O 12º Ikkar do Rambam: "Eu creio com fé completa na vinda do Mashiach. E apesar de ele tardar em vir, contudo esperá-lo-ei em cada dia que ele venha."
O Talmud Bavli, no tratado de Sanhedrin (folhas 96 a 99), dedica uma seção inteiramente ao Mashiach — um dos blocos textuais mais densos e fascinantes de toda a literatura rabínica. Os Sábios debatem sinais, calculam datas, descrevem a geração que verá sua chegada, e chegam a conclusões que ainda hoje ressoam.
Os sinais da geração do Mashiach
O Talmud (Sanhedrin 97a) lista, pela boca do Rabi Yohanan, os sinais característicos da geração em que o Mashiach virá. Não se trata de profecia vaga — são descrições precisas de deterioração moral e intelectual:
"Na geração em que o Ben David [o Mashiach] vier: os sábios diminuirão; os olhos dos restantes se apagam de tristeza e gemido; as tribulações se multiplicam; decretos rigorosos se renovam antes que o primeiro decreto se dissolva."
O ciclo de sete anos
O Talmud (Sanhedrin 97a) descreve um ciclo de sete anos que precede a chegada do Mashiach no oitavo ano. Cada ano tem sua característica:
Ciclo dos Sete Anos (Sanhedrin 97a)
- Abundância em uma cidade; fome nas cidades vizinhas
- Flechas de fome lançadas em alguns lugares; em outros, não
- Grande fome em todo lugar — homens, mulheres, crianças e grandes morrem; a Torá é esquecida pelos estudiosos
- Semianual — alguma abundância, alguma escassez
- Grande abundância; a Torá retorna aos estudantes
- Vozes (kolot) e sons anunciando: "Mashiach, filho de David, está chegando"
- Guerras
- O 8º ano — chegada do Mashiach ben David
Como ele chegará: dois caminhos
O Talmud apresenta uma famosa resolução de uma aparente contradição entre dois versículos dos profetas:
Se Israel fizer Teshuvá: O Mashiach virá "com as nuvens do céu" — rapidamente, com manifestações celestiais extraordinárias.
Se Israel não fizer Teshuvá: O Mashiach ainda assim virá, mas "pobre e montado sobre um jumento" — no tempo determinado, sem grandes sinais.
A conclusão: o Mashiach certamente virá. O que muda é a forma e a velocidade de sua chegada — condicionadas ao estado espiritual do povo.
Debates sobre o tempo da chegada
Os Sábios tentaram calcular a data da chegada do Mashiach com base em passagens de Daniel e outros profetas. O Talmud registra estas tentativas com um aviso importante:
"Que explodam os ossos daqueles que calculam os fins [da redenção]! Pois eles dizem: 'Como a data passou e o Mashiach não veio, ele não virá mais.' Em vez disso: aguarda-o."
O Talmud registra diferentes opiniões sobre a duração da era messiânica: 40 anos (como os anos no deserto), 70 anos (como os anos de vida de David), 365 anos (como os dias do ano solar), 400 anos, e até 7.000 anos (correspondendo à estrutura dos dias da Criação). Todas são especulações baseadas em versículos; nenhuma é halachá.
A conclusão talmúdica: Teshuvá
Após todo o debate sobre datas e sinais, o Talmud (Sanhedrin 97b) apresenta sua conclusão fundamental:
Rabi Eliezer disse: "Se Israel fizer Teshuvá, eles serão redimidos. Se não, eles não serão redimidos."
Rabi Yehoshua respondeu: "Mas o texto diz que Israel será redimido independentemente da Teshuvá!"
A resolução: Israel será redimido de qualquer forma — mas a Teshuvá determina quando e como. Sem Teshuvá, a redenção aguarda o tempo determinado. Com Teshuvá, ela pode ser acelerada.
Esta conclusão ressoa com o 12º Ikkar: esperamos o Mashiach em cada dia. Não calculamos datas nem perdemos a esperança quando cálculos falham. Fazemos Teshuvá, estudamos Torá, cumprimos os mandamentos — e aguardamos.
Fontes principais
- Talmud Bavli — Sanhedrin 96b–99a
- Rambam — Mishneh Torah, Hilchot Melachim 11–12
- Rambam — Peyrush haMishna, Comentário a Sanhedrin 10:1
- Ver também: Visão Judaica sobre o Mashiach — visão geral das 6 missões