SHALOM SHALOM

Vamos começar um dos temas mais importantes da vida Judaica, KASHRUT,

Kasher não tem uma tradução exata para o Português, seria algo como “liberado ou permitido”.

As leis de Kashrut são extensas, e peço perdão por qualquer falha que eu possa cometer.

Este tema é inevitável o uso de imagens, pois para conhecermos os sinais, e visualmente entendermos as devidas abrangências de cada sinal.

Num principio, a humanidade não era carnivora, no então do Eden, somente nos era permitido o alimento vegetal.

Contam nossos sabios, que com o passar dos anos a humanidade se aproximou tanto dos animais que na geração do Diluvio já tinham “liberdades alem das possiveis” com eles. Assim como um tratamento como aos humanos.

Após o dilúvio então, foi permitido à Humanidade comerde tudo o que fosse, seja qual for o bicho, assim como é ainda hoje para os Bnei Noach, onde “todo animal é como a relva do campo”. ou seja, tanto faz comer um porco ou uma folha de alface. Onde a única regra seria, que o animal não sofresse com o abate e que estivesse completamente morto.

Com os filhos de Israel, esta idéia parece iniciar uma nova reinterpretação baseada na tradiçao, onde passam a evitar o tendão traseiro dos animais para recordarem-se da Origem do nome de Israel, e a luta de seu patriarca com um Anjo.

Com a saída do Egito, os filhos de Israel agora passariam a oferecer sacrificios no Mishkan, e assim, regras referentes ao abate, animais permitidos e proibidos e toda uma série de temas relacionados à Pureza e Impureza foi elencada aos filhos de Israel, já que caberia a ELES o papel de serviço no Mishkan, e após isso no Beit Hamikdash. Assim sendo compreendemos que, para o restante da Humanidade, que não têm esta obrigação, continuaram isentos das leis de separação alimentar, abate, pureza e impureza em quaisquer parâmetros que se encontrem dentro da Torah, como tocar em mortos, pureza familiar, etc…

Agora podemos compreender o motivo de aparecer todos estes regramentos, no Sefer Vaicrá (levitico) que trata em sua grande parte, em assuntos relacionados ao Serviço à H”S.

As leis de Kashrut são amplas, pois não dizem respeito somente ao “bicho que pode comer e o que não”, por exemplo, frutos no ano de shemitah, fermento em Pessach, ou que ficou na posse de um Judeu em pessach, carne e leite, abate, forma de extrair o sangue, tempo de extração, Uma carne que entra em contato com outra, Um animal que morre por si e uma invinidade de variantes que uma pessoa que não esteja ampla e devidamente preparada para lidar com este tema, CERTAMENTE vai cair em erro, errar para si e para muitos, como dizem nossos Chachamim ZT”L , um rabino que não esteja preparado para sua funçao traz maldição para o mundo, imaginem então uma pessoa que sequer estudou a fundo cada parametro e minucia de cada Halachá.

No sefer Vaicrá, cap 11, inicia-se uma série de sinais, com os quais podemos constatar VISUALMENTE cada um dos animais Kasher, sinais este que também são dados para determinados Grupos, e não são oscilantes entre si.

Dois exemplos disso, é que o morcego sendo um mamifero, está enquadrado em uma classe de aves, por voar, ou a lebre em ruminantes apesar de não ruminar, mas visualmente ela constantemente mastiga. Exemplo de que os sinais não oscilam entre os grupos é que um mamifero não precisa ter barbatana e escamas, já que este é um sinal dos seres aquaticos. Ou uma Ave nao precisa ter casco fentido e ruminar, pois são os sinais dos behemot. (Exemplo de um erro cometido por muitos que se achegam ao judaismo é classificar o pato como não kasher por ter membrana entre os dedos, enquanto é um animal Kasher)

BEHEMOT

Behemot é literalmente “bestas” usado para todos os animais de grande porte, quadrupedes ou não.

Em Vaikrá cap 11, temos os sinais de kasher:

1 E o Eterno falou a Moisés e a Aarão, dizendolhes: 2 “Falai aos filhos de Israel: Estes são os animais que comereis de todo animal que se acha sobre a terra: 3 Todo o que tem o casco fendido e a unha separada em 2, de cima até abaixo, e que rumina entre os animais – esse comereis.

Aqui alguns exemplos dos animais Kasher.

E logo na sequência a Torá elenca exemplos de animais que têm um ou outro sinal VISUAL, porém que não nos são Kasher:

 4 Mas estes não comereis dos que ruminam e têm o casco fendido: o camelo – que rumina e não tem casco fendido –, ele é impuro para vós. 5 E o coelho – que rumina e não tem casco fendido –, ele é impuro para vós. E a lebre – que rumina e não tem casco fendido –, ela é impura para vós.

Como citamos anteriormente, o Coelho e animais desta classe, não são ruminantes, mas como também citamos, visualmente aparentam ruminar, e conseguinte, a Torah cita mais um caso de sinais parciais:

7 E o porco – que tem casco e é de unha separada em 2, mas não rumina –, ele é impuro para vós.

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BASICAMENTE, foram apresentados 3 situações, duas evidentes e uma de que poderia gerar duvidas. Estas são as 3 situações:

•1 Tem TODOS os sinais de um animal KASHER

•2 Tem PARCIALMENTE os sinais, e a Torah os traz para deixar claro que não são permitidos.
e estes se dividem em 3:
– somente ruminam
– aparentemente ruminam
– somente possuem casco fendido

•3 Não possui nenhum sinal de Kasher, e portanto é desnecessário discorrer sobre eles.

A Torah traz os animais que apresentam parcialmente os sinais de Kashrut para nos esclarescer, sem sombra de dúvidas, de que para ser passivel à alimentação tem que ser 100% ou nada, e que não tivessemos em mente que existam animais num estágio intermediário de permissividade. Para finalizar a categoria, a Torah deixa um alerta:

8 De sua carne não comereis e no seu cadáver não tocareis; eles são impuros para vós.

onde existem duas proibições, uma referente à alimentação, e a segunda com relação ao serviço no Templo, onde uma pessoa que o tocasse, deveria purificar-se ritualmente para ingressar no Mishkan.

DAGUIM

Daguim são peixes, porém para nossa classificação, diz respeito à todo ser aquático,

E estes são os sinais de Kasher:

9 Isto comereis de tudo o que está nas águas: Todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, comereis;

barbatanas

A Torá agora se abstém de repetir a regra de parcialidade em sinais por exemplos, pois se delongou no primeiro caso à fim de que entendamos a regra geral.

Assim sendo, está em absoluto sabido que a ausência de um único sinal, desqualifica-o.

10 e todo o que não têm barbatanas e escamas, nos mares e nos rios, de todo réptil de água e de todo ser vivo que está nas águas – eles são abominação para vós. 11 E serão abominação para vós; de sua carne não comereis e seu cadáver abominareis. 12 Todo o que não tiver barbatanas e escamas, nas águas, será abominação para vós.

OFOT

Ofot são pássaros, e neste momento a Torah introduz uma nova regra de classificação distinta das anteriores que eram por sinais visiveis.
Também o sistema de apresentação se altera, onde anteriormente eram apresentados os animais Kasher antes e os não Kasher posteriormente, agora, são somente citados os PROIBIDOS.

13 E isto abominareis das aves: Não serão comidas, porque elas são uma abominação: a águia, o quebrantosso e a águia do mar; 14 o milhano e o abutre, segundo sua espécie; 15 todo corvo segundo sua espécie; 16 o avestruz, a coruja, a gaivota e o gavião, segundo sua espécie; 17 o mocho, o corvo marinho e a íbis; 18 a tinshémet, o pelicano e o porfirão; 19 a cegonha e a garça, segundo sua espécie; o galo montês e o morcego.

Aqui é apresentado o SISTEMA MÁXIMO de classificação, que é a transmissão Oral, de geração a geração, do que se entende e se reconhece por Kasher ou não. Já que neste momento não existiam registros fotográficos de animais, e o que em uma região poderia se chamar “X” em outra se chamaria “Y”, então no quesito AVES, assim como em diversas regras apresentadas a seguir, a transmissão Oral de classificação se tornaria determinante no mantenimento das Leis Alimentares.

Assim sendo, a classificação Kasher só é válida recebendo da geração anterior.

Um exemplo muito claro desta regra é o caso da “CODORNA” que os Ashkenazim não comem, pois nos países onde residiram não havia este animal, assim a geração anterior não pode indicar para a seguinte o que seria a tal “Codorna” já entre os Sefaradim, os países que estiveram era habitado por estes animais, e assim, puderam mostrar para as gerações seguintes o que era uma Codorna, de igual maneira, os Iemenitas ainda hojem comem o Gafanhoto, pois não perderam, geração após geração a transmissão do conhecimento de qual é o Gafanhoto Kasher.

INSETOS

A Torah tem uma maneira propria de classificação, onde sabemos que os insetos têm 6 patas em praticamente 90% do se filo escolhe dizer que possuem 4, mas que as 2 traseiras são patas de apoio, e apresenta a permissividade de ingestão de somente alguns que possuiam as pernas de apoio traseiras maiores, conforme se vê:

21 Mas estes podereis comer: de todo inseto, que anda sobre quatro patas, que tem pernas por cima dos pés para saltar com elas sobre a terra; 22 deles comereis estes: a locusta, segundo sua espécie; o gafanhoto, segundo sua espécie; o grilo, segundo sua espécie, e o grilo estridente, segundo sua espécie; 23 e todo inseto que tem quatro patas será abominação para vós.

Também os insetos seguem a regra das aves de identificação, visto que citam espécies além dos sinais. assim sendo, NÃO É todo grilo kasher por saltar com as patas traseiras, mas é necessário que tenha sido passado pela tradição a identificação deste animal.

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ANIMAIS SEM CASCO

Os que andam sobre as plantas dos pés

26 Todo animal que tem casco e não tem a unha separada em duas, de cima até embaixo, e não rumina, eles serão impuros para vós; todo aquele que os tocar será impuro. 27 E todos os que andam sobre suas plantas, de todos os animais que andam sobre quatro patas, serão impuros para vós; todo aquele que tocar seus cadáveres será impuro até a tarde. 28 E aquele que levar seus cadáveres lavará suas vestes e ficará impuro até a tarde; eles são impuros para vós.

ANIMAIS DE PEQUENO PORTE

A impureza referida nestes parágrafos, diz respeito à proibição de entrar no Beit Hamikdash.  E por fim, a regra ultima de classificação entre os animais Kasher e Não Kasher, diz respeiro aos pequenos animais:

29 E estes são os impuros para vós, entre os pequenos animais que se movem sobre a terra: a doninha, o rato e o sapo, segundo sua espécie; 30 o porcoespinho, o crocodilo da terra, a lagartixa, a lesma e a toupeira. 31 Estes são os impuros para vós, de todos os répteis; todo aquele que os tocar, depois de mortos, será impuro até a tarde.

UMA CORREÇÃO IMPORTANTE

É muito comum ouvir a expressão “animal impuro” entre as pessoas, esta expressão é errada e deveria ser extinta da utilização dentre as pessoas.

Os animais em si não tem nenhum estágio de pureza ou impureza, conforme a TORAH estabelece, a expressão é “IMPURO PARA VÓS” e não que seja impuro para tudo.

Que as pessoas que utilizam esta expressão se corrijam e este mau costume seja apagado.

Esta foi a introdução do nosso tema para que possamos ter a base das leis que apresentaremos a seguir.

Rav Y. Lopes