípulo de Moisés, ensinou todos os dias de sua vida oralmente.

A lei Oral, veio desde Moshé Rabeinu, até os Membros da Grande Assembléia, nos tempos de Esra Hasofer (Esdras) sendo ensinada Oralmente, Mestre a Discipulo,
No periodo de Esra, e daí em diante, houve uma grande preocupação em compilar as Mishnaiot, que eram as leis Orais escritas em pequenos papéis, cada Tana (mestre que transmitia a lei Oral) tinha suas próprias Mishnaiot, para que pudesse consultar.
Isso prosseguiu até a época de Rabi Yehudá Hanassi. Que compilou as Mishnaiot.

O que seria isso?

Rabbi Yehudah Hanassi, coletou todas as Mishnaiot de Lei oral, de inumeros Tanaim ( mestres transmissores da Lei Oral) e comparou-as
A estas Mishnaiot que eram compatíveis umas com as outras, assegurando sua ligação até o Sinai, foram chamadas Mishnaiot (trechos de lei oral), já as passagens que não se enquadravam no padrão eram chamadas Beraita (externas) eram sim passagens de importância, porém, não eram tidas como leis orais.

Estas Beraitot, são usadas por vezes para ajudar na interpretação de uma Mishnah

Após a compilação da Mishnah, os rabinos continuaram estudando, já que a Mishnah é de dificil compreenção.
Os estudos passaram a ser registrados, e posteriormente foram compilados por Rav Ashi, em um novo livro chamado Guemará

Resumo até aqui

Moshé recebeu a Torah e a explicação, que foi transmitida Oralmente geração a geração.

Depois de Esdras os rabinos passaram a escrever suas leis aprendidas de seus mestres.

Estas leis escritas eram chamadas Mishnaiot,

Os rabinos que ensinavam as leis Orais eram chamados Tana (plural Tanaim)

Rabbi Yehudah Hanassi compilou as Mishnaiot em um livro chamado MISHNAH as mishnaiot menos importantes são chamadas Beraita, regras que ele nao tratou como Lei Oral

A Mishnah continuou sendo estudada, e a Compilação destes estudos é chamada GUEMARAH

Mishnah + Guemarah = TALMUD

A MISHNAH compilada por Rav Yehudah haNassi foi dividida em 6 Grandes Capítulos:

• Zeraim (“Sementes”), discute sobre rezas e bênçãos, dízimos e leis agrícolas (11 tratados).

• Moed (“Festival”), referente às leis do Shabat e das Festas Judaicas (12 tratados).

• Nashim (“Mulheres”), acerca do casamento e divórcio, algumas formas de juramentos e as leis do nazir (7 tratados).

• Nezikin (“Danos”), ocupa-se da lei civil e criminal, o funcionamento dos tribunais e juramentos (10 tratados).

• Kodashim (“Coisas Sagradas”), acerca dos rituais de sacrifícios, as actividades do Templo e as leis alimentares (11 tratados).

• Tahorot (“Purezas”), relativo às leis de pureza e impureza, incluindo a impureza do morto, as leis da pureza ritual dos sacerdotes (‘Cohanim’), as leis da “pureza familiar” (as leis menstruais) e outras (12 tratados).

Depois que Rabbi Yehuda Hanassi (Também conhecido como Rabeinu Hakadosh) fechou a Mishnah, tanto em Jerusalém quando na Babilônia os rabinos passaram a estudá-la e comentá-la.

Este estudo nestes dois centros diferentes de judaismo, resultou em duas GUEMAROT (Plural de Guemarah)

Uma de Jerusalém, que ficou conhecida por Talmud Yerushalmi e a outra, concluida na Babilônia conhecida por Talmud Bavli.

O Talmud Bavli é superior ao Yerushalmi, por ter sido mais amplamente estudado, e ter sido escrito com mais calma, e sem perseguições, além do que já contava com o Yerushalmi de referência.
Enquanto o Yerushalmi tinha uma forma escrita resumida, de difícil compreensão pois eram escritas sob pressão, a risco de morte e às escondidas.

Após este período o Talmud foi sendo “encorpado” com diversas outras informações, nunca em seu texto original, mas às laterais do texto central.

Os maiores responsáveis por isso foram os GUEONIM (Eruditos) e as gerações que sucederam à geração da conclusão da Guemarah.

Vejam a primeira pagina do Talmud Bavli:
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o Vermelho 01 é a MISHNAH, que podemos entender como “a lei Oral”
Compilada por Rabeinu Hakadosh

O Amarelo 02 é a GUEMARAH trechos de discuções sobre a Mishnah compilados até Rav Ashi.

o Azul 03 é o Comentário de Rabi Shlomo Yitzhaki (Conhecido como Rashi)

o Verde 04 são conhecidos como Tossafot (adicionais), que são notas de inúmeros discípulos (grandes rabinos) dos rabinos que estão no texto central.

o Cinza 05 é o nome do capítulo e página.

CURIOSIDADE

Todos os capítulos do Talmud sempre se iniciam a partir da pagina 02, não contendo a pagina 01, para nos lembrar que 01 é somente HKBH

O Talmud é MUITO DIFICIL de se iniciar o estudo sozinho. em vista de que não é um livro LINEAR, muito menos que contenha as regras uma atras da outra, como se esperaria da “LEI ORAL”, entretanto ele é escrito em forma de diálogo, com base em discussões e relatos. E pior de tudo, sem índice, muito menos Google para fazer uma busca por palavras, ou seja, para se saber a conclusão de uma regra, deveria se estudar ele todo, e ter uma excelente memória.

E aí iniciamos uma nova época de ouro do judaísmo, que assim como na história moderna tem suas fases, renascimento, humanismo etc… na nossa história literária chamamos RISHONIM Os primeiros.

Os Rishonim foram os primeiros grandes rabinos após a época do Gueonim , e também iniciou-se a época das siglas: RIf, Rashi, Tur, Rambam, Ramban, Rosh,,…. etc, São todas abreviações dos nomes dos mesmos.

Enquanto Rashi se dedicava a explicar temas gramaticais, na França, como interpretações da Torah, Tanach, Talmud, outros se dedicavam à Filosofia e Halachá, como Rambam, oriundo da Espanha e conclui sua trajetória no Egito.

Rambam percebeu a grande dificuldade em encontrar as leis no Talmud, já que para saber uma regra, uma pessoa um pouco desinformada, deveria ter que percorrer as dezenas de milhares de folhas do Talmud. e ele conclui uma obra maravilhosa, Trabalho tão duro que compara-se ao de Rav Ashi e de Rabeinu Hakadosh.

Rambam , o rabino Moshé ben Maimon, também chamado de Maimônides. concluiu o livro de Halachá chamado MISHNEH TORAH ou também conhecido YAD HACHAZAKAH. Mishneh torah quer dizer, segunda torar. Yad Hachazakah, Mão forte, pois Yad, יד , vale o numero 14, que é o numero de Capítulos que estão distribuidas as halachot no Mishneh Torah.

Esta deve ter sido a expressão na face dos judeus na época:
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Porque realmente foi uma obra monumental.

Segundo o próprio RAMBAM, na introdução do Mishneh Torah, as palavras finais são SEMPRE EXTRAÍDAS DO TALMUD e nenhum rabino posterior à conclusão do mesmo (nem mesmo ele) pode executar uma regra contrária às estabelecidas no Talmud. somente agregar novas interpretações de acordo com a época e local, onde os judeus estiverem habitando, o que na opinião de Rambam devem ser observadas.

Ao findar a Era dos Rishonim o judaísmo estava um pouco confuso, em vista da grande Galut (Exílio) que os Judeus estavam passando, novas regras e costumes foram sendo adotados em todas as regiões onde houvessem Judeus. As maiores diferenças da época eram entre os Sefaradim e Ashkenazim, Judeus do Oeste e Leste europeu respectivamente, ainda que houvessem inúmeros outros padrões de costumes, e ainda há hoje, como os Indianos, Orientais, Iemenitas, Etíopes… mas na época como os Sefa e os Ashke eram os maiores (em número) houve a necessidade, para se acabar com certas desavenças de se Juntar estes costumes em se executar determinadas Halachot ou costumes de âmbitos gerais em um livro, e quem fez esta obra, se chama Rav Yosef Karo, também chamado de Maran, e seu livro SHULCHAN ARUCH

Na mesma época um grande Rabino conhecido por Ramah, também se empenhava em uma obra semelhante, porem antes de concluir sua obra, foi informado que o Maran já havia concluido o Shulchan Aruch para não competir com seu amigo, e esta é uma lição importante para nós, ele abandona sua obra e somente agrega comentários que o Maran desconhecia ou esqueceu no Shulchan Aruch .

Depois desta época os Sábios são conhecidos como ACHARONIM (posteriores) e é esta a época dos sábios até hoje em dia.

Grandes obras Haláchicas, de Mussar, Filosofia, vêm sendo escritas, agregadas, comentadas, reeditadas, aperfeiçoadas,

A Halachá não é Estática, ela é mutável, precisa ser constantemente revisada, não podemos por ex, usar 100% da Halachá de Rambam, para os dias de hoje, tampouco de Maran, precisamos de grandes homens, rabinos proeminentes que legislem, que aprovem ou desaprovem os costumes de cada geração com base na nossa lei Oral, no Talmud e em todas as literaturas de nossos sábios.
Por exemplo, o Kitsur Shulchan Aruch que é o que muitos de nós temos em casa, é um Resumo do Shulchan Aruch, subtraido as leis referentes ao Templo, e mais ainda o nosso (em português) tem um enfoque maior aos costumes Ashkenazitas, em vista de que a maior comunidade no Brasil é Ashkenazita
Em contrapartida, uma das mais recentes obras, tem por autor Harav Hagaon Ovadiah Yosef Z”L, o ex-Rabino Chefe Sefaradita de Ysrael, Rishon Letsion, que nos presenteou com sua obra Yalkut Yosef que seriam as Halachot para nossa Geração, aos Sefaradim.
Halacha vem do termo CAMINHAR, é a maneira correta de se cumprir os mandamentos, desde os costumes, até as leis Deoraita (Da Torah).

Entendendo tuuuuuuuudo isso, podemos vislumbrar, a complexidade de uma Halachá, que muitas vezes ela percorreu um longo caminho até chegar a nós, que dizer se pode ou não comer uma bolacha Passatempo com desenho feito com carmin de cochonilha é muito mais complexo do que traduzir pelo google tradutor uma halachá do Rambam.

E não é que por ser um costume ele pode ser desvalorizado, e nem por fazermos um costume, não quer dizer que o equiparamos com uma Lei Deoraita. Muito menos, e D`us não o permita, que entendamos que por ser uma regra Derabanam, possamos ser displicentes com ela.

Extraído de nosso grupo de Whatsapp Dvar Torar.

Rav Y. Lopes